Teatro é opção no fim de semana em Sorocaba

Crônicas de Nelson Rodrigues viram peça com preço acessível

Por Cruzeiro do Sul

Cena de "A Mão Esquerda e Outras Histórias", do grupo "Segundou na Brigadeiro"

O grupo “Segundou na Brigadeiro” apresenta neste final de semana (14 e 15) o espetáculo “A Mão Esquerda e Outras Histórias”. Trata-se de uma coletânea de seis contos extraídos das crônicas “A Vida Como Ela É...”, de Nelson Rodrigues, escritas entre 1950 e 1961, no periódico diário Última Hora, no qual o autor tinha uma coluna com o mesmo nome que a antologia leva.

Sob a direção de Mario Persico, foram adaptadas as crônicas: “A Mão Esquerda”, “O Grande Viúvo”, “Casal de Três”, “Fruto do Amor”, “O Delicado” e “O Decote”.

As apresentações serão no Teatro Escola Mario Persico, que fica na rua da Penha, 823. A apresentação no sábado começa às 19h e no domingo, às 19h. O ingresso custa R$ 10. Reservas e informações: (15) 9919.86363.

Obra de Nelson Rodrigues

O jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues produziu vasto e elogiado material, principalmente as crônicas e os textos teatrais. O talentoso de Nelson Rodrigues, um pernambucano que foi criança ao Rio de Janeiro e cresceu numa família de jornalistas, tem como destaque em suas obras aquelas dedicadas ao futebol, nas quais empregou toda sua veia dramática, transformando partidas em batalhas épicas e jogadores em heróis.

Trabalhou em jornais e revistas, assinando artigos e crônicas, como a popular e discutida coluna “A Vida Como Ela É”. Essa coluna é a matéria-prima das peças que serão encenadas pelo grupo de Mario Persico, com “Segundou na Brigadeiro”. Nelas, Nelson expõe tudo que há de mais angustiante na natureza do ser humano. Nenhum tema é tabu e toda relação de amor e ódio é dissecada e trazida à luz.

Voltando a biografia do autor, em 1943, a consagração no Teatro Municipal do Rio de Janeiro veio com a segunda peça escrita, uma das mais famosas da dramaturgia brasileira: “Vestido de Noiva”. O prestígio alcançado pelo reconhecimento de seu talento não livrou-o de contestações ou perseguições. Classificado pelo próprio Nelson Rodrigues como “desagradável”, seu teatro chocou plateias, provocando não apenas admiração, mas também repugnância e ódio, sentimentos muitas vezes alimentados por seu temperamento inclinado à polêmica e à autopromoção.

Nelson Rodrigues morreu no Rio de Janeiro, em 1980, aos 68 anos. Além dos romances, contos e crônicas, deixou como legado 17 peças que, vistas em conjunto, colocam-no entre os grandes nomes do teatro brasileiro e universal. E que, pelo menos em parte, poderá ser vista este fim de semana em Sorocaba. (Da Redação)