WIKA inaugura nova fábrica em Boituva e se torna hub latino-americano
Com mais de 40 mil m², a unidade integra produção local e tecnologia de ponta, atendendo mercados do México ao Chile e ampliando operações na América Latina
A gigante alemã das medições, WIKA, inaugurou ontem (11) sua nova fábrica em Boituva, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). Com mais de 40 mil metros quadrados, a unidade atenderá o mercado latino-americano, aumentando a produção local e integrando linhas de tecnologia de ponta para atender mercados do México ao Chile.
A empresa está presente na RMS desde 1995 e agora mudou-se de Iperó para Boituva. No evento estiveram cerca de 200 pessoas, entre colaboradores, convidados e autoridades, como o prefeito de Boituva, Edson Marcusso (PSD).
Durante a solenidade, os convidados percorreram toda a fábrica, conhecendo laboratórios, áreas administrativas e linhas de produção. Na planta serão produzidos instrumentos para medição com precisão — desde pressão e temperatura até nível, força e vazão.
A fábrica adota princípios de manufatura enxuta, com linhas organizadas em células e baseadas na filosofia japonesa kaizen, voltada à melhoria contínua dos processos produtivos.
As linhas de produção também são organizadas em formato de “U”, um modelo industrial que facilita o fluxo das peças, reduz deslocamentos dentro da fábrica e permite maior integração entre as etapas do processo produtivo.
Uma ala da indústria é dedicada à usinagem de peças que são utilizadas em outras linhas da própria fábrica, de forma que ela se retroalimenta.
O vice-presidente da América Latina, Ricardo Salgado Moura, comemorou a inauguração: “Hoje a gente marca oficialmente a abertura da nova unidade fabril da WIKA para a América Latina. Essa unidade foi construída para servir todos os mercados, desde o México até o Chile, a partir do Brasil. A intenção é aumentar a capacidade local, trazer mais produtos que hoje são importados para serem produzidos aqui no Brasil e, com essa expansão de portfólio, duplicar nossas operações até o final da década.”
A área em que a empresa se instalou tem capacidade para abrigar futuras expansões da fábrica. Como conta o gerente de operações especiais, Fernando Albuquerque, responsável pelo acompanhamento da obra da nova planta: “Hoje estamos saindo de 20 mil metros quadrados em Iperó para uma área de 113 mil metros quadrados, praticamente cinco vezes maior, sendo que temos também uma área de 28 mil metros quadrados, quase 30 mil de preservação permanente. Isso nos traz, dentro de um dos pilares do Grupo WIKA, a sustentabilidade, o resgate de carbono e toda a descarbonização”.
O segundo andar da fábrica possui um conceito arquitetônico aberto. Os funcionários trabalham em mesas compartilhadas no centro do pavimento, enquanto escritórios em formato de aquário, com paredes de vidro, circundam o ambiente. Também existem quatro salas de reunião, todas no mesmo conceito.
Fernando explica que a escolha acompanha a cultura da empresa: “A WIKA é uma empresa de tecnologia de ponta. Ela trabalha hoje com todos os processos integrados. Temos uma área que aloja 170 pessoas sem qualquer barreira. Para quê? Para promover a interatividade e a comunicação, que entendemos ser o melhor caminho para termos agilidade e qualidade das informações”.
Renato Mana, diretor de operações, falou sobre o funcionamento da empresa: “Hoje, na WIKA do Brasil, contamos com aproximadamente 300 colaboradores. A expectativa dessa nova planta é uma expansão operacional. A ideia é trazer novas linhas de produtos e de produção, para que possamos atender todo o mercado da América Latina. A partir de então, a WIKA no Brasil se torna um hub para toda a região”.
O prefeito de Boituva, Edson Marcusso, comentou sobre a importância do desenvolvimento industrial na cidade: “Para nós, é motivo de muita alegria e satisfação ver uma indústria desse porte e dessa importância se instalando na nossa cidade e iniciando suas atividades”.
Ele também destacou a infraestrutura local para formação de mão de obra especializada: “Temos algo muito importante, que é a formação de profissionais. Escolas como Senai, Fatec, Etec e o Instituto Federal permitem discutirmos com essas entidades cursos voltados para atender as indústrias”.
CEO mundial aposta no Brasil
Fundada em 1946 por Alexander Wiegand e Philipp Kachel, a WIKA manteve controle familiar ao longo de sua história. Atualmente, o líder da empresa é Alexander Wiegand.
Ele esteve presente no evento e afirmou que o mercado brasileiro, assim como o latino-americano, é muito promissor: “Para nós, o mercado brasileiro é muito promissor. Também acredito que o novo acordo comercial com a União Europeia dará um certo impulso. Temos bastante confiança de que esse crescimento continuará. Precisávamos apenas de mais espaço, e foi por isso que realizamos este investimento aqui”.
Alexander concedeu a entrevista em inglês, com tradução feita por um colaborador da WIKA.
Saiba mais sobre a WIKA
A WIKA é uma empresa alemã criada nos anos 40, quando a Alemanha se reindustrializava após as grandes guerras. A empresa, que começou como organização familiar, hoje está presente em mais de 50 países, com diversas plantas na Europa. Na América Latina, é representada pela sede no Brasil e quatro subsidiárias: México, Colômbia, Chile e Argentina.
A companhia produz medidores, como termômetros para temperatura e manômetros para pressão. Durante o evento, os visitantes puderam tirar fotos com o mascote da empresa: um manômetro.
Seus equipamentos são utilizados em diversos segmentos, como saúde, alimentação, mecânica e indústrias de precisão. Anualmente, são produzidas mais de 50 milhões de unidades em todo o mundo.
Outro diferencial da planta de Boituva é um laboratório exclusivo para manutenção de equipamentos que utilizam o gás SF6, único no país. O SF6 é utilizado em equipamentos de alta tensão por ser um isolante elétrico de alto desempenho.