Cultura

‘Dança transitória’ inicia temporada nesta sexta (6) em Sorocaba

Projeto, que teve apoio da Linc em 2018, terá apresentações gratuitas de espetáculos solo e coletivos
‘Dança transitória’ inicia temporada
“Ocupação transitória” será apresentado em outubro, na Praça da Bandeira, no Centro. Crédito da foto: Lucas Moraes / Divulgação

A vida é a arte do encontro. A frase atribuída ao poeta Vinícius de Moraes resume com precisão a confluência de ideias de quatro bailarinos da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), que desenvolvem o projeto “Dança transitória”, uma temporada de espetáculos de dança inéditos e gratuitos.

Com quatro apresentações solo e uma coletiva, a série começa nesta sexta-feira (6), às 19h30, e prossegue até 12 de outubro. Os solos ocorrem no Maloca Centro Criativo (rua Francisco Scarpa, 321, Centro), enquanto a montagem coletiva será apresentada na Praça da Bandeira.

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Realizado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba (Linc), no edital de 2018, o projeto “Dança transitória — por uma perspectiva do encontro” é resultado da união dos artistas e pesquisadores Douglas Emílio, Felipe Alduina, Lucas Moraes e Lucas Fernandes, que, além de apresentarem números sozinhos, resultado de suas pesquisas individuais, dividirão o linóleo em um espetáculo inédito, resultado de um processo coletivo de criação.

Também como parte do projeto, desde julho o quarteto ministra oficinas gratuitas de “Dança teatro” e “Composição coreográfica e improvisação” para um público a partir de 15 anos. Foram oferecidas 25 vagas para cada oficina, mas como a procura de interessados foi maior, os proponentes tiveram de fazer uma seleção das vagas.

Os resultados das oficinas, que um têm encontro semanal de três horas de duração, será compartilhado com o público em geral no dia 19, a partir das 19h, também no Maloca Centro Criativo.

Pesquisas

Lucas Moraes comenta que com abordagens singulares, as pesquisas individuais possibilitaram um projeto bastante plural, contendo em seus modos operantes de manifestar dança o desdobramento de estudos contemporâneos e procedimentos de composições coreográficas com entendimentos bastante diversificados.

“Além do trabalho coletivo, que é tem criação e concepção de nós quatro, para cada solo o artista chamou um orientador, com trabalho que de certa forma dialoga com a pesquisa individual de cada um”, comenta.

A abertura da temporada ocorre nesta sexta (6), às 19h30, no Maloca, com os solos “emBARALHar — uma corpografia urbana em trânsito”, de Felipe Alduina e, às 20h30, com “F.Q.SÃO?!”, de Douglas Emílio. No sábado (7), no mesmo horário, Felipe Alduina representa seu solo e Lucas Fernandes estreia “Corpo (in) comum”.

No dia 13, às 19h30, Lucas Moraes mostra “Modos de existir” e na sequência, Lucas Fernandes reprisa “Corpo (in) comum”. Já no dia 14, o público poderá conferir os solos de Lucas Moraes e Douglas Emílio. Nos dias 20 e 21, também a partir das 19h30, os solos serão reapresentados e ao final haverá debate dos artistas.

A performance de Alduina é definida pelo artista como um “espetáculo-jogo”, que sugere reflexões sobre solidão e distanciamento das pessoas. “F.Q.SÃO?!”, de Douglas Emílio, é descrito como um estudo em três atos. “Uma aposta produ(a)tiva cujo domínio é a capacidade em tornar-se fera para alimentar sua comunidade”, diz.

“Corpo (in) comum”, de Lucas Fernandes, é descrito como um questionamento sobre as interligações do ato de nascer e morrer desde o ponto de vista de diversas espécies a serem investigadas pelo olhar do público. Em uma dinâmica de corpo e voz o performer apresenta sua própria linha da vida levantando questões que provocam as noções que temos de quem somos e que experiências nos definem. Lucas Moraes, por sua vez, assinala que o solo “Modo de existir” faz menção à palavras-chaves como “espaço tempo”, “inquietude” e “brutalidade”.

Na praça

Já o espetáculo coletivo, intitulado “Ocupação transitória”, que será apresentado nos dias 4, 5, 11 e 12 de outubro, às 19h30, na Praça da Bandeira, reúne os quatro artistas que entrecruzam diálogos que transitam na relação corpo e espaço, construindo narrativas a partir de encontros transitórios e sonoridades flutuantes. O espetáculo tem colaboração sonora de Henrique Ravelli e consultoria de figurino de Jean Torres.

Apesar de estarem imersos em pesquisas e estéticas diferentes entre si, Lucas Moraes afirma que o ponto de contato entre os quatro bailarinos é o desejo de ajudar a formar plateias, se aproximar do público da dança e dialogar com outros artistas. “Hoje, mais do que nunca, é urgente dialogarmos com outros fazedores de cultura e trazer essa perspectiva de encontro para as nossas questões, complementa. (Felipe Shikama)

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