‘Onã’ coloca arte negra no centro da cena cultural de Sorocaba

Mostra inédita reúne obras comissionadas, performances e instalações no MACS

Por Cruzeiro do Sul

Obra de Diego Dedablio faz parte da exposição coletiva que propõe reencontro com a ancestralidade

A ancestralidade, a memória e a arte contemporânea negra ocupam o Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) a partir de amanhã(28), às 19h, com a abertura da exposição “Onã”, primeira mostra de artes visuais negras da cidade. Gratuita, a iniciativa reúne artistas de Sorocaba, São Paulo e Tatuí em uma ocupação artística marcada pela diversidade de linguagens e pela valorização das narrativas afro-diaspóricas.

De acordo com a organização, a exposição coletiva propõe um percurso de reencontro com a ancestralidade e de afirmação cultural. O nome da mostra vem do iorubá e significa “caminho”, conceito que orienta a curadoria ao conectar diferentes trajetórias negras dentro da arte contemporânea regional.

Para a produtora cultural da mostra, Magda Barbosa, o projeto surge como um movimento de fortalecimento da identidade negra dentro do circuito artístico local. “A “Onã” vem como um processo de reafirmação de identidade. A gente busca proporcionar encontros da história, da estética, das cores, das formas e do jeito de ser e estar do corpo negro, do século 18 até a contemporaneidade”, afirma.

A produtora destaca que a proposta busca ampliar a presença da arte negra em espaços tradicionalmente ligados às artes visuais. “Quando pensamos a arte no interior de São Paulo e em Sorocaba, estamos falando de expressões potentes, robustas, que têm mecanismos próprios de existir. A exposição fortalece essas conexões e cria novas redes entre artistas, território e público”, completa.

Com produção cultural de Magda Barbosa, orientação de Wellington Ataíde e expografia assinada por Ana Antunes, a exposição reúne obras inéditas e comissionadas especialmente para o projeto. Das dez obras apresentadas, nove foram criadas exclusivamente para a mostra, reforçando o caráter experimental da iniciativa.

A narrativa visual da exposição reúne diferentes segmentos artísticos. Participam os artistas plásticos Ghum e Diego Dedablio, além da vídeo-performance de Daia Moura e da performance de Manu Neto. A fotografia dialoga com a pintura nas foto-pinturas de Vine Ferreira, enquanto Cíntia Delgado apresenta uma obra linguística ligada à memória do Quilombo Caxambu.

As instalações assinadas por Jhonatan Cardim e Vicente Alves ampliam a experiência sensorial da mostra, enquanto o compositor Carlo Rappaz contribui com um manifesto sonoro que atravessa a proposta curatorial. A programação inclui ainda uma intervenção urbana em formato lambe-lambe, expandindo a ocupação artística para além das paredes do museu.

Inspirada em símbolos ancestrais como a Sankofa — adinkra da mitologia akan que remete à importância de retornar ao passado para construir o futuro —, “Onã” questiona padrões tradicionais do circuito artístico e propõe uma estética centrada na cosmovisão negra.

A exposição é realizada em parceria com o Macs e conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. A visitação poderá ser feita de 29 de maio a 28 de julho, de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h.

O Macs fica na Avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280, no Centro de Sorocaba. Outras informações podem ser obtidas pelo Instagram @projetos.lamparina. (Camila Santos)

SERVIÇO

Exposição “Onã”

Quando: 29 de maio a 28 de julho

Onde: Macs - avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280, Centro, Sorocaba

Horário: terça a sexta-feira, das 10h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h

Entrada: gratuita Mais: @projetos.lamparina