Cultura

Ano de 2018 termina marcado pelo cancelamento de eventos em Sorocaba

Festivais de música e tradicionais prêmios artísticos ficaram só na promessa
O ano dos cancelamentos na cultura
Em julho teve a interdição e, consequentemente, o cancelamento do Festival Circadélica bem no dia do evento, atribuído à ausência de AVCB. Crédito da foto: Fábio Rogério

O ano de 2018 termina marcado pelo cancelamento de grandes eventos em Sorocaba e também de tradicionais premiações, o que gerou frustração para muita gente. Para relembrar, foram anunciados dois festivais de música, que teriam shows com artistas consagrados no cenário nacional e internacional, mas ambos acabaram não ocorrendo.

A Prefeitura também cancelou prêmios de produção literária e de artes visuais tradicionais. Já a Virada Cultural Paulista, promovida pelo governo estadual, mudou de maio para novembro, teve uma programação modesta e concentrada em apenas um palco.

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A primeira decepção ocorreu em julho, com a interdição e, consequentemente, o cancelamento do Festival Circadélica bem no dia do evento, atribuído à ausência de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O evento, que aconteceria sob uma tenda instalada em um terreno da avenida Comendador Pereira Inácio, tinha a expectativa de reunir público de aproximadamente sete mil pessoas para curtirem 28 atrações em dois dias.

Dentre os destaques do line up do festival estavam nomes como Tropkillaz, Emicida, O Terno, Flora Matos, Vanguart e Fresno. Na ocasião, a advogada Emanuela Barros, acionada pelos organizadores, entendeu como arbitrária a decisão do Corpo de Bombeiros, pois a tenda onde ocorreriam os shows é de propriedade do dono da área, não sendo responsabilidade dos organizadores do Circadélica.

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O segundo desengano para quem pretendia curtir shows com música ao vivo veio em meados de outubro, com o comunicado de cancelamento do Fábrica Festival, que aconteceria nos dias 1º e 2 de dezembro no Parque Tecnológico de Sorocaba. A primeira edição do festival vinha sendo anunciada pelos organizadores desde o início do ano e teria 14 shows no palco principal, incluindo bandas estrangeiras como Information Society e Oingo Boingo Former Members, e artistas nacionais como Pitty, Frejat, Projota, Os Mutantes e Plebe Rude.

Os organizadores do evento alegaram que o cancelamento se fez necessário em virtude do cancelamento do show do Oingo Boingo Former Members, por questões particulares da banda. Outro aspecto levado em conta, disseram, foi a previsão de chuvas para o período e inviabilidade de conseguir um novo local seguro para realizar os shows com todas as licenças necessárias em tempo hábil.

Cancelamento não foi exclusividade dos festivais de música. Em 2018, a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Cultura e Turismo (Secultur) descontinuou dois prêmios tradicionais: o Prêmio Anual de Literatura e o Prêmio Prof. Flávio Gagliardi de Artes Visuais.

A administração municipal alegou que o cancelamento deste ano se deve ao fato de que os dois prêmios “vão passar por uma reformulação, visando ampliar a participação dos artistas da cidade” a partir do ano que vem. Segundo a Secultur, a reformulação deverá ser discutida e proposta pelo Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC).

O ano dos cancelamentos na cultura
Apesar da ausência do prêmio Flávio Gagliardi, as artes visuais foi celebrada com a exposição “Yby Soroc”, de Pedro Lopes. Crédito da foto: Samira Galli / Saga / Divulgação

Apesar da ausência do prêmio Flávio Gagliardi, instituído há 20 anos com intuito de valorizar os artistas, bem como fomentar a produção local, a linguagem das artes visuais foi celebrada em 2018 com a exposição “Yby Soroc”, do pintor sorocabano Pedro Lopes. Com 20 painéis de grandes dimensões que retratam cronologicamente a história de Sorocaba até os dias atuais, a exposição abriu 15 de agosto e ficou em cartaz até 6 de outubro no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs).

Em contraponto aos dois festivais cancelados, o Febre – Conferência e Música ocorreu pelo quarto ano consecutivo e foi o maior em número de dias: cinco no total. Com mais de 30 shows, de diferentes gêneros, espalhados em vários palcos de espaços culturais parceiros, o festival – iniciativa de sorocabanos – teve como destaque a abertura com Arnaldo Antunes, no Sesc, e show da banda Francisco, El Hombre, no Recreativo Central.

O ano dos cancelamentos na cultura
Em contraponto aos dois festivais cancelados, o Febre — Conferência e Música ocorreu pelo quarto ano consecutivo e teve como destaque a abertura com Arnaldo Antunes. Crédito da foto: Fábio Rogério

Evento tradicionalmente realizado em maio em Sorocaba, a Virada Cultural Paulista aconteceu neste ano em novembro. A alteração no calendário foi determinada pelo secretário estadual de Cultura, Romildo Campello, a fim de resdiscutir a parceria com os municípios e aperfeiçoar a organização.

Neste ano, toda programação se concentrou no Parque das Águas, no Jardim Abaeté, e teve como destaque a cantora Maria Rita, que apresentou para um público de cerca de 6 mil pessoas o show “Samba e amor”, baseado no disco homônimo vencedor do Grammy latino na categoria Melhor Álbum de Samba.

Alheias a adiamentos e cancelamentos, algumas coisas permaneceram idênticas a antes de 2018 começar, como por exemplo a situação de abandono do prédio histórico que abrigava a Oficina Cultural Grande Otelo, que continua fechado ao público e sem previsão de início de reforma, e a prometida retomada do Festival Tropeiro de Teatro, que, assim como os dois prêmios cancelados, é garantido por lei municipal desde 1990. (Felipe Shikama)

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