A televisão perdeu seu poder de criação
Para todo aquele que acompanha a vida da televisão aberta, desde a do século passado até a de agora, fica fácil levantar quais as nossas piores perdas e as maiores conquistas desde lá até agora. A dramaturgia, jornalismo e o esporte seguem firmes e a cada dia mais robustecidos. Os progressos, em todos esses setores, foram bem expressivos.
Perdemos, porém, no entretenimento. Não tivemos mais capacidade de produzir musicais e humorísticos na quantidade e qualidade dos que existiram. Por aí, regredimos significativamente. Nosso poder de criação, quanto a este aspecto, recuou de maneira preocupante.
Em contraponto, muito desse espaço, no campo de variedades, veio a ser ocupado pelos realities shows. Evidentemente, não há como comparar com o que já existiu ou tivemos, mas a maior virtude da chegada do “Big Brother” foi mexer no calendário da televisão. Antes, o ano só começava em abril, depois de férias e estudos de grade ou planejamento do mercado.
A partir de 2001, e como um todo, a TV aberta, assim como anunciantes e agências de propaganda, passaram a se programar ainda no exercício anterior. Por exemplo: hoje, em boa parte, as atenções já estão voltadas para 2025.
Foi enorme a diferença no caixa. O quadro só não é inteiramente satisfatório porque ainda falta voltarmos a criar e produzir com o mesmo brilho e intensidade que já tivemos.
NOTAS
Precisa ajustar
Até mesmo a Globo precisa de tempo para ajustar seus lançamentos, agora, ou numa possível nova temporada, como é a situação do “Estrela da Casa”. Acertaram na escolha da apresentadora, Ana Clara, mas adotar o modelo do “BBB” não foi uma boa. “BBB” em tudo. Tem o original e as comparações são inevitáveis. Certamente, numa próxima, isto deverá ser corrigido.
Tem outro lado
Se a Globo achar que não deve e jogar a toalha quanto ao “Estrela da Casa”, nada impede que o “The Voice”, da Endemol Shine, possa ser ressuscitado. Fora de lá, ninguém se interessou por seus direitos de produção.
Identificação
O Globoplay estreia nesta quinta-feira a segunda temporada de “Rensga Hits!”, série liderada por Alice Wegmann, cada vez mais dedicada a produções do streaming e cinema. “Acho que a história da Raíssa se cruza muito com a minha, nos erros e acertos. Somos humanas, sonhadoras, vivemos a vida com graça, somos absolutamente intensas. Aprendi a gostar mais de mim através da Raíssa. Porque olhava muito carinhosamente pra ela, mas pouco carinhosamente pra mim. Isso mudou muito através do Rensga”, declara a atriz.
Leitura
A volta do Mauro Beting à Jovem Pan se deu apenas para reforçar sua equipe de esportes. E não foi para cobrir a saída de ninguém. Isso é importante para os dias de hoje.
Futebol
Júlio Gomes, contratado do BandSports, será escalado para comentar jogos da Liga Europa e o Saudita na Band. A exemplo do Mauro na Pan, também, não foi para cobrir nenhum vazio.
Em alta
A cotação de Amanda Klein, que sempre teve índices bem equilibrados, observou crescimento após seu desempenho à frente do debate entre os prefeituráveis de São Paulo. Domou as feras. Voz firme, culta e bem informada.
Transformação
Elcio Coronato se transformou em mendigo para gravar mais um episódio do quadro “E se Fosse Você?”, exibido no “Hoje em Dia” da Record. Na ação, ele entra numa lanchonete levando um pote de arroz com salsicha e pede para um funcionário esquentar. O objetivo é acompanhar a reação dos clientes e dos atendentes. Vai ao ar em outubro.
Intervalo
A Band anunciou uma nova organização na estrutura do seu departamento comercial, e Giselle Estefano para a superintendência executiva Nacional, responsável pela coordenação estratégica de toda a área, “assegurando a integração e alinhamento entre as diversas frentes da empresa”. Trata-se da primeira vez de uma mulher à frente desta função.
Parceria
O projeto da Globo para movimentar seus canais pagos, casos de GNT e Multishow, também reforça a parceria com produtoras de conteúdo, algo muito necessário para preencher os tantos espaços da grade. Ao transferir esse controle de produção, a Globo, por tabela, também consegue baratear os custos desses programas. Já é assim com “Vai Que Cola”, “Lady Night”, entre outros.