Alunos da IMMS estudarão em importantes faculdades do País
Estudo e dedicação fizeram parte da rotina dos músicos sorocabanos
Dois alunos do curso de Percussão Sinfônica do Instituto Municipal de Música de Sorocaba (IMMS) foram aprovados em importantes universidades públicas do País. Luiza Victória da Silva Rodrigues Calderom, de 18 anos, passou nos vestibulares para bacharelado em Música da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Já Augusto Regino Nogueira, 19 anos, entrou na Unicamp, na mesma graduação. Inclusive, ambos conquistaram as únicas duas vagas ofertadas para o curso na instituição campinense. O IMMS é mantido pela Fundação de Desenvolvimento Cultural (Fundec) e as conquistas dos estudantes atestam a qualidade de ensino do local.
Luiza ainda não decidiu em qual universidade ingressará. Como as aulas começam apenas em março, ela tem pesquisado sobre as instituições e o funcionamento do curso em cada uma delas. Depois de fazer a sua escolha, ela se mudará para a capital paulista, onde ficam as instalações da USP e Unesp, ou para Campinas.
A jovem passou nos certames em 2022, logo após concluir o ensino médio. Aluna de escola pública, focou nos estudos para as provas durante todo o ano passado. Sem condições de pagar cursinho pré-vestibular, baseou-se, principalmente, nos conteúdos das aulas e se aprofundou em casa, por meio de outros materiais.
Segundo Luiza, a rotina não foi fácil, pois precisou conciliar a escola, estudos externos, aulas no IMMS e participação na Orquestra Sinfônica de Sorocaba (OSS), igualmente mantida pela Fundec. Além disso, houve desafios nos próprios processos seletivos. De acordo com a estudante, eles tiveram, no mínimo, duas fases, divididas entre teóricas e práticas. Os temas abordados abrangeram conhecimentos gerais e específicos da área. Sem falar na concorrência. Na USP, havia somente três vagas, enquanto a Unesp disponibilizou quatro.
Porém, nada disso a abalou. Pelo contrário. Ela considera que a dedicação foi recompensada, afinal, o seu nome figura, agora, na lista de aprovados de três das maiores universidades brasileiras. “Foi um sentimento inexplicável, porque foi uma rotina muito difícil, um ano muito decisivo, o processo foi de bastante esforço. Mas, ao mesmo tempo, foi uma sensação muito boa, de dever cumprido, de que todo o esforço valeu a pena”, disse. Essa conquista também trouxe uma lição para a sorocabana: nunca mais duvidar de si mesma. “Às vezes, acabamos duvidando da nossa capacidade, ou achamos que não vamos conseguir alcançar nosso sonhos. Então, ter dado esse passo tão grande foi indescritível”, falou.
Destino: Campinas
Augusto Nogueira, por sua vez, acerta os últimos detalhes para ir viver em Campinas pelos próximos quatro anos. A mudança deve ocorrer entre o fim de fevereiro e o início de março. Assim como a colega, o jovem precisou estudar com afinco e sem cursinho preparatório para obter uma vaga. Também oriundo da rede pública, ele, que terminou o ensino médio em 2021, reservou o ano passado para aprimorar os seus conhecimentos.
As horas atento aos livros e videoaulas lhe ajudaram a transformar o seu sonho em realidade. Hoje, não esconde a alegria e o orgulho por ter a oportunidade de estudar a sua paixão onde sempre quis. “É um sentimento de muita alegria, muita satisfação, porque é uma conquista que eu queria há muito tempo. É uma sensação muito boa”, comentou. Para Nogueira, tal como a aprovação em si, o seu desempenho no vestibular foi como um prêmio pelo seu empenho. “Uma coisa que eu fiquei super feliz é que a prova de habilidades específicas, que, no caso, é a prova prática, valia 48 pontos, e a minha pontuação foi de 47.98”, citou.
De acordo com o rapaz, além da própria determinação, o apoio de algumas pessoas foi essencial para alcançar o seu objetivo. “Quem mais motivou, além dos meus pais, foi o meu professor da Fundec, Daniel Lima, que sempre me incentivou a fazer o vestibular, quando terminasse a escola, e foi exatamente o que eu fiz”, comentou.
História dos jovens com a música começou na infância
Embora jovens, Luiza Victória da Silva Rodrigues Calderom e Augusto Regino Nogueira têm relações longas com a música. A jovem teve o primeiro contato entre os 9 e 10 anos de idade, quando entrou para a fanfarra da escola. Mais tarde, aos 12, passou a integrar uma orquestra formada por alunos, projeto este desenvolvido por uma professora.
Conforme a jovem, percebendo a sua vocação, a educadora a aconselhou a se aprimorar. Assim, apresentou-lhe a Fundec e o IMMS, bem como motivou-lhe a se inscrever no curso de percussão sinfônica. Em 2017, aquele mesmo ano, seguiu a recomendação, se candidatou e foi aprovada. Agora, deve se formar em um dois anos. Para tanto, conciliará as atividades do instituto com as da faculdade.
Assim que iniciou as aulas, Luiza teve a certeza do que caminho que deveria seguir. Estar naquele ambiente despertou nela o sentimento de converter o então hobby em profissão. “Ver outras pessoas tocando me inspirava demais. Eu tinha vontade de aprender mais e tocar igual a elas”, comentou. E deu certo. O seu talento proporcionou-lhe, por exemplo, a oportunidade de estagiar na Orquestra Sinfônica de Sorocaba (OSS), em 2022.
Devido à representatividade, significados e contribuições propiciadas por essa arte, ela a vê como fundamental em sua vida. “Representa, principalmente, meus aprendizados, muito amadurecimento. A música está comigo desde os meus 12 anos ou até antes, e eu fui amadurecendo muito, tocando, aprendendo”, destacou. “A música me ajudou em muitas coisas. Além de eu ter conhecido pessoas que mudaram a minha vida, aprendi muitas lições de vida, convivendo e tocando com outras pessoas”, emendou.
Já Nogueira começou tocando bateria, entre os 6 e 7 anos, inspirado pelo irmão, que já tocava guitarra e violão. Por sinal, foi justamente o professor de bateria quem o incentivou a realizar o curso no IMMS. Ouvi-lo falar sobre percussão despertou a curiosidade e o interesse do rapaz. Com isso, aos 12 anos, ele iniciou as aulas na Fundação, tendo concluído o curso no ano passado.
Durante esse período, graças ao curso e às suas habilidades, o sorocabano também conseguiu estágio na OSS em 2022 e, novamente, neste ano. Esse feito acarretou em outros, como a participação, juntamente com a orquestra, no Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão - Dr. Luís Arrobas Martins. O evento é o maior de música clássica da América Latina. Outro marco foi uma apresentação na Sala São Paulo, do Complexo Cultural Júlio Prestes, na capital paulista, uma das mais importantes.
Por conta de todos os lugares onde a música já o levou e ainda o levará, a ideia de afastar-se dela nem passa pela cabeça do jovem. Pelo contrário. Agora, como irá estudar essa arte de forma ampla e aprofundada, a sua conexão com ela se fortalecerá. “Sou uma pessoa que respira música o tempo todo. Todos os dias, penso em música, em formas de fazer música, de me de expressar, de ouvir músicas, ritmos e artistas diferentes. Isso representa muito quem eu sou”, pontuou. Em razão da sua paixão, desvencilhar-se da música é uma tarefa difícil. “Quem convive comigo sabe que eu posso acabar de sair de um ensaio, uma rotina grande com a música, mas já estou querendo tocar, estudar de novo. É isso que me move: a música, tudo que a envolve, e a arte”, assinalou. (V.C.)
Instituto é mantido pela Fundec e oferece 20 cursos
Criado em 28 de julho de 1998, a partir do convênio firmado entre a Prefeitura Municipal de Sorocaba e a Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec), o IMMS oferece 20 diferentes cursos de música. São: Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo, Violão, Piano, Clarinete, Flauta Transversal, Oboé, Trompete, Trompa, Trombone, Percussão Sinfônica, Saxofone, Fagote, Coral Adulto, Coral Infantil, Canto Lírico, Musicalização Infantil e Orquestra Orff, dando oportunidade de estudo para pessoas a partir de sete anos de idade.
O IMMS conta também com o Núcleo de Artes Cênicas, com aulas para adultos e crianças, e que tem como objetivo oferecer exercícios de interpretação, análise e pesquisa de obras clássicas e contemporâneas fazendo, dessa forma, ressurgir o teatro amador na cidade, além do curso de interpretação para vídeo. O IMMS possui aproximadamente 600 alunos matriculados entre os Núcleos de Música e Teatro.
A Fundec fica na rua Brigadeiro Tobias, 73, Centro. Mais informações pelo https://fundecsorocaba.com.br/ ou (15) 3233-2220. (Vinicius Camargo e Redação)