Cultura

Piano e percussão se juntam no palco do Sesc Sorocaba

Sons de Sobrevivência une ritmos com os músicos Benjamin Taubkin, Simone Sou e Guilherme Kastrup
Piano e percussão se juntam no palco do Sesc
O trio, formado por Benjamin, Simone e Guilherme, surgiu em 2010 – Foto: Divulgação

“Um astronauta na caatinga” ou um “jegue na metrópole” são imagens que, nas palavras do pianista Benjamin Taubkin, revelam o olhar para o Brasil profundo — rico em ritmos e culturas tradicionais — sob a perspectiva urbana e contemporânea do Sons de Sobrevivência. O grupo se apresenta nesta quinta-feira (25), em Sorocaba, dentro do projeto Instrumental Sesc. Além de Taubkin, renomado pianista, compositor e arranjador que já tocou com lendas da música instrumental como Moacir Santos, Paulo Moura e Nenê, o grupo é formado pelos percussionistas Simone Sou e Guilherme Kastrup. Além de tocar percussão, Kastrup é produtor musical responsável pelos álbuns “A mulher do fim do mundo”, de Elza Soares, e “Amor e outras manias crônicas”, de Badi Assad, entre outros.

O Sons de Sobrevivência surgiu em 2010, quando o já instituído duo de percussionistas, SouKast, de Sou e Kastrup, convidou o pianista para uma participação especial. “Foi o prazer de tocar que nos uniu”, conta Taubkin, ao Mais Cruzeiro.

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Do encontro, coube ao talentoso pianista encaixar cadências harmônicas e linhas melódicas que estavam implícitas às bases percussivas pré-concebidas pelo duo, ora tocadas em tempo real com instrumentos acústicos, ora produzidas por meio de MPC, como é chamado o equipamento eletrônico que reproduz “samplings” ou amostras de timbres percussivos, de elementos variados como panelas e tampas, etc. “[Com Taubkin]. as paisagens, assim, ganharam uma amplitude ainda maior e mais iluminada”, diz Guilherme Kastrup.

O resultado desse encontro foi registrado no álbum “Sons de sobrevivência”, lançado em outubro de 2014 e disponível nas principais plataformas de música digital. Com sete faixas, o disco será a base para o show desta quinta, que marca o retorno de Simone ao Brasil e a retomada do trio a sua formação original. É que logo após o lançamento do disco, Simone se mudou para a Holanda e os concertos passaram a ser feitos com convidados como Pedro Ito e Mariá Portugal. “A gente tocará basicamente as músicas disco, mas nunca é igual porque na hora tem muita improvisação. A cada encontro a gente aprofunda o diálogo feito em conjunto”, detalha Taubkin.

Destaque

Destacado pela imprensa internacional, o disco foi selecionado pela revista eletrônica inglesa The Ear Hi-Fi Music Gear como um dos oito melhores CDs de 2015 de todo o mundo, dentre todos os estilos musicais. “É um álbum que reafirma e confirma a razão pela qual a música tem sido parte da experiência humana desde que o homo sapiens começou a bater pedras todas aquelas eras atrás. É a poesia tocada em vez de ser lida e uma força musical com propriedades maravilhosas e únicas. Em suma, é um álbum obrigatório”, justificou o crítico Reuben Klein.

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Além da formação inusitada, na qual o senso melódico dos percussionistas se alinham à pluralidade rítmica do piano de Taubkin, “Sons de sobrevivência” se destaca pela estética experimental contemporânea, que rompe os padrões pré-concebidos do jazz e da música instrumental brasileira. “É um olhar profundo sobre o Brasil. Estão lá os ritmos que inspiram profundamente a cultura brasileira. A música do nordeste, dos índios e afro-brasileira, só que de maneira original, que passa por outro caminho. É experimental e contemporâneo, mas o que nos inspira é a tradição”, conclui.

Serviço

Sons de Sobrevivência
Quinta-feira (25), às 20h
Sesc (rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade)
Ingressos (disponíveis até o fechamento desta edição) R$ 17 (inteira), R$ 8,50 (meia) e R$ 5 (credenciados do Sesc)

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