Cultura

Morre o ator Cecil Thiré, aos 77 anos

Ator e diretor de teatro, cinema e TV, Cecil Thiré estreou no cinema aos 9 anos

 

Morreu nesta sexta-feira (9), aos 77 anos, o ator Cecil Thiré. Ele foi encontrado sem vida enquanto dormia, em sua casa no bairro do Humaitá, na Zona Sul do Rio.

Filho da atriz Tônia Carrero, Cecil sofria do mal de Parkinson há alguns anos. O ator deixa sete netos e quatro filhos, dos quais três são atores: Luisa, Carlos e Miguel.

Filho único da união entre a atriz Tônia Carrero e o artista plástico Carlos Arthur Thiré, Cecil Thiré morreu enquanto dormia em sua casa no bairro do Humaitá, no Rio. Tinha 77 anos e há tempos sofria os efeitos do mal de Alzheimer. Além de ator e diretor de teatro, cinema e televisão, foi também professor de interpretação. No imaginário dos telespectadores, será sempre lembrado como o assassino na novela de Sílvio de Abreu, A Próxima Vítima.

O nome foi uma homenagem ao avô, o professor Cecil Thirté, que foi parceiro do lendário Malba Tahan na escrita de seus livros sobre matemática. Jovem e belo, estudou teatro com Adolfo Celi, com quem sua mãe foi casada entre 1951 e 1962, mas ao seguir carreira foi visto durante muito tempo apenas como o filho da grande estrela Tônia Carrero. O próprio Cecil era o primeiro a admitir que foram necessários muitos anos de análise para se assumir como ator, incluindo contracenando com Tônia.

Cecil estreou no cinema aos 9 anos, num papel de Tico-Tico no Fubá, clássico da Vera Cruz dirigido por Celi e interpretado por sua mãe e Anselmo Duarte. Atuou em mais de 20 filmes. Foi assistente de direção de Ruy Guerra no clássico Os Fuzis, de 1964.

Dirigiu o curta Os Mendigos e os longas O Diabo Mora no Sangue e O Ibrahim do Subúrbio, esse último em parceria com Astolfo Araújo, cada um responsável pelo seu episódio (eram dois). Em 1971, estreou como diretor de teatro com a montagem de um grande texto de Henryk Ibsen, Casa de Bonecas.

Em 1975, ganhou o Prêmio Molière pela direção de A Noite dos Campeões, de Jason Miller. Em 1984, abandonou palco e tela para se tornar professor de interpretação, mas dez asnos depois voltou à ativa com três montagens seguidas. Era considerado um gentleman, mas seus maiores sucessos em novelas iam contra essa imagem. Estourou em Roda de Fogo, como o vilão gay Mário Liberato e, anos depois, de novo caiu no gosto do público como o assassino Adalberto Vasconcelos, de A Próxima Vítima.

Na Globo, ainda dirigiu os humorísticos O Show do Gordo e Zorra Total. Em 2006 saiu da emissora e foi ser ator e diretor na Record, da qual saiu em 2014. Entrou na Justiça contra a emissora, num processo por direitos trabalhistas, e venceu. Casou-se três vezes e teve quatro filhos. Uma de duas últimas aparições em público foi em 2018, quando assistiu, visivelmente abalado, à cremação do corpo de sua mítica mãe. (Estadão Conteúdo)

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