Cultura

Morre o pioneiro da ficção científica

Morre o pioneiro da ficção científica
Gumercindo Rocha Dorea ajudou a revelar escritores que se tornariam célebres. Crédito da foto: Felipe Rau / Estadão Conteúdo (29/8/2017)

Primeiro editor de escritores que se tornaram célebres, como Rubem Fonseca, Dinah Silveira de Queiroz e Nélida Piñon, além de ter sido um dos pioneiros na divulgação da literatura de ficção científica no Brasil, Gumercindo Rocha Dorea morreu no domingo (21), aos 96 anos, em decorrência de complicações do tratamento de um câncer. O corpo foi velado e enterrado no Memorial Parque Paulista.

Nascido em Ilhéus, na Bahia, em 1924, mudou-se com a família dez anos depois para Salvador, onde foi aluno do filólogo Herbert Parentes Fortes, um dos principais intelectuais e líderes da Ação Integralista Brasileira (AIB). Aos 20 anos, estabeleceu-se no Rio de Janeiro, formando-se em Direito. Lá, escreveu para o jornal A Marcha, ligado ao Partido de Representação Popular, e entrou em contato com o mentor do integralismo, Plínio Salgado (1895-1975), que sedimentaria suas convicções políticas conservadoras.

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Atuou como jornalista em diversos órgãos de imprensa, como o jornal Folha Carioca. Em 1956, fundou as Edições GRD, que traziam suas iniciais, com a publicação de Filosofia da Linguagem, de Herbert Parentes Fortes. Sua ousadia, visão e compromisso altruísta com a promoção da cultura brasileira fizeram com que ele lançasse os primeiros livros de autores que, então desconhecidos, logo se firmariam como grandes nomes da literatura brasileira, como Rubem Fonseca, Nélida Piñon e o poeta Gerardo Melo Mourão, entre outros, que logo se tornaram conhecidos como membros da Geração GRD.

Com o golpe militar de 1964, Gumercindo mudou o foco de suas publicações de ficção científica, concentrando-se na tradução de publicações europeias. Entre os autores nacionais, o olhar era para os críticos do regime, com destaque para Não Verás País Nenhum (1981), de Ignácio de Loyola Brandão. (Estadão Conteúdo)

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