Fotógrafo transforma cenas em narrativas visuais

Com mais de 30 anos de carreira, Rey aposta em enquadramentos autorais para registrar diferentes perspectivas do cotidiano

Por Camila Santos

Reinaldo Santos fez da fotografia a sua arte de contar o mundo sem precisar de palavras

Desde criança, o olhar de Reinaldo Santos, mais conhecido como Rey, já buscava formas de enxergar o mundo pela arte. Antes mesmo de descobrir a fotografia, ele desenhava personagens de histórias em quadrinhos nas paredes do quarto e chegou a atuar como desenhista de projetos arquitetônicos e mecânicos. O traço, porém, deu lugar às lentes, que se tornaram sua principal ferramenta de expressão.

A aproximação com o universo audiovisual ocorreu ainda na juventude, quando adquiriu uma filmadora após vender a motocicleta que possuía. No início, registrava vídeos de amigos, animais de estimação e paisagens, sem imaginar que aquele hobby abriria portas para uma carreira consolidada.

"Percebi que as pessoas me procuravam porque gostavam do meu enquadramento e dos meus ângulos diferenciados. Foi aí que entendi que minha fotografia era diferente. Sempre digo: não sou o melhor, mas sou diferente", conta.

Com o dinheiro obtido pelos primeiros trabalhos, Rey comprou sua primeira câmera fotográfica aos 19 anos. Poucos anos depois, já integrava uma produtora de vídeos profissionais, onde passou a registrar artistas e convidados que frequentavam o estúdio. A experiência abriu caminho para trabalhos em produtoras, emissoras de televisão e empresas, conciliando fotografia e vídeo.

Ao longo de mais de três décadas de carreira, fotografou ensaios, arquitetura, gastronomia, eventos, cavalos e produções audiovisuais. Também participou de apresentações e projetos em países como Portugal, Alemanha, Espanha e Argentina.

Em seu currículo estão trabalhos ao lado de nomes conhecidos da música e da televisão brasileira, entre eles Sérgio Reis, Sandy & Junior, Richard Rasmussen, Fafá de Belém e Paulo Betti.

Apesar da experiência acumulada, Rey afirma que nunca quis se prender a um único segmento da fotografia.

"Eu gosto de explorar qualquer área e me desafiar. Faço qualquer tipo de fotografia dentro da minha capacidade técnica e dos equipamentos que tenho."

Mais do que um registro

Para o fotógrafo, uma imagem precisa comunicar por si só. Mais do que registrar um momento, ela deve provocar uma reação em quem a observa.

"Procuro mostrar um sentimento. Quando a pessoa olha para a fotografia, ela precisa entender o recado sem que ninguém explique."

Essa preocupação também aparece na busca constante por enquadramentos diferentes. Segundo ele, cada clique deve oferecer uma perspectiva que desperte a curiosidade do espectador.

"Sempre procuro um ângulo que outro fotógrafo talvez não faria. Quero que a pessoa olhe e pense: 'Nossa, isso ficou mais bonito ou diferente da realidade'."

Fotografia na era digital

Em um tempo em que celulares permitem registrar milhares de imagens em poucos minutos, Rey acredita que a facilidade da tecnologia também trouxe um desafio para a profissão.

"Hoje é muito fácil fazer uma foto. Errou, apaga e faz outra. Mas falta sentimento. Muita gente sai clicando qualquer coisa, sem contar uma história."

Para ele, a essência da fotografia continua sendo a capacidade de preservar emoções e memórias.

"Uma boa fotografia permanece. Ela faz a pessoa lembrar daquele momento muitos anos depois."

Hoje, Rey dedica a maior parte do tempo à fotografia, atuando em produtoras e integrando a equipe do Cruzeiro do Sul. Em cada trabalho, mantém o mesmo cuidado que marcou sua trajetória. Mesmo em coberturas jornalísticas do dia a dia, leva diferentes lentes, flash e rebatedor para garantir o melhor resultado.

"A técnica é importante, mas ela precisa estar a serviço do olhar. É isso que faz uma fotografia deixar de ser apenas uma imagem para se tornar uma história."