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‘Minha fama de mau’ cita passagem de Erasmo Carlos por Sorocaba

Filme, que estreou esta semana mas ainda não chegou às salas da cidade, faz menção aos tiros disparados contra o carro do cantor, em 1967
Da esquerda para a direita, atores vivem Erasmo Carlos, Robertos Carlos e Wanderléa. Crédito da foto: Indiana Produções/Reprodução.

 

Para relembrar a trajetória de um dos maiores ícones da Jovem Guarda, “Minha fama de mau”, que conta a história do cantor Erasmo Carlos, estreou nas salas de cinema de todo o País nesta quinta-feira (14). O longa de ficção, dirigido por Lui Farias, faz menção a um momento da vida do cantor em Sorocaba, em 15 de janeiro de 1967, quando saía de um show no Clube Recreativo, no Centro.
O carro em que Erasmo e mais dois integrantes da banda estavam foi alvo de seis tiros, na rodovia Raposo Tavares (SP-270), durante a madrugada de um domingo, sentido capital. O motivo seria um desentendimento do Tremendão com um grupo de rapazes, no fim da apresentação em Sorocaba. Erasmo teria sido provocado por um deles e revidou com um murro. Porém, na volta do show, uma perua Chevrolet verde se aproximou do carro do artista e, logo em seguida, os tiros foram disparados.

 

Fato foi noticiado pelo jornal Cruzeiro do Sul em 1967. Crédito da foto: Arquivo Jornal Cruzeiro do Sul.
Conforme a reportagem do jornal Cruzeiro do Sul, em 1967, balas acertaram o paralama traseiro e um dos faróis do carro. O cantor, na época, atribuiu o ocorrido a ciúmes por parte dos jovens. No filme, a história do cantor em Sorocaba é trazida pelo programa de rádio Mexericos da Candinha e ilustrada com um trecho real do carro de Erasmo atingido pelos tiros. Este é o único momento em que Erasmo aparece no filme, com trechos do acervo dele.
O Cruzeiro do Sul teve acesso com exclusividade ao trecho exibido no filme sobre o episódio do artista em Sorocaba. Confira no vídeo abaixo:

Trajetória

Para interpretar o Tremendão do rock, Lui escolheu o ator Chay Suede. O longa conta a trajetória do cantor e compositor, que se destacou no cenário musical na década de 60 e despontou na carreira com o início do rock no País, baseado no livro homônimo de memórias do cantor. Suede interpreta Erasmo ao lado de Gabriel Leone, como Roberto Carlos, e Malu Rodrigues, como Wanderléa .
Em entrevista ao Cruzeiro, o roteirista, diretor e produtor do longa, Lui Farias, conta que a obra faz um recorte na vida de Erasmo e, além de falar sobre o cantor, traz a relação de amizade vivida entre ele e os pioneiros da Jovem Guarda. “É diferente do que temos visto, porque é um filme que fala de um pedaço da vida do Erasmo. Mas além disso, trata a música como um personagem. Ela não está apenas para ilustrar, mas para participar e se fazer presente”, disse o diretor.
A paixão de Lui pela história da Jovem Guarda veio de pequeno, quando assistia o pai, Roberto Frias, nas gravações da trilogia de filmes de Roberto Carlos, como “Roberto Carlos em ritmo de aventura”, “Roberto Carlos e o diamante cor de rosa” e “Roberto Carlos a 300 quilômetros por hora”.
Chay Suede vive Erasmo Carlos em ‘Minha Fama de Mau’. Crédito da foro: Reprodução/Facebook.

“Meu pai fez a trilogia Roberto, então eu os conhecia desde menino, estive presente em muitas das filmagens. Me lembro muito bem do alto astral, do companheirismo de todo mundo, Roberto, meu pai, Wanderléa, Erasmo. Era muito contagiante”, lembrou Lui.

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Uma década

Se engana quem pensa que a criação do filme ocorreu de uma hora para outra. Segundo Lui, a ideia de produzi-lo surgiu em 2009, cerca de dez anos antes do lançamento. O protagonista da história foi convidado para ser o narrador do longa, mas Erasmo fez que questão que tudo fosse uma surpresa e comentou com o diretor a vontade de assistir a história direto do cinema.
“Foi uma surpresa para ele [Erasmo], tenho certeza que foi. Eles [Roberto, Erasmo, Wanderléa] nunca imaginaram o filme da forma como ele foi feito. Fiquei muito satisfeito porque
a ideia foi ilustrar a época que muitas pessoas não viveram. Hoje em dia é muito impressionante relembrar desse tempo.”
O autor destaca que, para ele, “eles são os pais do rock no Brasil” e afirma que o filme, além de ter caráter biográfico sobre Erasmo, resgata um período importante da história da música no Brasil. Lui contou ainda que já pensou em fazer um “Minha fama de mau 2”, mas sem dar muitos detalhes da possível nova trama. O filme teve estreia nacional no dia 14, porém ainda não entrou na programação das salas de cinema de Sorocaba.  (Aline Albuquerque)

 

 

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