O Que Consumir No Jejum De 24h: O Guia Prático Para Fazer Com Mais Leveza E Segurança

Por Senhor Tanquinho

Prato vazio com talheres cruzados, rodeado por diversos alimentos.

Fazer um jejum de 24 horas parece simples quando alguém resume em uma frase: “é só ficar um dia sem comer”. 

Mas quem já tentou sabe que, na vida real, o corpo conversa, a cabeça negocia, a rotina pesa e cada gole parece virar uma decisão importante. 

Surge a dúvida no meio da manhã: posso tomar café? E chá? Água com limão conta? E aquele caldo quentinho que acalma o estômago no fim do dia?

Antes de tudo, vale olhar para o jejum de 24h com maturidade, não como castigo. O jejum intermitente é um padrão alimentar baseado em janelas de tempo para comer e períodos sem ingestão calórica, mas isso não significa que seja ideal para todas as pessoas ou que precise ser feito de forma extrema.

Também é importante dizer: se você está grávida, amamentando, tem diabetes, usa medicamentos que dependem de horários de alimentação, tem histórico de transtorno alimentar, compulsão, baixo peso, doença renal, condição cardíaca ou qualquer questão de saúde em acompanhamento, o jejum de 24h deve ser discutido com um profissional. A Cleveland Clinic alerta que o jejum pode aumentar o risco de compulsão ou comportamentos alimentares rígidos em algumas pessoas, especialmente quando há histórico de transtorno alimentar.

A ideia deste guia é te ajudar a entender o que consumir no jejum de 24h sem cair em promessas milagrosas, sem romantizar fome e sem transformar autocuidado em sofrimento.

O Jejum De 24h Não Precisa Ser Uma Prova De Resistência

Imagine uma quarta-feira comum. Você jantou bem na noite anterior, dormiu, acordou, tomou água, trabalhou, resolveu coisas da casa, respondeu mensagens, talvez cuidou de filhos, pets, reuniões, mercado, boletos. O corpo não fica “pausado” só porque você decidiu jejuar. Ele continua pedindo hidratação, sais minerais, descanso e atenção.

Por isso, o primeiro ponto é entender o tipo de jejum que você quer fazer. Existe o chamado jejum “limpo”, em que a pessoa consome apenas bebidas sem calorias, como água, café puro e chá sem açúcar. E existe uma abordagem mais flexível, em que algumas pessoas incluem líquidos com poucas calorias, como caldo de ossos, mesmo sabendo que isso pode interromper tecnicamente o jejum.

Nenhuma dessas escolhas deve ser tratada como moralmente melhor. A pergunta principal é: qual é o seu objetivo?

Se o objetivo é manter uma janela sem calorias, o caminho mais coerente é evitar qualquer bebida ou alimento calórico. Se o objetivo é atravessar 24 horas com mais conforto, reduzindo desconfortos e evitando chegar à próxima refeição com fome descontrolada, algumas estratégias flexíveis podem fazer sentido, desde que você entenda o que está fazendo.

O erro mais comum é transformar o jejum em uma disputa silenciosa consigo mesma. A pessoa começa bem, ignora sede, ignora tontura, toma café demais, passa o dia irritada e, quando chega a hora de comer, devora qualquer coisa em pé na cozinha. Isso não é leve, não é inteligente e não costuma ser sustentável.

O Que Pode Consumir Em Um Jejum De 24h “Limpo”

No jejum de 24h mais tradicional, a base é simples: líquidos sem calorias. A água deve ser a protagonista. Parece óbvio, mas muita gente confunde fome com sede, principalmente depois de algumas horas sem comer.

Água natural, água gelada e água com gás sem sabor e sem açúcar podem ajudar bastante. A água com gás, inclusive, dá uma sensação de preenchimento para algumas pessoas, o que pode ser útil nos horários em que a vontade de beliscar aparece mais por hábito do que por fome real.

O café puro também costuma entrar nessa categoria, desde que seja sem açúcar, sem leite, sem creme e sem adoçantes calóricos. Para quem já tem o hábito de tomar café, uma xícara pode ajudar na disposição. Mas existe um detalhe importante: café demais pode piorar ansiedade, palpitação, irritação no estômago e dificuldade para dormir. Em jejum, esses efeitos podem parecer mais intensos.

Os chás sem açúcar são grandes aliados. Camomila, erva-doce, hortelã, gengibre suave, chá verde e chá preto podem entrar na rotina, respeitando a tolerância individual. Um chá quente no fim da tarde, por exemplo, pode funcionar quase como um ritual de pausa. Você segura a caneca, respira, sente o aroma e dá ao corpo uma mensagem de acolhimento, não de privação.

Outra possibilidade é o uso de eletrólitos sem açúcar e sem calorias, especialmente em dias quentes, quando há muito suor ou quando a pessoa sente dor de cabeça leve por falta de hidratação. Aqui é preciso cuidado com produtos prontos, porque muitos têm açúcar, maltodextrina, aromas doces ou calorias escondidas. Ler o rótulo é indispensável.

O que geralmente sai do jejum limpo? Sucos, água de coco, leite, bebidas vegetais, smoothies, refrigerantes comuns, bebidas alcoólicas, café com leite, cappuccino, colágeno em pó, proteína, mel, açúcar, balas, chicletes com calorias e qualquer alimento sólido. 

Mesmo quando parecem “saudáveis”, eles oferecem energia ao corpo e deixam de ser compatíveis com a proposta de um jejum sem calorias.

Caldo De Ossos Entra No Jejum, Ou Quebra O Jejum?

Aqui mora uma das maiores dúvidas. Muita gente pesquisa sobre caldo de ossos para jejum intermitente porque ele parece uma solução intermediária: é quente, salgado, reconfortante, tem minerais, pode ter colágeno, costuma ser leve e não tem o impacto de uma refeição completa.

Mas é importante ser honesta: caldo de ossos contém calorias. Por isso, tecnicamente, ele quebra um jejum limpo. Fontes de nutrição que explicam o que interrompe um jejum apontam que bebidas ou alimentos calóricos, incluindo caldo de ossos, rompem o jejum do ponto de vista estrito, ainda que pequenas quantidades possam ser usadas por algumas pessoas em abordagens mais flexíveis.

Então ele é proibido? Não necessariamente. Depende do objetivo.

Se você está fazendo jejum de 24h por uma orientação específica que exige ausência total de calorias, o caldo de ossos não seria indicado durante a janela de jejum. Agora, se sua meta é reduzir beliscos, controlar melhor a rotina alimentar ou fazer uma transição mais gentil para jejuns mais longos, ele pode aparecer como ferramenta estratégica.

Pense nele como uma “ponte”, não como passe livre. Um copo pequeno de caldo de ossos pode ajudar quem sente muito frio, fraqueza ou desconforto no estômago durante o período sem comida. Também pode ser uma opção para quebrar o jejum com delicadeza antes da refeição principal, especialmente para quem costuma exagerar depois de muitas horas sem comer.

O cuidado está nos detalhes: prefira caldo caseiro ou versões com poucos ingredientes, sem açúcar, sem amido, sem realçadores em excesso e sem uma carga enorme de sódio. Quem tem pressão alta, doença renal ou precisa controlar sal deve ter atenção redobrada.

E aqui vai uma orientação prática: se você escolheu usar caldo de ossos durante o jejum, não se engane dizendo que foi um jejum “limpo”. Foi uma versão modificada. Isso não é fracasso. É apenas clareza. Clareza evita culpa e ajuda você a entender melhor como seu corpo responde.

Jejum OMAD: A Versão De Uma Refeição Por Dia Merece Cuidado

O termo jejum omad vem de “one meal a day”, ou seja, uma refeição por dia. Na prática, muitas pessoas fazem algo parecido com 23 horas de jejum e uma janela curta para comer. Ele chama atenção porque parece simples: sem contar calorias, sem planejar várias refeições, sem pensar em lanches. Só uma refeição.

Mas simples não significa fácil, e muito menos seguro para todo mundo.

O OMAD é uma forma mais restritiva de jejum intermitente. Por concentrar toda a ingestão do dia em uma única refeição, pode ser difícil consumir proteína suficiente, fibras, vitaminas, minerais e energia adequada. Algumas fontes de saúde apontam riscos como fadiga, fome intensa, dificuldade de concentração, ingestão insuficiente de nutrientes e maior chance de exagerar na refeição única. 

Na vida real, isso pode aparecer de um jeito bem comum: a pessoa passa o dia “se segurando”, chega à noite com fome emocional e física acumulada, monta um prato enorme, come rápido, sente estufamento e depois dorme mal. No dia seguinte, acorda cansada e repete o ciclo achando que precisa de mais disciplina, quando talvez precise de uma estratégia menos agressiva.

O OMAD também pode atrapalhar a vida social e familiar. Pense no almoço com amigas, no café da manhã com alguém especial, na pausa do trabalho, no jantar em família. Comer não é só nutriente; também é cultura, vínculo, prazer e rotina. Um método que isola demais pode se tornar pesado, mesmo quando parece eficiente no início.

Para algumas pessoas, uma versão ocasional de 24h, como jantar em um dia e jantar no outro, pode ser mais fácil do que OMAD diário. Para outras, jejuns mais curtos, como 12h, 14h ou 16h, já entregam organização sem tanto desgaste. O melhor protocolo não é o mais radical; é aquele que respeita sua saúde, sua rotina e sua relação com a comida.

Como Preparar O Corpo Antes Do Jejum De 24h

O que você consome durante o jejum importa, mas o que você come antes dele também muda tudo. Entrar em um jejum de 24h depois de uma refeição pobre, cheia de açúcar e pouco nutritiva pode tornar o dia seguinte muito mais difícil.

Na refeição anterior, pense em estabilidade. Um prato equilibrado com proteína, legumes, verduras, carboidrato de boa qualidade e gordura saudável costuma sustentar melhor. Não precisa ser complicado: ovos ou frango com arroz, feijão, salada e azeite; peixe com batata e legumes; tofu com grãos e vegetais; carne magra com abóbora e folhas. O ponto é evitar começar o jejum com o corpo já pedindo socorro.

Também é interessante reduzir exageros de álcool e ultraprocessados no dia anterior, porque eles podem aumentar sede, inchaço, oscilação de energia e vontade de comer. Dormir bem também faz diferença. Um corpo cansado pede energia rápida, e muitas vezes essa energia aparece na forma de desejo por doces, pães e beliscos.

Durante o jejum, observe sinais. Fome em ondas é comum: ela vem, cresce, incomoda e depois passa. Mas tontura forte, confusão mental, tremores intensos, desmaio, dor no peito, palpitação importante ou mal-estar fora do comum não devem ser romantizados. Nesses casos, interromper o jejum e buscar orientação é uma decisão responsável.

Outro ponto delicado: exercício. Um treino leve pode ser tolerado por algumas pessoas, mas treinos intensos durante 24h sem comer não combinam com todo mundo. Se você quer testar, comece com caminhadas suaves e veja a resposta do corpo. Jejum não deveria virar punição dupla: ficar sem comer e ainda exigir performance máxima.

Como Quebrar O Jejum Sem Exagerar

A hora de quebrar o jejum é quase tão importante quanto o jejum em si. Depois de 24 horas, a vontade pode ser compensar. Só que o estômago nem sempre recebe bem uma refeição enorme, gordurosa ou muito açucarada de uma vez.

Uma boa ideia é começar com calma. Pode ser uma refeição menor, mastigada devagar, com proteína e alimentos simples. O caldo de ossos, nesse momento, pode ser útil para algumas pessoas como abertura: uma xícara morna, alguns minutos de pausa e depois o prato principal. Isso ajuda a reduzir a ansiedade de “atacar” a comida.

Evite quebrar o jejum com uma combinação pesada de açúcar, fritura e álcool. Além de causar desconforto, isso pode reforçar um ciclo de restrição e recompensa. A mensagem para o corpo deve ser: “agora vou me nutrir”, não “agora vou descontar”.

Um prato interessante para quebrar o jejum pode ter ovos mexidos com legumes, sopa com proteína, arroz e feijão com salada e frango, peixe com purê e verduras, iogurte natural com frutas e sementes, ou uma refeição vegetariana com lentilha, azeite, legumes e abacate. O segredo está menos em uma fórmula perfeita e mais em comer comida de verdade, com calma e presença.

Também vale notar como você se sente depois. Teve compulsão? Dor de cabeça? Fraqueza? Irritação? Dormiu bem? Ficou pensando em comida o dia inteiro? Essas respostas dizem muito. Às vezes, o corpo aceita bem. Às vezes, ele mostra que 24h é demais naquele momento. Escutar isso é inteligência, não falta de força de vontade.

Conclusão E Palavras Finais

O que consumir no jejum de 24h depende do tipo de jejum que você pretende fazer. Para um jejum limpo, o caminho mais coerente é ficar em água, água com gás, café puro e chás sem açúcar. Eletrólitos sem calorias podem ajudar em alguns casos, desde que o rótulo seja conferido com atenção.

Já o caldo de ossos é uma opção interessante para quem busca uma abordagem mais flexível, mas com uma observação importante: ele tem calorias e, tecnicamente, quebra o jejum. Isso não o torna ruim. Apenas significa que ele deve ser usado com consciência, principalmente por quem procura conforto, transição ou uma forma menos rígida de praticar o jejum intermitente.

O jejum omad, por sua vez, merece ainda mais cautela. Comer apenas uma vez ao dia pode parecer prático, mas também pode ser restritivo demais, dificultar a ingestão adequada de nutrientes e mexer com a relação emocional com a comida. Para algumas pessoas, jejuns menores e mais gentis são muito mais sustentáveis.

No fim, jejum não deveria ser sobre vencer o corpo, e sim sobre conhecê-lo. A melhor estratégia é aquela que cabe na sua vida, respeita sua saúde e não transforma alimentação em medo, culpa ou isolamento. Comer bem e ficar sem comer por algumas horas podem fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que exista cuidado, informação e escuta verdadeira do próprio corpo.