Cultura

Obras no Museu Nacional seguem até 2025

Reabertura parcial do espaço, destruído por um incêndio em setembro de 2018, está prevista para 2022
Obras no Museu Nacional seguem até 2025
Pelo cronograma, está previsto para este mês a conclusão do projeto da cobertura e fachada do bloco 1 do palácio. Crédito da foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

Mesmo com a previsão de reabrir parcialmente o Museu Nacional para as comemorações do bicentenário da independência do Brasil, em 2022, a reforma completa do palácio imperial Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, destruído por um incêndio no dia 2 de setembro de 2018, só deve ser concluída em 2025.

A previsão está no cronograma da nova estrutura de governança do museu, apresentado esta semana durante o seminário “Planejamento dos espaços de guarda de coleções em museus: sustentabilidade, conservação e segurança”, coordenado pelo Museu Nacional-UFRJ, com apoio do British Council e parceria com Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ).

Segundo a coordenadora do projeto Museu Nacional Vive, a arquiteta Lucia Bastos, a expectativa é entregar em 2022 toda a restauração das fachadas, da cobertura e dos jardins. “O projeto vai ser concluído em setembro de 2021, a gente inicia as obras internas em fevereiro e termina a fachada e cobertura do bloco 1 e dos outros blocos em julho. Nossa expectativa de entrega para o bicentenário, o que é tecnicamente viável, é terminar a restauração das fachadas de todos os blocos, a construção da nova cobertura, o jardim frontal e o jardim das princesas. Eu acho que isso já é uma grande entrega para o grande público, para os usuários da Quinta e para a comunidade”.

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Cronograma

Pelo cronograma, está previsto para este mês a conclusão do projeto da cobertura e fachada do bloco 1 do palácio e em abril começa a recuperação dos bens integrados do mesmo bloco. Em maio finaliza-se o resgate nos escombros do incêndio e começam a ser feitos os projetos de arquitetura, para em julho começarem as obras na fachada e na cobertura.

Para 2021, em janeiro começam as obras nas fachadas e cobertura dos blocos 2, 3 e 4, em março a área acadêmica será transferida para o novo Campus das Cavalariças, que já estão em obras. Em abril termina a reforma da biblioteca do horto, em julho começam as obras nos jardins do palácio e em setembro terminam de ser feitos os projetos de arquitetura.

Em fevereiro de 2022 começam as obras na parte interna do paço e no anexo, em março terminam as obras da fachada e cobertura do bloco 1, em maio começa a produção da museografia, em julho terminam as obras da fachada e cobertura nos blocos 2, 3 e 4 e em agosto serão finalizadas as obras dos jardins.

Para 2023 estão previstas as obras no interior do paço e no anexo, com término em 2024, quando também será iniciada a museografia e a montagem da exposição, a ser finalizada em maio de 2025. “A gente entende que esse trabalho tem que ser muito integrado, porque na concepção de um museu você trabalha com o tripé da arquitetura, a museografia e o conteúdo. Não dá para isso ser descolado, então a gente está junto no cronograma, está tudo amarrado. Esse é o grande desafio, a gente tem que caminhar todos abraçados”.

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Obras no Museu Nacional seguem até 2025
Em setembro do ano passado, as equipes de restauro apresentaram peças recuperadas do Museu Nacional. Crédito da foto: Tânia Rego / Agência Brasil

Até o momento, o Museu Nacional conseguiu levantar R$ 164 milhões, o que não é o suficiente para toda a recuperação. São R$ 56 milhões em emendas parlamentares, aplicados no Campus das Cavalariças; R$ 16 milhões disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC), indo R$ 11 milhões para as primeiras ações emergenciais e R$ 5 milhões para a Unesco auxiliar nos projetos da reconstrução; R$ 21,7 milhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), destinados à construção do prédio administrativo das Cavalariças e à reforma da biblioteca do horto; R$ 20 milhões prometidos pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para a reforma das fachadas e coberturas; e R$ 50 milhões em recursos não incentivados da Vale, sendo R$ 13,8 milhões para a Unesco fazer frente aos projetos técnicos complementares de museografia e arquitetura.

Acervo e coleções

Em sua apresentação no seminário, a vice-diretora do Museu Nacional, responsável pela parte dos acervos da instituição, explicou que a exposição tinha cinco mil peças e que 80% foi perdido no incêndio, 15% está preservado e 5% foram afetados. As coleções que tiveram mais perdas foram as de antropologia, etnografia, paleontologia, geologia, entomologia (insetos), aracnologia (aranhas) e malacologia (conchas), sendo que esta última está tendo uma recuperação razoável no resgate. Ela lembrou também da Biblioteca Francisca Keller de literatura antropológica, que ficava dentro do palácio e foi totalmente perdida.

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Do trabalho de resgate, Cristiana destaca objetos de cerâmica pré-colombiana, esculturas de bronze egípcias e o crânio da Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado na América do Sul. “Muito desse material está sendo recuperado e está sendo feito um plano museológico para essas exposições. O processo de resgate foi um grande desafio, tem todo o procedimento de escavação, peneiramento, documentação, limpeza e acondicionamento do material em contêineres. A gente já está na etapa final”.

A vice-diretora ressaltou que o trabalho de pesquisa no Museu Nacional não foi interrompido e a instituição conta com 87 professores, 210 profissionais de nível superior e médio e atende 500 estudantes de pós-graduação e iniciação científica. (Akemi Nitahara — Agência Brasil)

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