Cultura

Cerquilho quer manter fama de ‘melhor Carnaval do Interior’

O destaque da festa é o tradicional desfile dos carrões, que conta com animação e competitividade entre os grupos
Desfile dos carrões, que funcionam como blocos, é o ponto alto do Carnaval de Cerquilho. Crédito da foto: Divulgação

A menos de um mês do Carnaval, muitos foliões estão na expectativa para curtir a festa. Mas em Cerquilho, na Região Metropolitana de Sorocaba, a folia é pensada o ano todo. Afinal, trata-se da data mais importante do ano, que coloca a cidade na rota dos turistas. Os preparativos carnavalescos estão a todo vapor e o objetivo é comum: manter a tradição e o título de melhor Carnaval do Interior.

O titular da Secretaria de Esportes, Turismo e Eventos, Alessandro Moreira de Souza, diz que a programação para este ano já está definida. O Carnaval terá início no dia 21, no Convívio, com os trios e carrões que fazem a festa até o dia 25, das 23 horas às 4 horas. O desfile dos carrões acontece entre os dias 23 e 24, das 20 horas às 23 horas, na rua do Ipê, com apuração no dia 25, às 20 horas. As matinês ocorrem entre os dias 22 e 25, das 16 horas às 20 horas.

Evento turístico

Segundo Souza, o público é variado e vem crescendo a cada ano. “Em 2019, chegamos a aproximadamente 50 mil pessoas por dia no sábado e na segunda, quando há maior movimento. Nos demais dias a média foi de 30 mil”, afirma. Para este ano, a estimativa é de mais de 60 mil pessoas no sábado e na segunda. “O diferencial é que o nosso Carnaval agrada todas as idades, desde crianças a idosos”, cita.

O titular da pasta destaca que o Carnaval é um grande evento turístico, o qual aquece todo comércio da cidade. “Restaurantes, lanchonetes, mercados e lojas em geral têm um lucro elevado nesta data”, diz. Como participam da festa pessoas da região, de todo o Estado e também de outras partes do País, a procura por locações de casas, apartamentos e chácaras é grande. “As vagas chegam a esgotar nessa época”, afirma.

As matinês foram incluídas na programação em 2017. Crédito da foto: Divulgação

Origem nos anos 70

A origem do Carnaval de Cerquilho remonta aos anos 70, quando um grupo de amigos se reuniu em torno de um carro antigo. Eles cortaram a parte superior do veículo para que todos os integrantes pudessem passear pelas ruas durante a folia, dando início à tradição dos carrões. Já nos anos 90 surgiu o primeiro trio elétrico, conhecido como Trio Rural. Foi ele o incentivador para a formação de outros grupos e realização de um desfile.

Durante uma crise financeira, Cerquilho chegou a ficar sem o Carnaval por dois anos, em 2015 e 2016. Na época, o então prefeito justificou a decisão por conta da requisição administrativa da Santa Casa de Misericórdia e das fortes chuvas que atingiram a cidade. O evento foi retomado em 2017 pela atual gestão, que também incluiu as matinês na programação.

Carrões são destaque

O grande destaque do Carnaval de Cerquilho fica por conta dos carrões. As máquinas desfilam como blocos e disputam o prêmio de harmonia, originalidade e alegoria. Tratam-se de carros antigos, que a cada ano são pintados e personalizados de acordo com o tema escolhido pelo grupo. Os veículos são adaptados com uma plataforma inserida na parte superior. Essa estrutura funciona como uma espécie de camarote improvisado.

 

De acordo com o secretário, hoje uma das regras para participação dos carrões é que o proprietário seja morador da cidade. O julgamento é feito por três jurados selecionados tecnicamente e são premiados os cinco primeiros lugares com troféus. Apenas o primeiro colocado leva o prêmio em dinheiro, que neste ano teve um acréscimo. Porém, o valor não foi divulgado pela Prefeitura de Cerquilho.

O secretário confirmou que neste ano participarão do desfile oito trios elétricos e 20 carrões, dos quais quatro são novos. “Cada carrão precisa desfilar com no mínimo 30 integrantes”, finaliza.

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O grupo Embrahmados desfila há 13 anos com uma Caravan 1974. Crédito da foto: Divulgação

Rivalidade saudável

Para além da festa e da diversão, a competição entre os carrões é levada a sério pelos grupos. Os pentacampeões Embrahmados e Velho Guerreiro, detentores do maior número de títulos, vivem há mais de uma década com uma espécie de “rivalidade saudável”. “É como se fosse Palmeiras e Corinthians, mas a amizade continua”, diz Bruno Grando, organizador do bloco Velho Guerreiro.

Eduardo Prado, um dos organizadores do carrão Embrahmados, lembra que, além do esforço no desfile, cada um dos grupos também contou com a sorte nos últimos dois anos. Isso porque, durante os desfiles de 2018 e 2019, houve empate na avaliação dos jurados. O título foi decidido por sorteio e cada grupo acabou levando a primeira colocação uma vez. “Tem grupo que entra mais para brincar, mas para a gente é competição de verdade”, afirma Prado.

O grupo Embrahmados desfila há 13 anos com uma Caravan 1974. O tema do ano passado foi cinema e para esse ano o bloco faz mistério. “Preferimos não revelar o tema, pois a intenção é surpreender”, diz Prado. Já o grupo Velho Guerreiro, que já tem 15 anos de história com seu Galaxy 1979, já adianta que a homenagem de 2020 será para o Rio de Janeiro.

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No ano passado, o título foi decidido por sorteio e ficou com o grupo Embrahmados. Crédito da foto: Divulgação

Preparação para o desfile

Para que tudo saia conforme o planejado na hora do desfile, a preparação começa cedo. No caso do grupo Embrahmados, as reuniões para definir o tema começam com um ano de antecedência. “Acaba um Carnaval e nós já estamos pensando no próximo”, ressalta Prado. Depois disso, os integrantes elaboram o samba-enredo e começam a confecção das fantasias. Além dos quatro donos do carro, pelo menos 20 pessoas se envolvem nesses preparativos.

Já Grando explica que, no caso do Velho Guerreiro, a definição do tema ocorre três meses antes. O ponto alto da preparação acontece em dezembro, com a confecção das fantasias e ensaios para o desfile. “Esse ano alugamos uma chácara para concentrar as atividades”, cita. A estimativa é que 300 pessoas participem do desfile neste ano.

A cada ano os carrões recebem pintura nova e enfeites de acordo com o tema escolhido por cada grupo. Os blocos têm a maior parte dos custos cobertos com a venda dos abadás, que acontece entre dezembro e janeiro. Também são organizados eventos para arrecadar verba e alguns grupos contam com patrocínio – tudo para garantir a festa dos foliões. “Convidamos todos a participar, pois vai ser surpreendente”, garante Prado.

Em Sorocaba

Em Sorocaba, as escolas de samba ainda não definiram se haverá desfile. Segundo o presidente da União Sorocabana das Escolas de Samba (Uses), Edson Cesar Leite, conhecido como Edson Negracha, diante da falta de apoio da Prefeitura, surgiu a possibilidade de realização dos desfiles na Arena, situada no bairro Ipanema das Pedras. Porém, para isso, seria necessária a atuação de equipes da Guarda Civil Municipal e a disponibilização de mais horários de ônibus para o bairro na data do desfile.

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