Cultura

Hip hop e ritmos africanos se unem no Experimentasom

Senzala Hi-tech surgiu da ideia de aliar tambores e demais adereços rústicos e analógicos ao som digital
Hip hop e ritmos africanos se unem no Experimentasom
Repertório do Senzala Hi-tech terá músicas de um EP de estreia e quatro singles recém-lançados – Foto: Divulgação

Batidas urbanas de hip hop se misturam com diversos ritmos de matriz africana — como o jongo, o coco e o maracatu — nas músicas do grupo Senzala Hi-tech, que faz show nesta quinta-feira (13), às 20h, no Sesc. A apresentação faz parte do projeto Experimentasom, que propõe o encontro da música com outras linguagens artísticas, e ainda contará com instalações visuais do artista plástico e designer Discórdia e a performance “Condenados”, do Grupo Trança de Teatro.

Com proposta estética multicultural, que valoriza as referências da cultura africana e afro-brasileira, e formação inusitada, o Senzala Hi-tech foi idealizado pelo atleta de taekwondo Diogo Silva, medalha de ouro nos Jogos Panamericanos de 2007, pelo rapper Sombra, integrante do grupo de rap tradicional SNJ, o produtor e músico Minari Groove Box ( do grupo SNJ) e pelo cartunista e percussionista Junião (das bandas Lavoura e Mercado de Peixe). Além do quarteto, o coletivo conta com participação de outros músicos, tanto no processo criativo quanto nos shows — em Sorocaba, o grupo ganhará o reforço do baixista Índio, o guitarrista Emílio (Mizão) e do percussionista Didi, da escola de samba Vai-Vai. “É como se nós quatro fossemos um planeta, mas com vários satélites que se somam a gente. Tudo é resultado de uma construção coletiva”, comenta Junião.

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Com um EP (extended play), homônimo à banda, lançado em 2015, o grupo surgiu da ideia coletiva de aliar tambores e demais adereços rústicos e analógicos ao som digital da batida do hip hop e demais interferências eletrônicas com letras que trazem relatos das batalhas sociais do cotidiano. No show em Sorocaba, além das músicas do EP de estreia, o grupo tocará quatro singles recém-lançados que estarão no álbum “Arte, amor e desobediência”, que terá nove faixas e será lançado no final deste mês nas principais plataformas de serviço de streaming. “Será um show com clima de pré-lançamento”, diz Junião.

Ressignificar

O percussionista destaca que o nome do grupo procura ressignificar o espaço que, durante três séculos de escravidão no Brasil, era usado para confinar o negro em situação de extrema precariedade e humilhação, muitas vezes acorrentado. Por meio da música, o coletivo musical afirma que busca converter a senzala em “símbolo de resistência”. “Biologicamente nós temos mais igualdades que diferenças, mas do ponto de vista social, sabemos que não é igual. Existe racismo, desigualdade de tratamento e social que são gigantescas. A senzala hoje é o planeta, onde 1% da população tem 50% da renda de todo o resto. A gente vive numa divisão entre casa-grande e senzala. Queremos denunciar essa divisão, mas, ao mesmo tempo, celebrar o multiculturalismo que é o une todos nós que não somos esses privilegiados”, diz.

Hip hop e ritmos africanos se unem no Experimentasom
Público poderá conferir também instalações do artista plástico Pedro Caboatan, o Discórdia – Foto: Divulgação

Além do show do Senzala Hi-tech, o público poderá conferir no Experimentasom as instalações do artista plástico e designer sorocabano Pedro Caboatan, o Discórdia, conhecido por realizar intervenções de street art com técnicas do lambe-lambe e estêncil por todo o perímetro urbano de Sorocaba. O evento contará, ainda, com apresentação da performance “Condenados”, do Grupo Trança de Teatro. Pautada em dados oficiais de 2017, a performance tem como objetivo mobilizar a reflexão a cerca dos altos índices de homicídios de jovens negros, consequência do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens. Os atores Marco Antonio Fera e Clarice Santos confrontam as estáticas de vida e morte da população negra com seus corpos conduzidos pela sonoridade do percussionista Fábio Serra.

Serviço

Experimentasom
Quinta-feira (13), 20h
Anfiteatro do Sesc (rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade)
Entrada gratuita (ingressos, limitados a 450 lugares, serão distribuídos com 1h de antecedência)
Classificação etária 12 anos

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