Agenda Metropolitana

Instalação artística em Tatuí tem 500 balões e cartas soltas ao vento

“Éramos cinco milhões” pretende provocar discussão sobre o tráfico de negros da África para o Brasil e suas consequências

Marinaldo Cruz

Museu Paulo Setubal
Instalação fica exposta durante todo o mês de fevereiro no Museu Paulo Setúbal (REPRODUÇÃO)

Chamar a atenção da sociedade sobre o tráfico de pessoas negras de diversas regiões da África para o Brasil no período colonial e durante o Império. Essa é a proposta da instalação artística “Éramos Cinco Milhões”, que ficará aberta gratuitamente ao público até o dia 28 de fevereiro, no Museu Histórico Paulo Setúbal, em Tatuí. A obra, de autoria de Danilo Roberto, é formada por 500 balões marrons e pretos, de diferentes tamanhos, sobrepostos, ligados por barbantes e amarrados a uma corrente de metal. A deterioração natural das bexigas, com o seu consequente esvaziamento ao longo do período da exposição, revelará, progressivamente, o título e tema da mostra previamente pichado em uma parede branca.

A instalação foi aberta nesta terça-feira (29), marcando a estreia da temporada 2019 do Museu de Tatuí. O trabalho é custeado pela Secretaria Estadual de Cultura, por meio do projeto ProAC Artes Visuais. De acordo o autor, a obra consiste em um estimulo visual para questionamentos acerca da questão racial no País. “A intenção principal é fazer as pessoas dialogarem sobre o violento processo de tráfico negreiro, sua consequente desterritorialização e as reverberações individuais e sociais desse processo”, resume Danilo.

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Éramos Cinco Milhões
500 balões pretos e marrons presos a corrente escondem título do debate (REPRODUÇÃO)

Cartas para ninguém

O projeto também inclui duas intervenções poéticas, ambas para maiores de 16 anos de idade. A primeira ação, denominada “Cartas para Ninguém”, ocorreu logo após a abertura da instalação ao público, na tarde desta terça-feira (29). Cartas escritas por 30 pessoas maiores de 16 anos foram amarradas a balões carregados com gás hélio que foram soltos em espaço público. A ideia é que as bexigas sejam levadas pelo vento e caiam em locais diferentes do Brasil e até fora do país. Dessa maneira, quando elas caírem, as mensagens sejam lidas e disseminadas por pessoas de diferentes lugares.

Para refletir e destruir

“Recomeçar”, a segunda ação, está agendada para o dia 18 de fevereiro. Danilo Roberto explica que o público será convidado a debater o tema da instalação e complementar com tinta a pichação na parede do espaço expositivo, a partir da pergunta: o que somos hoje além dos cinco milhões que éramos?

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Em seguida, a instalação, já deteriorada pelo tempo, poderá ser destruída pelos participantes, em mais uma modificação da obra.

A frase “Éramos Cinco Milhões” alude à quantidade estimada de negros escravizada e trazida para o Brasil durante quase 400 anos, desde o descobrimento até a abolição da escravatura.

Serviço – A visitação é gratuita e acontece de terça-feira a domingo, das 9h às 17h. O Museu Histórico Paulo Setúbal fica na Praça Manoel Guedes, 98, no centro de Tatuí. Mais informações estão disponíveis no site do ProAc. Agendamentos são feitos pelo telefone (15) 3251-4969.

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