Cultura

Terceiro Centenário de volta à avenida em Sorocaba

Tradicional escola de samba retorna 23 anos depois com homenagem às riquezas e belezas do Brasil
Terceiro Centenário de volta à avenida
A Bateria Majestosa, com 80 ritmistas sob o comando de Mestre Zuza, é um dos pontos fortes da escola. Crédito da foto: Fernando Abreu / Secom Sorocaba

Riquezas e belezas do Brasil serão mostradas na avenida pela escola do samba Terceiro Centenário, que retorna oficialmente ao Carnaval sorocabano após um hiato de 23 anos. Com o samba-enredo “Brasil terra de encantos mil”, a escola vai homenagear a grandeza do País, sua diversidade cultural e suas riquezas naturais.

Com 14 alas e três carros alegóricos, a agremiação mais antiga em atividade vai homenagear o povo indígena e africano, o petróleo, as culinárias típicas regionais e a paixão nacional pelo futebol. “É uma pincelada em alguns tópicos que o nosso País tem de bom, porque para dar a verdadeira dimensão, nem mesmo uma grande escola do Rio de Janeiro teria competência. É muita coisa boa”, comenta Claudinei Moreira, que é vice-presidente da escola e contra-mestre da bateria.

O desfile planejado pelos carnavalescos Fábia Ferraz e Paulo Henrique pretende valorizar a história do país e recuperar a autoestima da população brasileira. “É uma homenagem ao Brasil e ao brasileiro, que é invencível. Ele busca forças não sabemos onde e dá a volta por cima”, acrescenta. Apesar de destacar seus aspectos positivos, em um dos versos o samba-enredo não se furta em levar uma mensagem crítica sobre a persistência da desigualdade social, “que mancha a nossa história”. “Não dá para falar no Brasil sem tocar nesse assunto”, acrescenta.

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Terceiro Centenário de volta à avenida
A comunidade da escola, que nasceu no Jardim América, está unida nos preparativos para o desfile. Crédito da foto: Divulgação

O tema para o Carnaval deste ano foi um “plano B” encontrado pela diretoria para marcar o retorno oficial da escola à avenida. Claudinei comenta que um outro enredo estava sendo projetado no ano passado, mas foi engavetado em dezembro após a confirmação de que não haveria recursos financeiros provenientes de repasse da Prefeitura. “Decidimos mudar a estratégia e escolher um tema mais genérico”, afirma. De acordo com o vice-presidente, a previsão de gastos no desfile deste ano gira entorno de R$ 40 mil. “Tudo feito do próprio bolso”, comenta, citando que, após não ter êxito na prospecção de patrocinadores, a agremiação carnavalesca passou a vender rifas, bebidas e alimentos nos ensaios, que acontecem no Jardim América.

Aos 300 anos

A escola de samba foi fundada em 15 de agosto de 1954, justamente no aniversário do terceiro centenário da fundação de Sorocaba, por Lázaro Lopes de Oliveira, o Lazinho, e seus amigos, todos dissidentes da extinta Unidos do Pecado, da Vila Leão. A homenagem a Sorocaba está presente não apenas no nome, mas também nas cores oficiais do pavilhão: amarelo, vermelho, preto e branco, idênticas às da bandeira de Sorocaba. A escola sediada no Jardim América teve as atividades suspensas em 1997, quando o Carnaval de rua deixou de ser realizado com apoio da administração municipal. “O desejo de voltar já existia, mas sempre esbarrava em algum problema. Agora, a vontade falou mais alto”, comenta.

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O retorno à avenida era muito cobrado por amigos e foliões. “O mais importante é a volta, mas quando a gente começa a se envolver, a gente começa pensar grande. Hoje a gente quer alçar voos maiores e ser campeão. Até o último minuto ”, admite.

Terceiro Centenário de volta à avenida
No ano passado a Majestosa acompanhou a Corte do Carnaval na avenida. Crédito da foto: Fernando Abreu / Secom Sorocaba

O ponto alto da escola, defende Claudinei, é a Bateria Majestosa composta por 80 ritmistas, sob o comando de Mestre Zuza, filho do fundador Lazinho. Inspirada na Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro, a escola tem como diferencial o “surdo de primeira”, como é chamado o acento no primeiro tempo do compasso. “Essa é uma tradição da Terceiro Centenário”, afirma, citando que nesta semana, a bateria realizará ensaios fechados e secretos de convenções e paradinhas que serão revelados na avenida. Claudinei lembra que até o Carnaval de 1978, o julgamento dos desfiles levava em conta apenas os quesitos melhor bateria e melhor fantasia. “Era uma briga porque a 28 de Setembro ganhava sempre com a melhor fantasia e a Terceiro Centenário sempre na bateria. A marca nossa sempre foi a bateria e queremos manter isso”, conclui. (Felipe Shikama)

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Terceiro Centenário

Tema – “Brasil terra de encantos mil”
Compositor – Cleverson de Freitas
Intérprete – Paulo Gago
Integrantes – 280
Alas – 14

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