Estudantes lançam livro de poemas em Piedade
Coletânea reúne textos de 23 estudantes e incentiva o protagonismo juvenil
Os estudantes do 8º ano da Escola PEI Prof. Carlos Augusto de Camargo, em Piedade, estão prestes a viver uma experiência que poucos têm durante a vida escolar: autografar o próprio livro. Nesta quinta-feira (2), eles participam da culminância do projeto que resultou na publicação de uma coletânea poética organizada pelo escritor e professor Fabiano Campachi.
A obra, que teve todos os exemplares esgotados, reúne poemas produzidos por 23 alunos ao longo do primeiro semestre de 2026, durante a disciplina Eletiva. Além dos textos, o livro traz uma minibiografia de cada autor, valorizando suas trajetórias e dando identidade aos jovens escritores. Segundo Campachi, a equipe busca novos apoiadores culturais para viabilizar uma segunda tiragem da publicação.
Ele informa que a ideia nasceu de uma das premissas do Programa de Ensino Integral (PEI): estimular o protagonismo juvenil e incentivar os estudantes a desenvolverem seus projetos de vida. A proposta encontrou na poesia uma forma de unir expressão artística, criatividade e desenvolvimento da escrita.
"A poesia está presente em todas as dimensões da experiência humana. Ela fala dos sonhos, dos desafios, das conquistas e das expectativas. Ao escrever poemas, os alunos desenvolveram habilidades de leitura e escrita, mas, sobretudo, encontraram uma maneira de dar voz aos próprios sentimentos e às suas visões de mundo", afirma o professor.
Ao longo do semestre, os estudantes tiveram contato com diferentes autores, estilos e técnicas poéticas. Produziram haicais, exploraram a poesia visual, trabalharam com linguagem figurada e participaram de um processo de leitura, revisão e reescrita dos próprios textos.
A seleção dos poemas também contou com a participação dos alunos, que escolheram as produções que melhor representavam suas vivências e seu percurso durante a disciplina. Embora nem todos os textos tenham sido publicados por limitações editoriais, a coletânea reúne uma amostra significativa da produção literária da turma.
Para Campachi, o principal ganho foi fazer com que os estudantes deixassem de se enxergar apenas como leitores e passassem a ocupar também o lugar de autores. "Historicamente, a escola forma leitores, o que é fundamental. Mas projetos como esse mostram aos jovens que eles também podem produzir literatura. Quando um aluno percebe que sua voz pode alcançar outras pessoas por meio da escrita, ele compreende, na prática, o significado do protagonismo juvenil", destaca.
Além do desenvolvimento da escrita, o professor observou mudanças na autoestima e no senso de pertencimento dos participantes. Segundo ele, muitos passaram a acreditar que suas ideias e sentimentos merecem ser registrados, compartilhados e valorizados.
A expectativa é que o livro ultrapasse os muros da escola e ajude a desconstruir estereótipos sobre a educação pública. "Espero que essa coletânea mostre o potencial criativo, intelectual e artístico dos estudantes da escola pública. Muitas vezes esses jovens são vistos apenas por indicadores educacionais, mas a literatura revela suas histórias, emoções e capacidade de criar arte", diz.
Entre os autores está a estudante Ana Lívia da Silva Pereira, que, de acordo com o professor, já desenvolve projetos próprios de escrita e demonstra interesse em continuar produzindo e publicando textos.
Participam da coletânea Állan Rodrigues Bela Barbosa, Alice Vitória da Silva Matheus, Ana Clara Gomes dos Santos, Ana Julia Pires da Silva Oliveira, Ana Laura Prestes, Ana Lívia da Silva Pereira, Ana Lívia Muller, Dackson Orsi Ciryno Pontes, Enzo Takashi Fuzita da Silva, Gabrielly Ribeiro Schincaglia Lima, Giovana Alexandre Barbosa, Henrique Alessandro Pires Lemes, Isabella Ayume Uemura, João Paulo Gregório Guedes da Silva, Karoliny Vitória Ramalho Rocha, Ketllyn Santos Silva, Lara Gabriele Souza de Moraes, Maria Clara de Almeida Soares, Micaele Vitória Silva Rocha, Naiad Vitória Queiroz da Silva, Pablo Roberto Duarte Paes, Vitor de Souza Cardoso e Wendel Cristhopher Alves de Oliveira.
O lançamento será marcado por uma sessão de autógrafos dos estudantes, que ocorre nesta quinta-feira (2), às 9h, encerrando um projeto que buscou transformar a sala de aula em um espaço de criação literária e mostrar que a escola pública também é um ambiente de produção cultural.