PNAB impulsiona a cultura em Sorocaba
Camila Santos
A implementação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) tem representado uma importante ferramenta de fortalecimento do setor cultural em todo o país. Em Sorocaba e região, artistas, produtores e coletivos culturais veem no programa uma oportunidade de ampliar ações, garantir continuidade de projetos e democratizar o acesso à cultura.
Para o artista, pesquisador e produtor cultural Rodrigo Fonseca, conhecido como Cataia, os investimentos públicos destinados à cultura desempenham um papel histórico no desenvolvimento artístico da sociedade. “Os grandes movimentos culturais da humanidade aconteceram porque houve incentivo. Basta lembrar o Renascimento, quando artistas receberam apoio de nobres e instituições para criar obras que atravessaram gerações. Hoje, a PNAB cumpre uma função semelhante ao possibilitar que artistas e produtores desenvolvam seus trabalhos com mais dignidade, estrutura e continuidade”, afirma.
Com mais de três décadas de atuação na área cultural, Rodrigo Cataia é fundador e diretor do coletivo Cataia, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (Uniso), doutorando na mesma área e especialista em Gestão Cultural pelo Senac. Ao longo da trajetória, foi contemplado por diversos programas de fomento, como ProAC, Lei Paulo Gustavo e PNAB.
Segundo ele, a região de Sorocaba possui uma intensa produção artística, mas ainda enfrenta desafios relacionados à escassez de investimentos permanentes. “Existe uma potência criativa enorme no território. Temos artistas, produtores, coletivos e iniciativas independentes realizando trabalhos relevantes em diferentes linguagens. O que muitas vezes falta é apoio contínuo para que essas ações consigam crescer, circular e alcançar mais pessoas”, observa.
Investimento que gera retorno
Além da dimensão cultural, o artista ressalta o impacto econômico gerado pelo setor. Para ele, investir em cultura significa também fomentar desenvolvimento, emprego e renda. “A cultura movimenta a economia. Ela gera trabalho para artistas, técnicos, produtores, designers, comunicadores, educadores e diversos outros profissionais. Estudos apontam que cada real investido em cultura pode retornar múltiplas vezes para a economia. Mas existe algo que vai além dos números: o impacto humano promovido pela arte”, destaca.
Entre os benefícios citados pelo pesquisador estão a promoção do pertencimento, a preservação da memória coletiva, a ampliação do acesso ao lazer e o fortalecimento da identidade cultural das comunidades. Para ele, um dos aspectos mais relevantes da PNAB é a possibilidade de apoiar segmentos que tradicionalmente encontram dificuldades para acessar recursos por meio da iniciativa privada. “Muitas manifestações culturais não estão associadas aos interesses comerciais do mercado. Por isso, acabam tendo menos oportunidades de financiamento. O fomento público é fundamental para equilibrar essa desigualdade e permitir que diferentes expressões culturais consigam existir, produzir e chegar ao público”, explica.
A expectativa é que os projetos contemplados contribuam para ampliar a oferta cultural na região, com a realização de shows, espetáculos teatrais, oficinas, exposições, publicações de livros, produções audiovisuais e diversas atividades formativas.
Desafios ainda persistem
Apesar dos avanços, o produtor cultural avalia que o setor ainda necessita de investimentos mais robustos para atender à demanda existente. “O recurso disponível ainda é pequeno diante da dimensão e das necessidades do setor. Muitos trabalhadores da cultura ficam de fora dos editais mesmo apresentando projetos de qualidade. Em alguns processos seletivos, a concorrência ultrapassa centenas de inscritos para poucas vagas”, aponta.
Para ele, o fortalecimento das políticas culturais passa pela ampliação dos recursos disponíveis e pelo engajamento das administrações municipais. “É fundamental criar novas formas de incentivo e ampliar o apoio à produção cultural local. A cultura não deve ser vista como gasto, mas como investimento social, econômico e humano. Ela gera desenvolvimento, pertencimento e qualidade de vida para toda a população”, conclui.
Rodrigo Fonseca atua há mais de 30 anos na área cultural. Seu trabalho é voltado principalmente à pesquisa, valorização e difusão das culturas populares brasileiras, com destaque para o patrimônio cultural caiçara.