Cerquilho valoriza tradição popular com o 2º Cururu na Praça
Evento reforça a expressão cultural do interior paulista, marcada por versos improvisados e som de viola caipira.
A cidade de Cerquilho realiza no dia 8 de novembro de 2025 o 2º Cururu na Praça, também conhecido como Desafio de Cururu na Praça. A atividade dá continuidade a uma iniciativa que busca manter viva uma das mais antigas manifestações folclóricas do interior paulista, tradicional na região do Médio Tietê.
O cururu é uma expressão oral e musical de origem ameríndia e portuguesa, na qual violeiros se alternam em versos improvisados que tratam de temas religiosos ou do dia a dia. A apresentação costuma ocorrer em roda, acompanhada pela viola caipira, instrumento que representa a musicalidade rural paulista. Com raízes antigas na região, o cururu combina saber popular por meio da poesia e do toque da viola-de-cocho.
Mais do que um encontro artístico, o evento representa uma ação de preservação cultural, ao reconhecer o papel dos cururueiros e violeiros que mantêm viva essa tradição transmitida entre gerações. O festival também estimula o interesse das novas gerações pela cultura popular, fortalecendo o vínculo da comunidade com suas raízes regionais.
Por que a região do Médio Tietê é referência cultural?
O Médio Tietê recebe esse nome por estar localizado no trecho intermediário do rio Tietê, ou seja, entre sua nascente, na Serra do Mar (em Salesópolis), e a parte final, próxima ao rio Paraná.
Essa área abrange cidades como Tietê, Laranjal Paulista, Cerquilho, Porto Feliz, Boituva, Capivari, Sorocaba, Itu e Piracicaba, entre outras. É considerada o berço de várias manifestações culturais caipiras, como o cururu, o catira, o pagode de viola e as festas de São Gonçalo.
Historicamente, o Médio Tietê foi uma importante rota de ocupação bandeirante e tropeira, e seu entorno contribuiu para o desenvolvimento econômico e cultural do interior paulista. Por isso, a região é vista como um núcleo representativo da cultura caipira paulista, onde tradições musicais, religiosas e festivas se mantêm vivas há séculos. (Valéria Amoris)