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O público por dentro do espetáculo

14 de Abril de 2021 às 00:01

O público por dentro do espetáculo “O Híbrido” teve locações na RMS, como este bosque de eucaliptos em Araçoiaba da Serra. Crédito da foto: Tiago Macambira / Divulgação

Diante da impossibilidade de contato social acarretada pela pandemia do coronavírus, as apresentações artísticas remotas tornaram-se a alternativa que resta aos produtores de arte. É aí que a realidade virtual apresenta-se como o instrumento capaz de “fazer desse limão uma limonada”, uma vez que permite uma aproximação das experiências artísticas presenciais e, de quebra, pode explorar diversas possibilidades sensoriais. É o que acontece com o espetáculo “O Híbrido”, que faz sua estreia virtual neste domingo (18).

O espetáculo idealizado pelo diretor Robson Catalunha mescla teatro, performance e cinema e foi todo filmado com câmeras que captam imagens em 360º. A obra será apresentada como uma websérie, em oito episódios diferentes, de aproximadamente cinco minutos de duração cada. “Até onde temos conhecimento, o trabalho é primeira experiência, no Brasil, que aproxima o teatro da realidade virtual”, explica Robson.

Por meio do celular ou de headset (óculos de realidade virtual), o público poderá experimentar a sensação de estar dentro da obra. As cenas foram gravadas em pontos turísticos e locações na Região Metropolitana de Sorocaba, como a Cachoeira da Chave, em Votorantim; a Estação Paula Souza, em Sorocaba; e um bosque de eucaliptos, em Araçoiaba da Serra.

Todas as partes ficarão em cartaz diariamente, entre os dias 18 e 25 de abril no site www.robsoncatalunha.com/ohibrido. Ao final da temporada, o material sairá do ar e não ficará mais disponível para acesso.

Evolução

O público por dentro do espetáculo A obra investiga um ser em constante transformação que borra as fronteiras entre espécies. Crédito da foto: Tiago Macambira / Divulgação

Com um toque de realismo fantástico, o espetáculo é um convite à reflexão sobre a natureza humana, incluindo maneiras de ser, pensar, sentir ou agir, que os seres humanos tendem a ter, a partir da influência do contexto sociocultural.

Apesar de a estreia ocorrer apenas no domingo, “O Híbrido” é uma pesquisa em constante transformação e que já vem acompanhando o artista há algum tempo. Criado inicialmente como uma performance inspirada no trabalho “Treebeards”, do artista francês Cal Redback, que misturava feições humanas com plantas, o trabalho surgiu em uma residência no The Wattermill Center, em Nova York, e já foi apresentado presencialmente na África, na Croácia e adaptado para o vídeo, em setembro de 2020, para o Festival Arte como Respiro, do Itaú Cultural. Apesar de partir da mesma origem, a proposta para a nova apresentação é totalmente inédita.

Além do espetáculo, o projeto ainda contou com o workshop Corpos Híbridos, voltado para artistas, estudantes e pesquisadores da Região Metropolitana de Sorocaba. O objetivo dos encontros era discutir inovações de formatos que permitissem a produção cultural durante o período de isolamento.

“O Híbrido” foi contemplado no edital Proac Expresso Lei Aldir Blanc nº 36/2020, promovido pelo Ministério do Turismo - Secretaria Especial da Cultura, Governo do Estado de São Paulo (por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa). (Da Redação)