Cultura

Poemas da literatura negra chegam à internet

Material, que também inclui músicas, foi lançado em junho com o livro “Sobre revoltas de escravos e quilombos”
Poemas da literatura negra chegam à internet
O professor Ademir Barros fez a obra em parceria com o escritor português Nuno Rebocho – Foto: Divulgação

Composto por músicas e declamações de poemas inspirados na literatura negra, o CD que acompanha o livro “Sobre revoltas de escravos e quilombos”, do professor sorocabano Ademir Barros dos Santos, será disponibilizado a partir desta sexta-feira (30) na internet no site www.oquenosabala.com. A festa de lançamento do site ocorre a partir das 19h, no Clube Beneficente Cultural e Recreativo 28 de Setembro e contará com palco aberto, para participações dos artistas de Sorocaba e região. A entrada é gratuita. O 28 de Setembro fica na rua Machado de Assis, 112, Centro.

Escrito em parceria com o escritor português Nuno Rebocho, o livro “Sobre revoltas de escravos e quilombos” (editora AMC Guedes) foi lançado em junho deste ano, com intuito de irromper as vozes de narrativas dominantes que abordam os contingentes escravizados como “acomodados” em sua posição subalterna.

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Com 107 páginas, o livro é acompanhado por um CD que, agora, terá todas as suas faixas disponibilizadas para audição e download no site. O disco foi produzido por Ademir em parceria com os estúdios da Comunidade do Tambor e reúne poemas e músicas baseados na literatura negra que, na definição do poeta Éle Semog, é aquela que ou exalta a negritude ou denuncia o racismo. Intitulado “O que nos abala”, o álbum reúne poesias de Semog, de Ademir, que artisticamente assina como Ed Mulato, do moçambicano Morgado Mbalate e do historiador sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro. O disco conta, ainda, com músicas inéditas compostas e interpretadas por músicos sorocabanos como Cláudio Silva e Ananda Jacques.

Mestre em educação pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Ademir detalha que o projeto foi resultado de um estudo desenvolvido em parceria com Rebocho, no qual investigaram os primeiros e principais registros de revoltas de escravos, primeiramente em Cabo Verde — que abrigava o maior entreposto de escravos do século 16 — e nas Américas do Sul e Central, com os quilombos. “O mote do livro é desmanchar esse tipo de imagem [de passividade dos escravizados]. A resistência do povo negro sempre existiu”, disse.

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