Bibliotecas continuam vivas na era das telas

Livros, vinil, eventos e convivência reinventam os espaços de leitura de Sorocaba na era digital

Por Gabrielle Camargo Pustiglione

Além de leitura, espaço da Biblioteca Municipal oferece ações culturais como a mostra "Sorocaba, Primeiros Tempos"

Em tempos de respostas instantâneas, livros digitais e redes sociais, as bibliotecas continuam cumprindo uma função que vai muito além de guardar livros. Em Sorocaba, as Bibliotecas Municipais mostram que o conhecimento pode acompanhar as transformações tecnológicas sem abandonar o espaço físico, a convivência e o contato direto com a cultura.

A Biblioteca Municipal "Jorge Guilherme Senger" possui um acervo de 42 mil volumes, entre livros, audiolivros, histórias em quadrinhos e obras em Braille. Já a Biblioteca Infantil Municipal "Renato Sêneca de Sá Fleury" disponibiliza cerca de 20 mil livros.

O interesse pela leitura permanece vivo: são cerca de 1.500 empréstimos mensais na Biblioteca Municipal e 380 na Infantil. Para se associar, é preciso apresentar documento de identidade com foto e comprovante de residência; menores de 14 anos (Municipal) ou 16 anos (Infantil) devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. Na Municipal, o empréstimo é de até três livros por 15 dias, com renovação — 20 dias para idosos e pessoas com deficiência. Na Infantil, o prazo é de 10 dias, renovável por mais 10.

Um dado interessante é que, há cerca de 20 anos, as bibliotecas recebem doações de discos de vinil dos munícipes. O acervo, iniciado na Biblioteca Infantil, cresceu tanto que foi transferido para a Biblioteca Municipal, onde hoje integra a Fonoteca — espaço de preservação sonora com cerca de 23 mil discos, consultáveis pelo portal on-line das bibliotecas (https://sorocaba.bnweb.org/bnportal/pt-BR/).

Muito além dos livros

As Bibliotecas Municipais oferecem gratuitamente uma programação mensal com exposições, contação de histórias, oficinas culturais e de artesanato, exibição de filmes e espaços de estudo e trabalho.

Na última sexta-feira de cada mês, o auditório da Biblioteca "Jorge Guilherme Senger" — com capacidade para 100 pessoas — vira sala de cinema, democratizando o acesso a essa experiência. Já passaram pela programação títulos como "Meu Pé de Laranja Lima", "A Viagem de Chihiro" e "Coraline e o Mundo Secreto".

Desde 2024, as exposições "Sorocaba: Primeiros Tempos", de Santiago Ribeiro, e "Miniaturas", de Ademir Vendrami, trazem maquetes em papelão reciclado de prédios históricos da cidade, como a prefeitura, o Palacete Scarpa e o Mercado Municipal — uma homenagem que aproxima o público da memória local.

Quando a biblioteca encontrou a internet

A pandemia de Covid-19 acelerou a relação entre biblioteca e tecnologia: com a queda dos empréstimos e o crescimento das redes sociais, surgiram comunidades literárias on-line, e as bibliotecas físicas precisaram se adaptar.

No pós-pandemia, porém, as unidades ganharam um novo papel: passaram a ser procuradas também para home office, tornando-se ponto de encontro e integração social. A internet não substituiu a biblioteca — ampliou suas possibilidades, somando ao acesso aos livros a busca por um lugar para aprender, trabalhar, criar e conviver.