Cultura

Novo presidente quer fortalecer atuação do Conselho de Cultura

Rodrigo Cintra aposta em “diálogo aberto” e avaliação prévias das propostas da área
Novo presidente quer fortalecer atuação do Conselho de Cultura
Representante da sociedade civil no CMPC, Rodrigo Cintra é ator e fundador da companhia teatral Barracão da Vó. Crédito da foto: Divulgação

Ator com 20 anos de carreira e fundador da companhia teatral Barracão da Vó, o sorocabano Rodrigo Cintra foi nomeado, na semana passada, para o cargo de presidente do Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC), instância colegiada permanente vinculada à Secretaria da Cultura (Secult).

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À frente do órgão de caráter consultivo e deliberativo, que tem como finalidade propor e aprovar ações e políticas públicas para a cultura, bem como fiscalizar a aplicação dos recursos e acompanhar a execução das diretrizes do Plano Municipal de Cultura, Cintra reconhece os desafios do novo posto — desempenhado de maneira voluntária, assim como os demais conselheiros — e demonstra entusiasmo para encará-los aliando o otimismo da vontade com o pessimismo da razão.

Cruzeiro do Sul – Como você recebeu a indicação do Secretário de Cultura, Werinton Kermes, para assumir a presidência do CMPC?

Rodrigo Cintra – Na verdade, fui indicado pelos conselheiros depois que Werinton anunciou que deixaria a presidência para que algum conselheiro assumisse a função, com a proposta do conselho ter mais liberdade de atuação. Ele perguntou se algum conselheiro gostaria de assumir a presidência, porém, ninguém se colocou à disposição. Então, ele solicitou que os conselheiros indicassem outros que deveriam assumir essa função e aí então fui indicado.

C.S. – E, em cima disso, de que forma você espera que o CMPC seja tratado pela administração municipal?

R.C. – Eu só aceitei assumir a presidência, depois de indicado pelos conselheiros, porque o Werinton, logo após eu ser indicado, fez um discurso para esclarecer que quer manter as relações entre a Secult e o conselho sempre atualizadas com reuniões mensais, de duas a três horas, com o presidente e a mesa coordenadora para que possamos manter o diálogo aberto, atualizando-o das demandas do CMPC. E prometeu que vai passar pelo conselho as pautas da Secult para que o colegiado possa dar sua opinião para contribuir de forma efetiva na cultura da cidade. Então, esperamos que essa promessa se cumpra e realmente possamos estabelecer um diálogo aberto entre o CMPC e o secretário, para que o mesmo consiga realizar as nossas solicitações.

C.S. – Cabe ao presidente, junto com os demais integrantes da mesa coordenadora, elaborar as pautas das reuniões. Que temas serão prioritários em sua gestão a curto prazo (ainda neste ano), a médio prazo (até 2020) e a longo (que pretende deixar encaminhado para os próximos anos)?

R.C. – Gostaria de realçar que qualquer conselheiro titular ou suplente pode sugerir pauta para a ordem do dia, conforme regimento interno. As pautas previstas a curto prazo são deliberar sobre um novo regimento interno, principalmente, sobre as questões que tratam das sessões ordinárias, para que consigamos de fato ter um regimento que favoreça o CMPC a dar prosseguimento nas futuras deliberações, facilitando e permitindo avançar nas pautas. Além disso, deliberar sobre as propostas apresentadas pelas câmaras temáticas e seus grupos de trabalho, artistas e sociedade civil organizada sobre os editais do prêmio de artes plásticas Flávio Gagliardi e de literatura; regulamentar o Fundo Municipal de Cultura; ampliar a capacidade de captação de verbas para o fundo de cultura; fazer cumprir todas a leis municipais existentes que se referem aos segmentos artísticos culturais e fiscalizar se o Plano Municipal de Cultura está sendo atendido.

A médio prazo, isto é, até 2020, a meta é propor projetos de lei que atendam aos segmentos artísticos que ainda não são contemplados por leis municipais; realizar estudos e buscar parcerias para solicitar a criação de um novo teatro do mesmo porte ou similar ao Teatro Municipal Teotônio Vilela, no que se refere às qualidades técnicas e estrutura e que seja localizado na região central de Sorocaba, para conseguir atender à demanda de todos grupos, academias, escolas de artes e artistas de Sorocaba; solicitar e tentar cumprir as reformas necessárias em todos os espaços públicos já existentes e que atualmente recebem apresentações artísticas para melhorar suas condições físicas e estruturais, por exemplo, a lona circense de apresentações da Biblioteca Infantil Municipal; e ainda criar editais próprios de ações, fomento e incentivos culturais através do fundo municipal de cultura.

Já a longo prazo, que pretendemos deixar encaminhado para os próximos anos, acredito que muitas dessas questões deverão ser realizadas de forma democrática, por meio de debates, revisão daquilo que foi realizado e o que ainda precisa ser feito, questões que serão trazidas ao longo dos anos até 2020, através dos conselheiros, das câmaras temáticas, sociedade civil organizada e artistas. Mas já temos em vista a revisão do Plano Municipal de Cultura (PMC), realizando grupos de trabalho que estudem e pesquisem possíveis melhoras na sua proposta atual, para que realmente consiga ser cumprido e, principalmente, atenda às demandas dos artistas e sociedade, e apresentar propostas para políticas públicas de cultura que sejam cumpridas ao longo dos anos independente das mudanças das gestões.

C.S. – Nos últimos meses, o conselho tem sofrido dificuldade para deliberar matérias em virtude da falta de quórum — especialmente por parte da sociedade civil. O que sua gestão pretende fazer para diminuir isso e ter efetividade na discussão e formulação de políticas públicas para a cultura?

R.C. – Realmente, a falta de quórum é atualmente o grande problema das reuniões, mas não da sociedade civil, e sim do poder público que tem comparecido em pequeno número, Porém, pela primeira vez nesse novo conselho, na última reunião ordinária essa situação se inverteu, tendo mais representantes do poder público do que da sociedade civil, o que nos animou para que nas próximas reuniões possamos contar com a presença dos mesmos. Na ocasião já aproveitei e ressaltei a necessidade e a importância da presença dos mesmos, que se comprometeram a se fazer presentes. Outra ação que realizaremos para resolver essa questão é a votação do novo regimento para desburocratizar algumas questões para a realização das sessões, baseado, inclusive, no regimento de outros conselhos que funcionam de forma mais eficiente.

C.S. – Lembrando que você foi eleito pela sociedade civil, qual será a postura da sua presidência no Conselho: mais de oposição, de diálogo, de parceria?

R.C. – Minha posição à frente da presidência do conselho é primar pelo diálogo e parceria com a Secult, para que nossas demandas sejam realmente atendidas. O próprio secretário deixou claro no dia que fui eleito que precisa e quer ser questionado e cobrado para que consiga fazer o melhor para a cultura de Sorocaba, e que não espera que eu seja “bonzinho” com ele. Mas sempre mantendo o respeito e entendendo que somos artistas e queremos o melhor para a arte e a cultura. Então o diálogo e a parceria se fazem fundamentais para que juntos o CMPC e a Secult consigam conquistar o melhor para o cenário artístico-cultural sorocabano.

C.S. – A atual gestão da Secult acaba de completar dois anos. Qual a avaliação você faz deste período e quais pontos você acredita que o CMPC pode contribuir?

R.C. – Acredito que o conselho pode contribuir de forma efetiva para o cenário artístico-cultural de Sorocaba em praticamente todos os pontos, principalmente por termos, nessa atual gestão, artistas muito experientes em suas áreas artísticas, com vivências e práticas, que conhecem de verdade o dia a dia do fazer artístico, suas dificuldades e necessidades. E conseguimos avançar pela primeira vez na questão da criação das câmaras temáticas, que facilita e otimiza os estudos em cada área de forma setorizada, prevendo, inclusive, a criação de GTs para temas e questões específicas, onde os artistas podem fazer parte e contribuir de forma direta com os conselheiros representantes e coordenadores de cada câmara. A minha avaliação sobre esses dois anos é que muitas questões não passaram antes pelo CMPC para serem avaliadas, o que causou conflitos e questionamentos. Porém, o secretário já se posicionou sobre isso dizendo que algumas questões também nem passaram antes por ele, e que promete a partir dessa nova gestão do conselho, dizendo confiar muito e ser otimista, fazer passar antes pelo mesmo para que possamos colaborar de forma a contribuir de verdade nas ações culturais que melhor atendam aos artistas de Sorocaba. (Felipe Shikama)

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