Cultura

Carlos Lyra e Marcos Valle celebram os 60 anos da bossa nova

Felipe Shikama – [email protected]

Os compositores Carlos Lyra e Marcos Valle dividirão o palco neste sábado (7), às 18h, no Parque Carlos Alberto de Souza, no Campolim, para celebrar os 60 anos da bossa nova. O show gratuito faz parte da 13ª temporada do projeto Metso Cultural, organizado pela MdA International, com patrocínio da empresa Metso, por meio de Lei Rouanet.

A apresentação inédita no Brasil foi inspirada numa elogiada temporada feita pela dupla em abril de 2015 no Birdland, de Nova York, cujo o formato do concerto propõe o encontro de diferentes gerações e caminhos explorados sobre as ricas bases harmônicas e melódicas da bossa nova. “Adicionamos outras canções, e o estamos apresentando pela primeira vez no Brasil, nesse show em Sorocaba”, afirma Marcos Vale, destacando que, além das canções, a dupla contará algumas histórias. Além do teclado de Marcos Valle, eles serão acompanhados pelo violão de Cláudio Lyra. O show terá participação especial da cantora Patrícia Alví.

O repertório, segundo Lyra, será “um apanhado de canções do início de carreira de cada um até hoje”, passando pelos clássicos de suas trajetórias. Há, ainda, a canção “Até o fim”, parceria dos dois compositores feita para Emílio Santiago e regravada no CD “Os Bossa Nova” (2007), que, além de Lyra e Vale, tem Roberto Menescal e João Donato.

'Dividir o palco com o Marcos, só dá prazer e orgulho. Sou fã do que ele faz', diz Lyra - DIVULGAÇÃO

‘Dividir o palco com o Marcos, só dá prazer e orgulho. Sou fã do que ele faz’, diz Lyra – DIVULGAÇÃO

Neste “apanhado”, selecionado dentre centenas de composições de ambos, estão canções como “Influência do jazz” e “Maria Ninguém”, nas quais Carlos Lyra explora elementos do samba-jazz e da toada, e “Batucada surgiu” e “Os grilos”, de Valle, com fortes influências de samba, pop e black music. E, claro, os mais marcantes sucessos, escritos em diferentes fases da carreira, como “Samba de verão”, “Minha namorada”, “Primavera” e “Preciso aprender a ser só”, entre outros. “É um grande prazer para mim, pois adoro as músicas do Carlos, então, é bom demais tocarmos e cantarmos juntos canções dele, minhas e contarmos histórias de nossas carreiras”, convida Vale. “Dividir o palco com o Marcos, só dá prazer e orgulho. Sou fã do que ele faz, aprecio o seu talento e a nova roupagem que ele deu à bossa nova, além da maneira ímpar e inigualável do seu toque ao piano”, retribui Lyra.

Lyra destaca que a celebração dos 60 anos da bossa nova comemorados em 2018 é a prova de que este gênero da música popular se eternizou, e tornou-se clássico “como o jazz e o samba”, diz. “É muito gratificante ver os frutos de uma criação tão sólida, enraizada em nossa cultura”, complementa. Não seria exagero afirmar que, em boa parte dessas seis décadas, a obra de Carlos Lyra e Marcos Valle foi grande responsável pela difusão da bossa nova ao redor do mundo. “É muito bacana ver as diferentes interpretações, harmonizações, instrumentações, andamentos, cada uma de um jeito diferente e bem representativa do background de cada artista”, comemora Lyra.

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Antenado a todos os movimentos da música contemporânea, Valle concorda, assinalando que este gênero sessentão está sendo redescoberto e revigorado pelas novas gerações, especialmente na Europa e no Japão. “Isso deu um gás importantíssimo. No meu caso, os DJs e rappers, como Jay Z e Kanie West, entre outros, utilizaram várias músicas minhas, o que trouxe grande atenção de um novo público”, diz.

Um encontro inédito hoje em Sorocaba


Também como parte das ações comemorativas de 60 anos da bossa nova, o projeto Metso Cultural realiza nesta sexta-feira (6), às 19h, no auditório do jornal Cruzeiro do Sul, o bate-papo “Encontro com a bossa nova”, com Carlos Lyra e o musicólogo, jornalista, radialista e produtor musical Zuza Homem de Mello. A atividade é gratuita e para participar é necessário se inscrever antecipadamente pelo telefone (15) 3211-1360 (MdA International).

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Zuza acompanhou e registrou o surgimento da bossa nova no Rio de Janeiro - JOSÉ BASSIT / DIVULGAÇÃO

Zuza acompanhou e registrou o surgimento da bossa nova no Rio de Janeiro – JOSÉ BASSIT / DIVULGAÇÃO

Amigos há sessenta anos, esta será a primeira vez que o compositor Carlos Lyra e Homem de Mello estarão juntos num palco pela primeira vez. “Um privilégio para nossa cidade”, afirma Marco de Almeida, diretor artístico da MdA International. Segundo Lyra, o bate-papo será conduzido por Zuza, pesquisador que acompanhou e registrou o surgimento da bossa nova no Rio de Janeiro. “Estarei lá para servi-lo. São anos de amizade e essa amizade nos dá liberdade para dissertar sobre o que vier a cabeça”, diz.

O papo deverá ser permeado por canções marcantes da bossa nova, com participação do violonista Cláudio Lyra, sobrinho de Carlos. “Tudo que ele [Zuza] escreve e diz é fruto do mais profundo conhecimento. Tenho por ele enorme respeito e admiração. Ele não é só relevante pra memória da nossa música. Ele é a memória”, complementa Lyra.

O auditório do Cruzeiro do Sul fica na avenida Engº Carlos Reinaldo Mendes, 2.800, Alto da Boa Vista.

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