Advogados de Moro dizem que vídeo confirma interferência de Bolsonaro na PF

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Bolsonaro participa de reunião do Conselho de Governo no Palácio do Planalto. Crédito da foto: Marcos Corrêa / PR (12/5/2020)

Bolsonaro participa de reunião do Conselho de Governo no Palácio do Planalto. Crédito da foto: Marcos Corrêa / PR (12/5/2020)

Após assistir ao vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, o advogado do ex-ministro Sérgio Moro Rodrigo Sánchez Rios afirmou que o material "confirma integralmente" as declarações dadas pelo ex-juiz tanto no anúncio de sua demissão quanto no depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 2. Em nota, o advogado afirmou ainda que o vídeo 'não possui menção a nenhum tema sensível à segurança nacional' e defendeu que a íntegra da gravação seja tornada pública.

O registro foi exibido nesta terça (12) a um restrito grupo de pessoas autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, relator do inquérito sobre suposta tentativa de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF. A exibição foi realizada no Instituto Nacional de Criminalística da corporação em Brasília, "em ato único" - conforme determinado por Celso de Mello - com participação de Moro, integrantes da Advocacia-Geral da União e procuradores que acompanham o caso.

Sérgio Moro deixou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública. Crédito da foto: Isaac Amorim / MJ (24/2/2020)

Segundo Moro, em tal reunião, Bolsonaro teria dito que iria "interferir em todos os ministérios". "O presidente afirmou que iria interferir em todos os Ministérios e quanto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o Superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro, trocaria o Diretor Geral e o próprio Ministro da Justiça", relatou.

O vídeo da reunião foi entregue pelo Planalto ao Supremo na sexta (8), e o decano decidiu colocar temporariamente sigilo sobre o material. Ao autorizar o acesso do material pela PGR, AGU e por Moro, o ministro registrou que decidirá "brevissimamente, em momento oportuno, sobre a divulgação, total ou parcial, dos registros audiovisuais contidos na mídia digital em questão".

'Zero preocupação'

Nesta segunda (11), às vésperas da exibição do vídeo, Bolsonaro afirmou que tem "zero" preocupação com a gravação e que decidiu entregar o vídeo pela "verdade acima de tudo". No entanto, o presidente disse esperar que apenas trechos que envolvam o inquérito sejam divulgados. Ele afirmou que o tem da reunião foi "bruto", pois era reservado e se fosse em público teria usado uma forma mais "polida".

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Antes de entregar a mídia ao Supremo, a Advocacia-Geral da União alegou que a gravação tratava de "assuntos potencialmente sensíveis de Estados" e pediu para remeter apenas trechos. Depois pediu que a divulgação se restringisse aos trechos do inquérito e ainda pediu que fosse definida a cadeia de custódia da gravação. (Estadão Conteúdo)