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Bate-boca entre Paulo Guedes e oposição encerra audiência na CCJ

Foram seis horas e meia de sessão com sucessivos bate-bocas que prejudicaram a audiência

Acabou em briga e troca de palavrões o primeiro teste do ministro da Economia, Paulo Guedes, na audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) sobre a reforma da Previdência. Depois de seis horas e meia de sessão com sucessivos bate-bocas com a tropa da oposição, o ministro caiu na provocação do deputado Zeca Dirceu (PT-PR) que o acusou de ser “tigrão” com os aposentados, idosos de baixa renda e agricultores, mas “Tchutchuca” com privilegiados do Brasil.

O ministro da Economia se irrita com oposição na Câmara. Crédito da foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O ataque do petista, filho do ex-ministro, José Dirceu, levou à explosão final de Guedes que reagiu com destempero fora do microfone: “Tchutchuca é a mãe, é a sua avó”. Zeca começou as críticas perguntando a razão pela qual Guedes começou as reformas como a da Previdência sem alterações que afetassem os banqueiros.

A partir daí, o clima ficou insustentável e o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), teve de acabar com a audiência. Sem experiência e com apenas 27 anos, ele não conseguiu conduzir com firmeza a audiência. Por várias vezes, a alta tensão e a gritaria dominaram a audiência.

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Acusado de mentiroso, rentista do mercado financeiro e cruel por querer formar uma “legião de pobres” com a capitalização da Previdência, Guedes partiu para um embate direto com os oposicionistas, com ironias e ataques aos dois governos do PT.

Um dos momentos mais tensos foi quando os deputados se intrometeram na sua resposta à pergunta do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) sobre a idade que as empregadas domésticas se aposentam.

Com fúria, o ministro questionou os parlamentares da oposição: “Por que vocês não botaram imposto sobre dividendos, por que deram dinheiro para a JBS?”. Se voltando para os parlamentares, Guedes rebateu: “Nós estamos há três meses e vocês tiveram 18 anos (de poder) e não tiveram coragem de mudar”.

Houve reação dos deputados atacados por Guedes. Diante da gritaria, Guedes reagiu: “A Casa não está me respeitando. A Casa não me dá o direito de falar”.

Guedes foi em frente com as críticas e disse que eram fake news a informação de que no Chile havia muitos suicídios por conta da Previdência.

O bate-boca recomeçou quando Guedes falou que era caso de internação de quem não via a necessidade de reforma. O que se seguiu foi nova explosão dos deputados.

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“Tem de ser internado”

O ministro disse que quem não entende a necessidade da reforma da Previdência precisa “ser internado”. “Quem acha que reforma da Previdência não é necessária é caso de internamento”, afirmou.

A frase do ministro em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados causou forte reação e desencadeou um dos momentos mais tensos do encontro, com parlamentares da oposição pedindo respeito. O líder do PSL, major Vitor Hugo (GO), bateu boca com colegas da oposição.

Paulo Guedes diz que tem de internar quem acha que reforma não tem de acontecer. Crédito da Foto: José Cruz / Agência Brasil

Guedes tentou contornar a confusão. “Não estou dizendo de tem que internar quem não aprovar esta reforma. Tem de internar quem não entender que precisa de reforma. Jamais diria que tem de internar alguém que discorda de mim, usei uma forma de expressão porque existe um déficit, mas pode ser uma solução diferente da minha.”

A emenda não foi suficiente para acalmar a oposição, que pediu que Guedes retirasse o que disse. “Não preciso retirar nada”, rebateu.

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Após o bate-boca, Guedes disse que está bastante otimista, ao contrário do que os deputados podem pensar. “Sei que vocês [deputados] sabem que é necessária uma reforma. Vocês acham que estaria seguro se só o presidente me apoiasse e o Congresso fosse contra?”, questionou.

Guedes disse não ter arrogância de achar que sabe tudo e pediu “uma folguinha” à oposição. “Não estou achando que vai sair alguém do quartel para fazer isso ou aquilo. Peço que não desacreditem em nós mesmos, tem três meses que aconteceu a eleição”, completou. (Estadão Conteúdo)

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