Cultura

‘Queda pra cima’ é disco de estreia de Marcus Alves

Trabalho do sorocabano chega amanhã às plataformas digitais falando de suas vivências e experiências
‘Queda pra cima’ é disco de estreia de Marcus Alves
“Queda pra cima” tem 10 faixas compostas pelo artista e será lançado pelo Lastro Musical. Crédito da foto: Kayan Viana / Divulgação

Após mais de dez anos atuando no backstage da cena da música independente de Sorocaba, colecionando parceiros de artes e ideias e produzindo eventos que abriram portas para novas bandas, o cantor, compositor e instrumentista sorocabano Marcus Alves se sente maduro e acolhido para lançar seu primeiro álbum solo. O disco “Queda pra cima” será disponibilizado amanhã, nas principais plataformas de música digital, pelo selo Lastro Musical.

Baixista por formação, com passagem por várias bandas, e membro atuante do movimento underground da cidade, Marcus Alves participou da linha de frente de eventos como o Visceral Sessions e o Condado Records, mas entre 2017 a 2019 se afastou da cena para, nas palavras dele, “fazer outros corres” para ganhar a vida. Neste hiato, trabalhou como marceneiro, repositor em supermercado, pedreiro e ajudante de mudança. Enquanto seguia ganhando a vida, diariamente, com dignidade do suor do seu trabalho, era constantemente provocado por amigos que conheciam o seu potencial e lamentavam a subutilização de seu talento. “Sempre me perguntavam, ‘e aí, quando você vai voltar?’”, recorda.

Leia mais  Obra completa de Emily Dickinson é traduzida

Muito mais empurrado pelo incentivo dos seus parceiros do que arrastado pela sua própria ambição, Marcus Alves cedeu e decidiu gravar, sem pretensão, algumas das canções que havia composto logo após ter ganhado um violão de um amigo. Com produção de Matheus Zanetti, lançou em meados de 2019 o EP “Cores e corres”, que obteve boa repercussão da imprensa especializada. A primeira das quatro faixas, intitulada “Invencível”, teve mais de 60 mil execuções uma plataformas de streaming.

A partir desse feedback, Alves seguiu os conselhos dos amigos de voltar todas as atenções à sua música. Um amigo em comum o apresentou ao baterista e produtor musical Ítalo Riber, criador do selo Lastro Musical, considerado um “Midas” local, que tem no currículo trabalhos relevantes com nomes como Paula Cavalciuk, Alienpovo e Wry. “Ele lapidou meu trabalho. Me deu várias dicas, botou fé no meu trabalho”, comenta Alves.

Vivências e experiências

Com dez faixas, “Queda pra cima” traz letras que falam de vivências e experiências, como a se lançar ao novo, “como o que está acontecendo agora, na minha vida”, diz, dos desafios pela sobrevivência e dos “corres para ganhar a vida”, como do período em que precisou renunciar a paixão pela música para levar pão à mesa da casa da mãe; dos sonhos e arrependimentos do pai, um exímio tocador de cuíca; de racismo e da própria depressão enfrentada de maneira recorrente. Aliás, “Queda pra cima” faz alusão à forma como o artista encara a doença. “Queda pra cima é uma forma de aceitar essa condição e saber lidar com isso. É dar o melhor na pior fase”, afirma.

Leia mais  Morre Claude Bolling, compositor de ‘Borsalino’

Toda essa narrativa é embalada pela mistura de ritmos brasileiros, com influências da música eletrônica que, nas palavras do artista, estabelecem uma ponte entre o contemporâneo e o ancestral. “Essa ponte é a base de tudo. É o que nos define quem somos”, assinala. O primeiro álbum solo de Marcus Alves é, paradoxalmente, coletivo. Além do bandleader, que ainda empunha o contrabaixo elétrico, sua banda é formada por Matheus Zanetti (MPD e programações), João Maresia (guitarra) e Augusto Martins (teclado). O disco tem participações especiais de Ananda Jacques, Bruno Cons, Kodux e Renan Brenga. “Tentei botar a galera que sempre ajudou a construir a cena, não só pra eles, mas para o outros”, diz, confirmando que seu disco de estreia ecoa as vibrações dos muitos que o rodeiam e se configura em uma espécie de seleta mostra da movimentada cena da música independente em Sorocaba. (Felipe Shikama)

Comentários