Agenda Metropolitana

Orquestra Jazz Tangarás apresenta Tributo a Glenn Miller em Piedade

Espetáculo gratuito reúne os grandes sucessos do “rei dos salões” e o filme “Música e lágrimas”, a partir das 20h30, no Auditório Cariocão

Marinaldo Cruz Filho

Glenn Miller
Tributo a Glenn Miller será apresentado às 20h30, no “Cariocão” (REPRODUÇÃO”

Quem aprecia os clássicos do jazz norte-americano não pode perder o programa desta sexta-feira (22) no Auditório Municipal Rubens Caetano da Silva – Cariocão –, em Piedade. A partir das 20h30, com entrada franca, a Orquestra Jazz Tangarás apresenta o espetáculo Tributo a Glenn Miller, reunindo os sucessos de um dos maiores músicos das décadas de 1930 e 1940 e a exibição do filme “Música e lágrimas”, que narra a vida e a trágica morte do mito.

Um dos destaques do evento desta sexta-feira é a interpretação ao vivo, pela Orquestra Jazz Tangarás, da trilha sonora de “Música e lágrimas. O público poderá reviver o clima dos sofisticados shows da primeira metade do século passado, especialmente os bailes, ao som de obras emblemáticas como “Basin Street Blues”, “Over the Rainbow”, “I Know Why”, “String of Pearls”, “Pennsylvania 6-5000”, ”Tuxedo Junction” e “St. Louis Blues”, entre outras.

Orquestra de Glenn Miller
Orquestra de Glenn Miller foi um dos maiores fenômenos musicais (REPRODUÇÃO)

Sucesso e morte prematura

Saxofonista, trombonista e regente, Alton Glenn Miller era o “rei dos salões de dança”. Suas obras baseavam-se em orquestrações doces executadas meticulosamente. O som do trombone de Miller, imediatamente reconhecível e muito copiado, guiava-se por princípios musicais muito simples, como foram todos os seus grandes sucessos, incluindo aquela que é considerada um hino romântico, “Moonlight Serenade”.

A Swing-Bigband fundada por Glenn Miller em 1937, dedicada à interpretação de músicas para dançar, alcançou grande popularidade nos Estados Unidos pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Porém, em 1942, o músico decidiu se alistar no Exército norte-americano. Dissolveu a banda e passou a regente da Air Force Orchestra. Morreu prematuramente, aos 44 anos, durante uma viagem entre a Inglaterra e a França, onde faria um show para os soldados aliados. Supõe-se que o aparelho foi abatido pela Força Aérea Alemã sobre o canal da Mancha, porem seu corpo nunca foi encontrado. A partir daí, tornou-se herói nacional.

Após a guerra, o chamado “som Glenn Miller”, resultante da associação de quatro saxofones dirigidos por um clarinete solista, tornou-se muito popular. As gravações e atuações da Bigband (hoje sob a batuta de Wil Salden) tornaram Glenn Miller célebre até mesmo na Europa. No Brasil, suas músicas atraiam milhares de pessoas aos bailes. Sorocaba, Piedade e a maioria das cidades da região aderiram à moda, incentivando a criação de inúmeras bandas e orquestras.

Entre as músicas mais conhecidas de Miller estão “Moonlight Serenade”, “A string of pearls”, “Little brown jug”, “The spirit is willing”, “At last’, de Warren e Gordon”, “Serenade in blue”, “Chattanooga Choo Choo”, “I’ve got a girl in Kalamazoo” e “In the mood”, que embalaram pelo menos duas gerações em todo o planeta.

Filme "Música e Lágrimas"
“Música e Lágrimas” levou para as telas a trajetória de Glenn Miller (REPRODUÇÃO)

Dos salões para as telas

“Glenn Miller, você sabe, é aquele maestro americano que, no auge do sucesso, decidiu ir lutar na Segunda Guerra Mundial e formou uma orquestra militar que era ainda melhor do que a orquestra civil”, comenta o jornalista e escritor Ruy Castro no programa “Saudades do século 20”, na Rádio MEC. A fama do músico, no entanto, atravessou todos os oceanos graças a três filmes biográficos lançados logo após o seu desaparecimento. O que será apresentado no “Cariocão” nesta sexta-feira (22), “Música e lágrimas – The Glenn Miller Story”, foi lançado em 1954. Os papéis principais – Glenn e sua esposa, Hellen – couberam ao par romântico das telonas na época, James Stewart e June Allyson, que já vinham de dois sucessos anteriores. A direção é de Anthony Mann.

A trilha sonora, que será interpretada pela Orquestra Jazz Tangarás, é composta por 13 músicas: “Basin Street Blues” (Spencer Williams), “Over the Rainbow”, “I Know Why (and So Do You)”, “String of Pearls”, “Pennsylvania 6-5000”, ”Tuxedo Junction”, “St. Louis Blues “ (escrita por W.C. Handy), “In the Mood”, “Chattanooga Choo Choo”, “We Must Be Vigilant”, “Little Brown Jug (de Joseph Winner”, “Too Little Time “ (Henry Mancini) e “At Last” (Harry Warren)

“Música e lágrimas” ganhou um Oscar em 1955, na categoria Melhor Mixagem de Som. Também foi indicado nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Roteiro Original

Banda Jazz Tangarás
Banda Jazz Tangarás era o destaque de muitos eventos na região de Sorocaba (REPRODUÇÃO)

Tangarás tem jazz no DNA

O espetáculo “Tributo a Glenn Miller” é apresentado pela Orquestra Jazz Tangarás. O grupo é formado por alunos, professores e amigos da Associação Musical Lira São João, que administra as atividades do Conservatório Musical Davino Tadelli da Silva.

Embora a atual “Tangarás” tenha formação recente – cerca de três anos –, a orquestra traz o DNA dos inúmeros grupos musicais nascidos no seio do Club Literário Piraporense, uma das instituições culturais mais tradicionais da Região Metropolitana de Sorocaba. A orquestra original – que emprestava o nome de outro grupo famoso do Rio de Janeiro – foi criada em 1935, pelo então diretor-secretário do Club, Antônio Marciano.

Reunindo os principais talentos artísticos da cidade, durante mais de uma década foi a sensação dos eventos mais badalados de toda a região. A formação mais conhecida contava com José Bueno de Camargo, Amadeu Bianchini, Dito Pistão, Zirondino, Laurindo Bueno de Camargo, Irineu Marciano, Benedito Antunes Soares, Gustavo Marciano, Antônio Marciano, Plínio e seu pai, José Marciano.

Orquestra Jazz Tangarás
Orquestra Jazz Tangarás continua tradição da antiga banda (REPRODUÇÃO)

Especializada no estilo popular nascido em Nova Orleãs duas décadas antes, a orquestra piedadense interpretava os grandes sucessos da época com criatividade e competência. Fazendo jus à originalidade do pássaro típico da fauna brasileira do qual emprestou o nome, o Tangarás deixava a sua marca registrada em tudo o que tocava, seja por meio de um arranjo adaptado, que lembrava ritmos da terra, seja pela execução vibrante e impregnada de sentimento.

Mais informações sobre o espetáculo e a Orquestra Jazz Tangarás podem ser obtidas pelo telefone (15) 3344-6243  e na página do Conservatório Davino Tardelli no Facebook.

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