Morre cantor portofelicense Pedro Bento, da dupla com Zé da Estrada

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Pedro Bento foi homenageado em maio no Teatro Municipal, em Sorocaba. Foto: Fábio Aurélio Silva / Divulgação

Pedro Bento foi homenageado em maio no Teatro Municipal, em Sorocaba. Crédito da foto: Fábio Aurélio Silva / Divulgação

Morreu nesta quinta-feira (3), aos 84 anos, o portofelicense Pedro Bento, da lendária dupla Pedro Bento e Zé da Estrada, considerada uma das principais representantes da autêntica música sertaneja de raiz. Segundo amigos, o cantor estava hospitalizado há pelo menos uma semana e não resistiu às complicações de um infarto. O velório ocorre na manhã desta sexta, em São Caetano, no salão nobre da Ossel Memorial (avenida Goiás, 459) e a cerimônia de cremação está marcada para as 13h no mesmo local.

Joel Antunes Leme, nome de batismo de Pedro Bento, nasceu em Porto Feliz em 8 de junho de 1934. Ainda garoto, animava as rodas de viola nas quermesses de cidades da região de Sorocaba. Com aproximadamente 14 anos de idade, percorreu diversas cidades da região, atuando como violeiro de uma comitiva de festeiros do divino. “A gente viajava e o sitiante dava pouso. Nesses pousos do Divino, eu conheci grandes cururueiros de Sorocaba como o Sebastião Roque e o João Davi”, contou ao Mais Cruzeiro em maio de 2018, quando foi o grande homenageado no Teatro Municipal Teotônio Vilela (TMTV) dentro da programação da 51ª Festa do Tropeiro em Sorocaba.

Até conseguir se tornar cantor profissional, Waldomiro levava a vida como caminhoneiro, daí o apelido de “Zé da Estrada”

Em 1954, Pedro Bento foi convidado para participar do programa “Manhãs da roça”, de Chico Carretel, na rádio paulistana Cruzeiro do Sul, onde conheceu no estúdio Waldomiro de Oliveira, natural de Pratânia, na região de Botucatu. A afinidade musical e pessoal selou os laços entre a dupla que completou 63 anos de carreira, até a morte de Zé da Estrada em 5 de junho de 2017, aos 88 anos.

O nome da dupla foi dado por Paiolzinho, o dono da rádio, instantes antes de uma apresentação. Até conseguir se tornar cantor profissional, Waldomiro levava a vida como caminhoneiro, daí o apelido de “Zé da Estrada”. “Na época eu era sofrido, estava sem dinheiro, daí ele [Paiolzinho] disse que eu me parecia com um benzedor e me chamou de Pedro Bento. Na hora a gente achou horrível, mas ele era o dono do programa. Se a gente falasse alguma coisa, ele mandava a gente embora”, disse.

https://www.youtube.com/watch?v=7ioT5XkXN4E

Além de rádios, a dupla passou a se apresentar em circos e comícios de candidatos a cargos políticos. Em 1958, a dupla lançou o disco de estreia, ainda em 78 rotações, pela Gravadora Continental. O carro-chefe do vinil era “O seresteiro e a lua”, primeiro grande sucesso da carreira da dupla, composto pelo próprio Pedro Bento em parceria com Cafezinho e José Arraia e que mais tarde foi regravado por Milionário e José Rico e as Irmãs Galvão.

Com o passar do tempo, além das roupas e acessórios, a dupla também passou a explorar a sonoridade típica da música mexicana. O sucesso da dupla se consolidou nas décadas seguintes com canções como “Mourão da Porteira”, “Piracicaba” e “Sinhá Maria”. No final da década de 1970, devido ao sucesso nas rádios, a dupla fez sua estreia nos cinemas no filme “Os três boiadeiros”, de Waldir Kopezsky, no qual interpretaram os protagonistas, ao lado do ator Chico de Franco.

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Em mais de 60 anos de carreira, Pedro Bento e Zé da Estrada gravaram cerca de 2 mil músicas, sendo 16 álbuns em 78 rotações, 104 em LP e 25 CDs. O CD “Sete palavras” vendeu mais de 70 mil cópias e a entrega do disco de Ouro, pela Gravadora R.I, foi feita em 2007 por Inezita Barroso no programa “Viola, minha viola”, da TV Cultura. “Pedro Bento vai fazer falta. Deixa um legado muito grande e importante para a música sertaneja. Com certeza, ele o Zé da Estrada influenciaram e toda a turma da música sertaneja que veio depois”, afirma o cantor Diamantino Sutil, que também é produtor e apresentador do programa Quintaneja exibido na televisão, pelo canal comunitário TV Votorantim.

Além dos inúmeros sucessos ao longo da carreira, a dupla Pedro Bento e Zé da Estrada ao se notabilizou por incorporar as rancheiras típicas da América Central, fazendo música caipira de raiz com influência da música mexicana e pelo uso de vestimentas e sombreros típicos dos mariachis.  Pedro Bento disse que, até então, o sertanejo não tinha uma indumentária específica. “Para cantar moda de viola, tudo bem, mas a gente também cantava bolero, valsa. Tinha que ser mais chique”. (Felipe Shikama)