'Mostra de Dramaturgia Experimental' estreia em Sorocaba
Evento gratuito apresenta textos inéditos de autoras da cidade em leituras dramáticas, escrita coletiva e áudio-dramaturgia
Acidade recebe no sábado (7) e no domingo (8) a primeira edição da Mostra de Dramaturgia Experimental de Sorocaba, no Nauta Estúdio. Com entrada gratuita e recorte temático feminino, o evento apresenta cinco trabalhos inéditos criados por escritoras e dramaturgas da cidade e lidos em cena por atrizes e atores convidados.
Idealizada pelo diretor artístico Robson Catalunha, com produção de Bruna Moscatelli, a mostra propõe a dramaturgia como um campo aberto de investigação. "A Mostra de Dramaturgia de Sorocaba nasce como um laboratório, e não como uma vitrine de obras prontas. Me interessa criar um espaço em que a escrita possa ser experimentada, testada, se transformar e encontrar a cena", afirma Robson.
Da pesquisa ao palco
Contemplado por edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o projeto foi construído em três etapas. A primeira reuniu encontros de pesquisa e formação com artistas e pesquisadoras de diferentes áreas. Depois, as autoras escreveram textos curtos em formatos variados, como prosa, poesia, slam, cartas, depoimentos e escrita performativa. Por fim, atrizes foram convidadas a fazer leituras dramáticas das criações, somando suas próprias experiências ao processo.
"Prosa, poesia, slam, escrita performativa, textos híbridos: não quero definir previamente onde começa ou termina a dramaturgia. Quero justamente descobrir o que pode acontecer quando uma linguagem encontra um corpo, uma voz e um espaço", diz Robson.
Curadora e produtora executiva, Bruna Moscatelli explica que a proposta vai além de reunir textos escritos por mulheres. "Não estamos propondo uma mostra sobre a 'mulher' e muito menos tentando encontrar uma suposta essência feminina. O que nos interessa é tensionar esse campo: perceber o que pode ser considerado feminino, quem pode ocupar esse lugar, quais imagens são produzidas a partir dele e quais outras formas de existência conseguem aparecer quando ampliamos essa perspectiva."
Programação
No sábado, as atividades começam às 16h, com recepção ao público e acolhimento para pessoas com deficiência. Às 17h, Joessica Borges lê "O não-lugar não existe", de Maria Teresa Ferreira, e às 18h Gui Miralha apresenta "Aquele que não é digno de ser nomeado pai", de Uma Reis Sorrequia. Uma roda de conversa com o público acontece às 18h45.
No domingo, a abertura é às 15h. Às 16h, Janaína Silva lê "Desmetamorfose - em 12 pequenos atos", de Débora Mestre. Às 17h, Thay Oliveira, Ana Cris, Rebeca Oliveira, Zefero e Skynav apresentam "Travessia", texto escrito e lido pelo grupo. Às 18h, Débora Brenga apresenta "De ossos, palavras e memória", uma experiência de áudio-dramaturgia. A noite também termina com roda de conversa, às 18h45.
Os textos produzidos durante o projeto serão reunidos em uma publicação digital, para que as dramaturgias continuem circulando depois da mostra.
O Nauta Estúdio fica na rua Luísa Mas, 250, Jardim Leocádia.