Cultura

Documentário resgata a essência de Carlos Roberto Mantovani

Curta-metragem sobre a vida e obra do ator, poeta e dramaturgo será lançado na Biblioteca Infantil
Documentário resgata a essência de Mantovani
Mantovani influenciou gerações de artistas, que participaram, nas décadas de 80, 90 e 2000, de suas oficinas de teatro na Grande Otelo. Crédito da foto: Divulgação

Ator, diretor, poeta e dramaturgo que formou e influenciou toda uma geração de artistas, Carlos Roberto Mantovani é tema do documentário “O dragão que me queima é o mesmo que me salva”, que será lançado nesta sexta-feira, às 19h, na Biblioteca Infantil Municipal, no Centro, com entrada gratuita.

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Em seguida à exibição, os diretores do curta-metragem, a atriz e pesquisadora Renata Grazzini e o cineasta e educador Bruno Lottelli, conduzirão uma roda de conversa que terá participação da atriz e diretora Ângela Barros, que abordará a estética do trabalho de Mantovani, e da atriz, bailarina e professora universitária Andreia Nuhr, que falará um pouco mais sobre o trabalho do artista no interior.

O documentário em curta-metragem mescla depoimentos de artistas, amigos, ex-alunos e familiares de Carlos Roberto Mantovani, com fragmentos de cenas dos espetáculos mais marcantes do diretor e dramaturgo, morto em 2003, aos 52 anos. Todas as filmagens foram realizadas ao longo do mês de julho deste ano, no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), no Parque das Laranjeiras.

O filme tem o palco do teatro como locação principal e destaca o legado deixado por “Manto” — como o artista era chamado por amigos — por meio de depoimentos de atrizes de diferentes gerações, das décadas de 80, 90 e 2000, que foram impactadas e tiveram suas vidas transformadas após participarem de cursos com ele na extinta Oficina Cultural Grande Otelo e de montagens de espetáculos.

Resgate

Com direção de arte de Felipe Cruz, que fez a sua estreia com figurinista justamente em um espetáculo de Mantovani, o filme resgata e reconstitui o acervo iconográfico do artista sorocabano, com manuscritos, cartazes, croquis, recortes de jornal e até cenários, que formam a “ilha da memória”, para onde o espectador é convidado a mergulhar em experimentos cênicos que reencenem esses fragmentos de memória.

“O filme é um mergulho nas memórias de uma personagem fictícia que teria conhecido Mantovani e segue em busca da essência daquela personalidade. Então, ela mergulha nesse mar que rodeia a ilha da memória e encontra alguns tesouros, que são os personagens que realmente conviveram e atuaram com ele”, detalha Lottelli.

Os diretores do documentário destacam que Mantovani teve contribuições em diversos campos das artes, como a dança, a poesia e as artes plásticas, mas seus trabalhos mais marcantes foram no teatro. É por isso que, no filme, os depoimentos do elenco se intercalam com cenas de algumas de suas obras.

Participam os artistas Rodrigo Scarpelli, Melany Kern, Luís Carlos Madureira, Laura Guedes, Débora Brenga, Silvana Sarti, Quitéria Maria, Marco Antônio Fera, Danny de Oliveira e Fátima Mantovani, irmã do artista.

Realizado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc), da Secretaria de Cultura, no edital de 2018, o filme terá outras exibições gratuitas seguidas de debate com os diretores em quatro escolas públicas e também no Clube do Idoso, em cursinhos populares e, ainda, uma sessão inclusiva na entidade Integra.

Segundo o diretor Bruno Lottelli, que também dirigiu o documentário “A noite do beijo — ontem e hoje” (2016), além de tradução para Língua Brasileira de Sinais (Libras), o filme conta com legendagem descritiva. “Também vamos legendar em francês, para inscrever o filme em festivais no exterior e, claro, em festivais internos”, comenta.

Paixão

Renata Grazzini, que também dividiu com Lottelli o roteiro e a produção do curta, destaca que Mantovani foi o responsável por despertar a sua paixão pelos palcos, quando, aos 15 anos, participou de uma oficina ministrada sobre a obra de Guimarães Rosa. “Eu queria voltar às minhas raízes, estudar e investigar aquilo que era importante na minha formação e, sobretudo, fazer uma coisa que as pessoas vissem e soubessem quem ele foi”, esclarece.

O filme complementa a pesquisa desenvolvida por Renata, que está produzindo sua dissertação de mestrado no Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, em torno da produção teatral de Mantovani.

O título “O dragão que me queima é o mesmo que me salva” vem do último verso de um poema de Mantovani, publicado no livro “Redundâncias”. “O impulso criativo de Mantovani era algo que não o deixava em paz, e ao mesmo tempo era o que o salvava da mesmice do mundo”, pontua Renata. (Felipe Shikama)

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