Um resgate da história invisibilizada

Concerto cênico "O Som da Escravidão" aborda a presença negra na formação da música erudita

Por Cruzeiro do Sul

Espetáculo traz o legado das primeiras cantoras líricas do país

A 12ª Temporada de Música Clássica de Sorocaba prossegue com o concerto cênico “O Som da Escravidão”, que será apresentado na sexta-feira, 24 de outubro, às 20h, no Sesc Sorocaba. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos na bilheteria uma hora antes do início.

O evento propõe uma leitura sobre a contribuição da população negra na formação da música erudita brasileira e na trajetória das primeiras cantoras líricas do país ù muitas delas descendentes de pessoas escravizadas que conquistaram espaço nos palcos da Europa. A narrativa cênico-musical destaca personagens como Joaquina Maria da Conceição Lapa, conhecida como Lapinha, considerada a primeira cantora lírica brasileira. Filha de pessoas escravizadas, Lapinha se apresentou em teatros europeus e tornou-se símbolo de resistência em um cenário marcado pela exclusão.

Por meio de relatos, canções e encenações, a montagem revisita histórias de mulheres negras que tiveram suas trajetórias apagadas e evidencia o racismo estrutural, ainda, presente no meio artístico. Segundo o maestro Luis Gustavo Laureano, responsável pela concepção e regência, o objetivo é “trazer à tona vozes silenciadas da nossa história, mostrando que a música clássica também é um território de resistência e ancestralidade”.

A apresentação trabalha temas que vão da diáspora africana e do sistema escravocrata à presença de artistas negros na formação da música de concerto e da ópera no Brasil. Ao unir música, texto e performance, o espetáculo reafirma a importância da memória e da valorização das artistas que abriram caminho para as novas gerações. A frase “Um povo sem memória é um povo sem futuro” sintetiza o intuito da peça, que encerra o mês de outubro e, da Temporada com uma noite dedicada à arte, à história e à ancestralidade.

O espetáculo reúne a soprano Edna d’Oliveira, a mezzo-soprano Edineia de Oliveira, o Coro Municipal de Votorantim, sob regência de Luis Gustavo Laureano, além de quarteto de cordas, percussão e piano, nessa conexão de teatro e memória. (Da Redação).