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O uso de pele animal na moda

Reprodução/Pixabay

Por Julia Rolim

 

Quando o assunto gira em torno sobre o uso de pele animal na indústria da moda, a questão é sempre polêmica e controversa. As mídias costumam manipular esta imagem para tentar fazer com que acreditemos que a disputa é meio a meio: 50% das pessoas aprovam e 50% desaprovam uso de pele. Mas a realidade é bem diferente…

Segundo o site Modefica, na Inglaterra, 95% da população desaprova o uso de peles. A criação de animais para produção de peles foi proibida no país nos anos 2000 e, apesar das tentativas por parte de alguns interessados, a lei nunca foi anulada ou revertida.

Reprodução/Pixabay

E a crescente demanda sobre o fim do uso de peles de animais em produtos de moda já fez várias marcas repensarem suas matérias-primas – de Giorgio Armani à Zara; além de ter levado outros países a criarem leis que proíbem esse tipo de criação e até mesmo venda de artigos, como em São Paulo.

No momento, aumentou significativamente a venda de pele falsa (também conhecida como sintética) no mundo todo. Dá para notar que a sociedade está em frequente mudança e todos já tem a consciência de que o uso da pele não é legal…

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Então, por que a indústria ainda insiste em usar?

Cruella de Vil no filme 102 Dálmatas – Reprodução/Divulgação

Karl Lagerfeld, por exemplo, não só usou em todos os desfiles da FENDI, como chegou a forrar todo o chão da passarela com peles de animais abatidos!

E assim como qualquer coisa no mundo, a questão é a quantidade de dinheiro que a indústria da pele investe para lutar contra a decadência da imagem… O International Fur Trade Federation (IFTF) chega a financiar desfiles de novos designers, ‘apadrinhando-os’ durante toda a faculdade de moda.

Eles distribuem casacos de pele para celebridades, disponibilizam matérias-primas para estilistas famosos e ainda criam uma enorme divulgação com matérias na mídia afirmando que usar peles está na moda, e que a indústria da pele é sustentável e economicamente necessária.

Jennifer Lopez já afirmou em entrevista que odeia pele sintética – Divulgação/Photobucket

Ainda de acordo o Modefica, é graças ao mercado de luxo e aos próprios esforços, que a indústria da pele sobrevive. As celebridades não adquirem mais casacos de pele, porém socialites, ricos e novos ricos perpetuam esse hábito como uma forma de demonstrar poder.

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Em contra partida, muitas marcas e estilistas já tomaram consciência e pararam suas atividades com peles verdadeiras ou então nunca utilizaram, como é o caso de Michael Kors, Tom Ford, Jimmy Choo, J.Crew, Tommy Hilfiger, Calvin Klein, Ralph Lauren, Stella McCartney, entre outros… Felizmente, esta lista só aumenta!

“Os grandes nomes estão eliminando, um por um, a pele de suas coleções e o PETA realmente espera que ela se torne apenas um vestígio do passado”, afirmou Tracy Reiman, vice-presidente executiva do PETA, em entrevista à revista ELLE.

Reprodução/Pixabay

Outro fator importantíssimo a ser destacado é que a fabricação de pele sintética é, de fato, mais sustentável que a produção de pele natural, já que esta precisa de tratamentos especiais com produtos tóxicos para que a pele não apodreça.

E além de todo este tratamento, vale ressaltar que 85% das peles são ilegalmente provenientes de animais criados em cativeiro. Em Janeiro de 2011, a CE Delft, uma organização de pesquisa e consultoria independente, levantou os impactos de toda a produção de peles de vision e chegou a conclusão que os impactos negativos chegam a ser até 28 vezes maior do que a produção de qualquer outro têxtil, incluindo tecidos sintéticos como poliéster, acetato e acrílico.

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Reprodução/Pixabay

Para concluir, diferente do que a mídia nos mostra, a pele verdadeira não ganha o duelo entre a preferência pela sintética. Sua produção é problemática e muito poluente desde a criação dos animais até a quantidade de energia e insumos necessários para a manutenção do casaco.

Todos os artigos que afirmam que a pele verdadeira é mais sustentável e ética do que as peles sintéticas não contêm fontes suficientes ou estudos, apenas opiniões do IFTF e British Fur Trade Association.

Reprodução/Flickr

Achei relevante falar sobre este tema, já que é um assunto extremamente importante na área de moda. E que, ao mesmo tempo, a maioria das pessoas tem um pouco de dúvidas e acaba adquirindo produtos com peles verdadeiras – incluindo o nosso famoso “couro legítimo”.

 

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Sobre o Autor

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Olá! Me chamo Julia Rolim, graduada em design de moda pela Esamc Sorocaba e blogueira. Sou apaixonada por moda e todos os tipos de arte. O meu blog pessoal, chamado Loucuras de Julia, aborda temas como moda e cultura, trazendo sempre novidades, inspirações e conhecimento a mais. Aliás, conhecimento nunca é demais! E aqui, me aprofundarei em moda e estilo.

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