Mostra do Museu da Imigração é finalista de prêmio na China
Instituição paulista é a única representante brasileira entre os 38 finalistas anunciados pela NCHA
A mostra temporária “Seda que une montanhas e mares da China ao Brasil”, realizada pelo Museu da Imigração entre outubro de 2025 e março de 2026, foi selecionada como finalista do 23º Prêmio Nacional de Museus da China, o mais relevante reconhecimento do setor museológico do país asiático. A instituição paulista é a única representante brasileira entre os 38 finalistas anunciados pela Administração Nacional do Patrimônio Cultural da China (NCHA). O resultado final será divulgado na segunda-feira, 18 de maio, durante o Dia Internacional dos Museus.
A exposição concorre na categoria “exposições de saída”, voltada a mostras de museus chineses apresentadas no exterior. Nessa modalidade, divide espaço com instituições da França, Rússia, Quênia, Cazaquistão e Egito, em uma disputa que reforça o caráter internacional do prêmio.
A mostra “Seda que une montanhas e mares” foi inaugurada em 24 de outubro de 2025 e resultou de uma parceria inédita entre o Museu da Imigração e o Museu Nacional da Seda da China, sediado em Hangzhou, referência mundial na preservação e pesquisa sobre a seda. Ao longo de sua temporada, o público pôde conhecer mais de 100 peças, entre artefatos, vestimentas, objetos arqueológicos e itens históricos. A narrativa da mostra foi organizada em três eixos — A Origem da Seda, As Rotas da Seda e A Beleza da Seda —, articulando informações sobre a produção milenar da seda e o intercâmbio cultural entre China e Brasil.
Formato
O percurso expositivo reconstituiu rotas marítimas históricas que aproximaram os dois países ao longo dos séculos, evidenciando influências artísticas, econômicas e culturais desse movimento. Em sua abertura, Alessandra Almeida, diretora-executiva do Museu da Imigração, destacou que a parceria representou “um capítulo significativo na construção de novos diálogos culturais”, reforçando o papel do museu como espaço dedicado à memória e às conexões contemporâneas.
Criado para valorizar a excelência museológica, o Prêmio Nacional de Museus da China avalia aspectos como relevância temática, qualidade curatorial, design expográfico, execução logística e impacto social. Em 2025, 150 candidaturas foram analisadas por uma comissão especializada, que selecionou 38 finalistas distribuídos em três categorias: exposições nacionais, exposições recebidas na China e exposições realizadas no exterior.
O reconhecimento coloca o Museu da Imigração em uma posição de destaque no cenário internacional, ressaltando a capacidade das instituições brasileiras de dialogar com a produção cultural global e de firmar cooperações estratégicas com museus de referência.
Intercâmbio cultural
A relação cultural entre Brasil e China tem se intensificado nas últimas décadas, impulsionada por acordos bilaterais que vão além do eixo econômico e avançam para cooperações museológicas, acadêmicas e patrimoniais. Nesse contexto, iniciativas como a mostra realizada pelo Museu da Imigração reforçam a construção de uma ponte simbólica e diplomática entre as duas nações, ampliando o alcance da produção cultural e fortalecendo a presença brasileira em circuitos expositivos internacionais ligados ao patrimônio chinês. (Da Redação)