Cultura

Prefeitura cancela prêmio de artes visuais

Assim como na Literatura, reconhecimento, que leva o nome do artista Flávio Gagliardi, foi suspenso este ano
Prefeitura cancela prêmio de artes visuais
Prêmio Flávio Gagliardi de Artes Visuais foi instituído em Sorocaba há 20 anos. Crédito da foto: Alexandre Lombardi / Secom Sorocaba

Cidade natal de pintores renomados como Marina Caram, Pedro Lopes e Célia Marcassa, e que acolheu artistas como o italiano Bruno de Giusti e o suíço Ettore Marangoni, Sorocaba não realizará o Prêmio Flávio Gagliardi de Artes Visuais em 2018. Instituído há exatos 20 anos e aperfeiçoado em 2014 por meio de lei municipal 10.989 o prêmio, que visa reconhecer e valorizar os artistas visuais, bem como fomentar a produção artística local teve a edição deste ano cancelada pela Secretaria de Cultura e Turismo (Secultur).

A Prefeitura alega que, assim como Prêmio Anual Sorocaba de Literatura, também cancelado neste ano, a premiação de artes visuais “passará por uma reformulação, visando ampliar a participação dos artistas da cidade”. Por meio de nota, a Secultur diz que “vai levar essa pauta [de reformulação] para o Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC)”. A ideia, ainda segundo a pasta, será de promover uma “construção participativa, com a realização de chamada pública, além de encontros com artistas e demais interessados para receber sugestões”.

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De acordo com a lei municipal em vigor, o prêmio anual consiste na entrega aos vencedores, em solenidade pública, da quantia de R$ 5 mil, em favor e reconhecimento de cada um dos cinco melhores trabalhos selecionados nas áreas e suportes como fotografia, pintura, gravura, desenho, vídeo arte, performance, instalação, objeto e escultura.

Frustração

Prefeitura cancela prêmio de artes visuais
A iniciativa, sustentada por legislação municipal, visa incentivar os artistas da cidade. Crédito da foto: Assis Cavalcanti / Secom Sorocaba

Assim como o Prêmio de Literatura, que teve seu cancelamento noticiado pelo Mais Cruzeiro em 14 de outubro, a suspensão do prêmio Flávio Gagliardi frustrou as expectativas dos artistas sorocabanos, que reconhecem a iniciativa como um importante instrumento de estímulo e reconhecimento da produção das artes visuais. “É um retrocesso. Um pensamento que não faz sentido. Além de ajudar a registrar a história da arte contemporânea em Sorocaba, o prêmio é de extrema importância, não só como reconhecimento, mas como um combustível para que a coisa caminhe”, aponta o curador Allan Yzumizawa, responsável pela exposição “As coisas não aparentam ser o que são”, que reúne trabalhos de 13 artistas, que foi aberta ontem no Chalé Francês.

Além de registrar a história local das artes visuais, o prêmio mantém viva a memória do artista plástico, músico, professor e produtor cultural Flávio Gagliardi, falecido em 7 de junho de 1984, aos 64 anos. Além de ter se destacado como artista plástico, expondo em galerias do Brasil e do exterior, Gagliardi ficou conhecido no cenário cultural por ensinar pintura na sua famosa casa-ateliê, na região central, que sempre estava de portas abertas aos artistas. “Eu vejo o cancelamento do prêmio com tristeza e muito pesar. Era um prêmio que ativava a memória dele e das artes de Sorocaba”, comenta Ivete Moron Gagliardi. Casada com Alberto Gagliardi, sobrinho criado pelo artista, a professora aposentada vem se dedicando nos últimos anos a reorganizar e restaurar as obras deixadas por Flávio.

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