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Goma-Laca interpreta ritmos brasileiros de Elsie Houston em Itu

Show reúne modinhas, emboladas, candomblé, chulas, tiranas, cocos, jongos, cirandas e cânticos indígenas na praça do Carmo, dia 18

Marinaldo Cruz Filho

Elsie Houston foi uma das maiores divulgadora dos ritos brasileiros no exterior
Elsie Houston foi uma das maiores divulgadora dos ritos brasileiros no exterior (FOTO: REPRODUÇÃO)

 

A obra da soprano Elsie Houston, que viveu no início do século passado, será apresentada em Itu no próximo domingo (18). O espetáculo gratuito “Cantos populares do Brasil” é uma produção do projeto Goma-Laca. A performance sintetiza, como o próprio nome sugere, a musicalidade tipicamente brasileira.

O repertório reúne de modinhas e emboladas a temas do candomblé, chulas, tiranas, cocos, jongos, cirandas e cânticos indígenas. A maior parte do material foi coletado pela própria Elsie Houston no interior do País. Durante os anos 1920, a artista fez uma verdadeira imersão em Minas Gerais, Paraíba, Bahia, Pernambuco e Amazonas.

Projeto Goma-Laca apresenta obras de Elsie Houston no show “Cantos populares do Brasil”, domingo (18), em Itu
Goma-Laca apresenta obras de Elsie Houston no show “Cantos populares do Brasil”, domingo (18), em Itu (FOTO: DIVULGAÇÃO)

 

Goma-Laca

As músicas serão interpretadas por cinco artistas do projeto Goma-Laca. Alessandra Leão (voz e percussões), Marcos Paiva (contrabaixo acústico), Junior Kaboclo (flautas), Filipe Massumi (violoncelo) e Rodrigo Caçapa (violas dinâmicas). O show apresentado em Itu ainda conta com a participação do cantor Marcelo Pretto, especialista na obra de Elsie Houston.

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Goma-Laca é um centro de criação e pesquisa da música brasileira gravada em discos de 78 rpm. O projeto promove shows, rodas de escuta, programas de rádio e lança discos em vinil.

“Cantos Populares do Brasil” será apresentado na praça do Carmo, a partir das 16h. O espetáculo que resgata o trabalho pioneiro de Elsie Houston tem patrocínio do Programa de Ação Cultural (ProAC). Em Itu, o show também recebe apoio da Prefeitura, por meio de sua Secretaria de Cultura.

Elssie Houston pesquisou sobre a música brasileira no interior de Minas Gerais, Amazonas, Paraíba Bahia e Pernambuco
Elsie Houston pesquisou a música do interior de Minas Gerais, Amazonas, Paraíba Bahia e Pernambuco (FOTO: REPRODUÇÃO)

 

Elsie Houston

Filha de um dentista norte-americano e de uma carioca, Elsie Houston-Péret nasceu no Rio de Janeiro. Apesar de ter vivido apenas 40 anos (1902 –1943), sua contribuição na divulgação da cultura brasileira no exterior é enorme.

Depois de estudar canto lírico na Alemanha, retornou ao Brasil e se encantou com os ritmos locais. Seu contato com o maestro Luciano Gallet a aproximou do universo musical folclórico brasileiro. Em pouco tempo, as batidas típicas ganhavam arranjos eruditos.

“Era uma cantora esplêndida. Possuía técnica larga, auxiliada por uma inteligência excepcional em gente do canto”

Este interesse de Elsie Houstou pelas raízes culturais brasileiras se intensificou ainda mais ao longo da década de 1920. O incentivo veio da amizade que travou com modernistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, entre outros.

Já conhecida como grande cantora, se apresenta em Paris em 1927, em recital com Arthur Rubinstein e Heitor Villa-Lobos. Neste mesmo ano começa relacionamento com o poeta surrealista francês Benjamin Péret. Vive com ele no Rio de Janeiro entre 1929 e 31. Em seguida, retornam para a França.

O casamento dura até 1937, quando Elsie Houston se muda para Nova York. Nos EUA, se sustenta com o ofício que já mantinha em Paris: o de cantora da noite. Lá, impressiona a plateia não só por seus dotes vocais, como também pelo repertório originário dos rituais religiosos afro-brasileiros.

Tinha 41 anos incompletos quando foi encontrada morta em seu apartamento, na Park Avenue, após um “aparente suicídio”. Pelo menos, foi isso o que informou na época a polícia de Nova York.

Adiante do seu tempo

Elsie Houtons escreveu o livro “Chants populaires du Brésil” (Canções populares do Brasil). A obra dói encomendada pelo Comitê Internacional da Liga das Nações, da Sorbonne, e editado em Paris em 1930.

Também lançou discos pela Columbia, pela Gramophone, pela Victor brasileira e pela RCA Victor norte-americana. No repertório estão cantigas tradicionais e composições de Villa-Lobos, Jaime Ovalle, Hekel Tavares e Luciano Gallet, entre outros.

Ainda gravou duas composições de Faustino Pedro da Conceição (o Tio Faustino), com acompanhamento da Orquestra dos Batutas. O trabalho dirigido por Pixinguinha inclui a marcha “Capote do mangô é teu”. Outro disco desse período é o samba “Vejo a Lua no céu”. Ambos foram lançados em 1932, pela Victor.

“Era uma cantora esplêndida. Possuía técnica larga, auxiliada por uma inteligência excepcional em gente do canto”, escreveu Mário de Andrade no obituário que dedicou a ela na Folha da Manhã.

Outro poeta modernista encantado por Elsie Houston era Manuel Bandeira. Em seu livro “Flauta de papel” (1957) escreve: “Numa pequena coleção de discos, ela deixou um repertório padrão da autêntica maneira de interpretar as canções afro-brasileiras, em que insinuava com exemplar sobriedade um dengue, uma malícia, uma ingenuidade de enfeitiçar”.

Serviço

Leia mais sobre o show “Cantos populares do Brasil” no site da Rádio Cultura e na página da Prefeitura de Itu.
Conheça obras de Elsie Houston por meio do projeto Goma-Laca.

O Município de Itu está localizado no nordeste da Região Metropolitana de Sorocaba. Fica a 40 quilômetros de Sorocaba, a 120 quilômetros de São Miguel Arcanjo e a 80 quilômetros de Tatuí.

* Com informações da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Itu.

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