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Marca de luxo queima R$ 141 milhões em produtos que não venderam

Reprodução/Instagram/@burberry

Por Julia Rolim

 

Ok, vamos falar de uma coisa séria da qual muita gente nem sequer imagina que acontece na indústria da moda… Sobre uma polêmica que surgiu nos últimos dias que, de acordo com o relatório anual, a grife Burberry divulgou que queimou 28,6 milhões de libras (cerca de 141 milhões de reais) em produtos que não foram vendidos em 2017, entre eles roupas, acessórios e perfumes.

Todos os anos, a grife de luxo incendeia seus itens que ficaram no estoque, para que eles não sejam roubados ou vendidos por preços menores. Dessa forma, perderia o “valor” e o statusque a marca proporciona a seus clientes. E estima-se que, nos últimos cinco anos, a marca tenha queimado 90 milhões de libras em produtos (mais de 446 milhões de reais).

Os números são realmente assustadores!

Reprodução/Instagram/@burberry

Maria Malone, especialista em negócios da moda da Manchester Metropolitan University a BBC, explica: “Eles fazem isso para que o mercado não seja inundado com descontos. A Burberry não quer que seus produtos caiam nas mãos de qualquer pessoa que possa vendê-los a preços mais baixos e desvalorizar a marca”.

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Segundo a grife, o volume de queima deste ano foi maior pois precisou se desfazer de 10 milhões de libras (49 milhões de reais) em perfumes após fechar um contrato com a marca norte-americana Coty. Porém, segue afirmando que a energia gerada é armazenada, o que causa menos impacto ambiental… Será mesmo?

“A Burberry tem procedimentos cuidadosos para minimizar o excesso de estoque que produzimos. Nas ocasiões em que o descarte de produtos é necessário, fazemos isso de maneira responsável e continuamos a buscar formas de reduzir e revalorizar nosso lixo”, declarou um porta-voz da marca.

Reprodução/Instagram/@burberry

É bom ressaltar que este “problema” não acontece somente na Burberry, mas em muitas grifes ao redor do mundo que também precisam lidar com os excessos do mercado de luxo. A destruição de estoque tornou-se uma prática comum, descrita pelos varejistas como uma medida para proteger a propriedade intelectual e evitar a falsificação ilegal. Já os ambientalistas reclamam do lixo gerado…

“Apesar de seus preços altos, a Burberry não mostra respeito pelo valor das peças e pelo trabalho e recursos naturais que foram necessários para eles serem feitos”, comenta Lu Yen Roloff, do Greenpeace, para a BBC. “O excesso no estoque significa produção excessiva mas, em vez de desacelerar sua produção, eles incineram roupas e produtos em boa qualidade. Isso é um segredo sujo do mundo da moda, a Burberry é só a ponta do iceberg“.

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E põe sujeira nisso…

Reprodução/Instagram/@burberry

Por outro lado, a questão da sustentabilidade e o reaproveitamento de matérias primas e roupas são assuntos muito discutidos e respeitados em empresas de qualquer setor. Atualmente, novas marcas estão criando seus produtos levando isso muito a sério… E como ainda pode acontecer esse tipo de absurdo? Não sou super entendedora do assunto, mas acredito que a fumaça e o material que sobra de toda essa queima seja muito prejudicial ao meio ambiente e não se decompõem facilmente.

Não há nada de ecológico nesse sistema… Se as marcas desejam manter o padrão e o status que possuem, deve haver outra solução para que as peças não sejam simplesmente descartadas. Não é apenas a etiqueta que vai pro lixo, mas também o estudo e o trabalho de muitas pessoas envolvidas (desde a ideia até o produto final). Enquanto muitas pessoas não tem condições de comprar uma roupa, por mais baixo que seja o valor, por outro lado o mercado de luxo está queimando (literalmente) as peças! Isso realmente me entristece.

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Reprodução/Instagram/@burberry

Uma possível solução, para talvez corrigir isso, seria partir para a customização de peças, ou simplesmente trocar a etiqueta ou abrir uma nova marca de “segunda linha” ou mais acessível, direcionada a outro público e sem ligação com a marca de luxo, pois com toda essa queima de peças, muito dinheiro e trabalho envolvido são queimados também.

O prejuízo maior é da empresa que faz!

Reprodução/Instagram/@burberry

Achei este assunto seríssimo, digno de ser compartilhado e debatido, pois sei que muita gente ainda não conhecia esse lado… Se por um lado a indústria de moda é linda, inclusiva, prestativa e ecológica, por outro é uma podridão e vergonha total.

 

E você, o que acha sobre o assunto? Acha certo todo esse desperdício?
Comente por email (juliarolimg@gmail.com), vou adorar saber a sua opinião.

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Sobre o Autor

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Olá! Me chamo Julia Rolim, graduada em design de moda pela Esamc Sorocaba e blogueira. Sou apaixonada por moda e todos os tipos de arte. O meu blog pessoal, chamado Loucuras de Julia, aborda temas como moda e cultura, trazendo sempre novidades, inspirações e conhecimento a mais. Aliás, conhecimento nunca é demais! E aqui, me aprofundarei em moda e estilo.

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