Episódio final de ‘Star wars’ estreia nesta quinta-feira (19) nos cinemas

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BB-8 e D-O compareceram à estreia mundial realizada em Hollywood na segunda-feira. Crédito da foto: Valerie Macon / AFP

“A batalha das batalhas”, como tem sido chamado o desfecho da saga criada há mais de 40 anos por George Lucas, é dirigida por J.J. Abrams. Crédito da foto: Divulgação

Anunciado como último episódio da saga “Star wars”, “Episódio IX - A ascensão Skywalker” é a principal novidade desta quinta-feira (19) nas salas de cinema de Sorocaba. Aliás, o longa terá suas primeiras exibições na cidade durante a madrugada desta quinta-feira e de acordo com informações das bilheterias, as salas estarão lotadas. Esperava-se a já tradicional presença de cosplays, como são chamados os fãs que comparecem à sessão fantasiados de personagens do filme.

“A batalha das batalhas”, como tem sido chamado o desfecho da saga criada há mais de 40 anos por George Lucas, é dirigida por J.J. Abrams (de “Episódio VII”, “Missão Impossível 3” e a série “Lost”). “É muita expectativa dos fãs. É um universo mítico, grande demais, e seria uma pena desperdiçar toda essa energia. Fizemos de tudo para corresponder”, disse o diretor, que esteve em São Paulo há duas semanas para participar da Comic Con Experience (CCXP).

Guerra nas estrelas

Quando fez “Star Wars” -- o primeiro foi lançado no Brasil como “Guerra nas estrelas”, ainda no final dos anos 1970 --, George Lucas desenvolvia o que parecia um discurso insano. Dizia que era o primeiro filme de uma trilogia, e que essa trilogia seria intermediária num projeto de três trilogias e nove filmes. Alguns críticos o tomaram por maluco brincando de sabres de luz e guerras estelares. Poucos perceberam, de cara, a revolução que ele estava fazendo. O homem foi um visionário.

Para contar sua saga monumental, Lucas precisou desenvolver os efeitos num grau que parecia inimaginável em 1977. Fundou a Light and Magic, recolheu-se à função de produtor e contou com ajuda de outros diretores para a construção do herói, Luke Skywalker, em “O império contra-ataca (direção de Irvin Kershnmer) e “O retorno de Jedi” (de Richard Marquand).

Depois, a saga hibernou, e se passaram 16 anos até que o próprio Lucas, de novo diretor, fizesse “Episódio I - a ameaça fantasma”, seguido de “A guerra dos clones” e “A vingança dos Sith”, narrando a construção do vilão e de como Annakin Skywalker foi seduzido pelo lado sombrio da Força, convertendo-se no sinistro Darth Vader.

Mudando de mãos

Cansado diante da possibilidade de encarar mais uma trilogia, Lucas vendeu os direitos, e a Disney assumiu o encargo de prosseguir com a história da galáxia “far, far away”. JJ, chamado para reformular a saga, iniciou a história de Rey, Finn e Poe, e agora fecha o ciclo. No anterior, “Os últimos Jedi”, o velho Luke conseguiu segurar o ataque de Kylo Ren e seus Cavaleiros de Ren aos remanescentes da resistência.

“Não havia possibilidade de continuar a história sem Leia”, comentou o diretor, referindo-se à Princesa Leia, interpretada pela atriz Carrie Fisher, que morreu em 2016. A solução foi usar material inicialmente descartado da atriz no filme anterior.

O roteirista Chris Terrio disse que JJ estava tão obcecado em resolver o problema causado pela morte da atriz que o roteiro começou justamente por ela. “Os primeiros meses foram para resolver o impasse de como incluí-la no filme. A partir dos diálogos e das imagens que tínhamos, criamos todo o restante”.

Segundo ele, JJ o incentivou a buscar a emoção das cenas. O que se pode revelar é que, desta vez, a mãe das batalhas, será excitante, com fecho grandioso de “Episódio IX”.

Conflitos contam com a astúcia de meros robôs

BB-8 e D-O compareceram à estreia mundial realizada em Hollywood na segunda-feira. Crédito da foto: Valerie Macon / AFP

Apesar das batalhas espaciais épicas e grandiloquentes, com direito a explosões barulhentas mesmo no vácuo, grande parte dos conflitos da saga Star Wars acabam sendo resolvidos não com uma frota de naves, nem mesmo com um bom duelo de sabres de luz, mas por meio da astúcia de meros robôs.

Chamados de “droides”, essas criaturas mecânicas caricatas e vulneráveis tornaram-se uma marca registrada da franquia criada por George Lucas - “marca registrada” em mais de um sentido, já que um dos muitos aspectos que “Star Wars” revolucionou no cinema foi o merchandising.

Os estúdios acreditavam que a ópera espacial de George Lucas seria um fracasso. Apesar de seu filme anterior, “Loucuras de verão” (1973), ter sido indicado para cinco categorias do Oscar e lucrado US$ 637 milhões, a ficção científica estava longe de ser um gênero confiável para se investir o dinheiro de um estúdio na época.

Lucro nos robôs

Como as expectativas da 20th Century Fox eram baixas, eles aceitaram uma proposta de Lucas para que ele conservasse o lucro sobre o merchandising (como a venda de brinquedos, miniaturas e outros objetos promocionais inspirados na série). Não é necessário dizer que robôs fofinhos foram essenciais para que “Star Wars” tenha lucrado mais com merchandising (US$ 42 bilhões) do que com bilheteria (US$ 9 bilhões) em 42 anos.

Nada disso daria certo, é claro, se os droides não fossem tão carismáticos. O primeiro filme, “Star Wars: Episódio IV - uma nova esperança (1977), trouxe os dois robôs que participariam de quase toda a saga e se tornariam símbolos da franquia: R2-D2 e C-3PO.

O design de R2-D2, criado pelo artista Ralph McQuarrie, foi inspirado pelos coloridos drones Huey, Dewey e Louie, do filme “Corrida silenciosa” (1972), dirigido por Douglas Trumbull. Para rodar as cenas, foram construídos vários modelos diferentes, com tamanhos e funções distintas.

Havia versões movidas por controle remoto, mas a maior parte das cenas foi gravada pelo ator inglês Kenny Baker, que, com 1,12 m de altura, cabia dentro da estrutura do R2-D2 e era responsável por fazê-lo acender e apagar luzes, girar a cabeça e se movimentar de acordo com o roteiro.

Morto em 2015, no ano em que estreou “Star Wars: episódio VII - O despertar da força”, Baker foi substituído pelo ator e marionetista Jimmy Vee, que tem a mesma altura de Baker, para os últimos dois filmes.

Já o androide dourado C-3PO, construído pelo jovem Anakin Skywalker e que se gaba de “ser fluente em mais de 6 milhões de formas de comunicação”, teve seu visual inspirado pelo robô do clássico filme “Metrópolis” (1927), dirigido pelo mestre do cinema expressionista alemão Fritz Lang, baseado em um livro de Thea Von Harbou.

No romance, a criatura se chama Futura, e é um dos primeiros e mais importantes robôs da história da ficção científica -- a própria palavra “robô” havia sido cunhada ainda naquela década, e usada pela primeira vez na peça “A fábrica de robôs” (1920), do escritor e dramaturgo checo Karel Capek.

Com a evolução da tecnologia de efeitos visuais, os filmes mais recentes passaram a utilizar cenas em computação gráfica, mas até hoje os diretores usam atores e efeitos práticos -- tanto que o ator Anthony Daniels continua interpretando C-3PO.

Da mesma forma, seria muito fácil fazer o droide rolante BB-8, da nova trilogia, em computação gráfica, mas o diretor J.J. Abrams quis manter a tradição de efeitos práticos na série.

O artista da trilogia original, Ralph McQuarrie, já havia produzido na época um conceito de um robô que rolasse, mas a ideia não foi aproveitada na época. Agora, por meio de um mecanismo patenteado pela Disney, foi possível dar vida a BB-8 -- que conseguiu a façanha de ser tão carismático quanto R2-D2 e C-3PO.

Musical ‘Cats’ ganha as telonas

Além de “Star Wars Episódio IX - A ascensão Skywalker”, os cinemas de Sorocaba recebem, mas só na próxima quarta-feira, o longa “Cats”, baseado no espetáculo musical homônimo, que estreou em 1981 no Reino Unido e é considerado um mais antigos ainda em cartaz no West End, em Londres, e na Broadway, em Nova York.

A adaptação da peça de Andrew Lloyd Webber é estrelada pela popstar Taylor Swift e o ator Idris Elba. O elenco conta, ainda, com a bailarina Francesca Hayward, e os atores Judi Dench, Ian McKellen, James Corden, Idris Elba, Jennifer Hudson e Rebel Wilson. “Cats” conta a história de um grupo de gatos chamado Jellicles e se passa na noite em que eles decidem qual deles deve ir para um lugar melhor. A direção é Tom Hooper, que venceu o Oscar de melhor direção com “O discurso do rei” (2011) e já flertou com musical em “Os miseráveis” (2012). (Da Redação, com informações de Estadão Conteúdo)