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Obesidade pode também estar associada ao uso de antibióticos




Quando você ouve a palavra obesidade, é muito provável que a associe a uma vida sedentária em frente à TV, hambúrgueres engordurados e bebidas açucaradas. E você não está errado. Contudo, não é de hoje que as pesquisas apontam que a obesidade é uma doença crônica com origem multifatorial, o que quer dizer que não tem apenas uma razão de ser. O estilo de vida - incluindo uma alimentação inadequada e a ausência de atividades físicas regulares - é sim um fator importante, mas não o único.

“A prevalência da obesidade aumentou progressivamente entre adultos, adolescentes e crianças, dobrando desde o ano de 1980. Hoje ela é considerada uma epidemia mundial que afeta mais de 400 milhões de indivíduos, sem contar os 1,6 bilhão que já estão na faixa de sobrepeso.” Os dados, originalmente divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são apresentados por Alessandra Cristina Tardelli, médica e mestra em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Sorocaba (Uniso).

Eles apenas reiteram a importância de se estudar os diversos fatores que possam ter algum impacto sobre a doença. Um desses fatores, com o qual muitos pesquisadores se preocupam em todo o mundo - mas do qual pouco se fala fora da esfera acadêmica -, é o papel da MICROBIOTA intestinal na obesidade e em outras enfermidades metabólicas e imunológicas.

A relação entre microbiota e obesidade já foi documentada cientificamente, especialmente em crianças. Isso faz com que o uso indiscriminado de antibióticos possa ser considerado um desses muitos fatores que podem levar à obesidade. O que acontece é que, quando estamos doentes, antibióticos são administrados para eliminar bactérias nocivas, mas podem eliminar, também, as bactérias benéficas que compõem a microbiota humana. Vários estudos apontam uma relação entre alterações nessas bactérias e o ganho de peso. Isso se dá porque nossos intestinos são ambientes em que várias espécies de bactérias competem por alimento e alguns antibióticos podem matar determinadas bactérias, deixando outras que irão metabolizar os alimentos de forma diferente e deixarão para trás uma oferta maior de gordura para ser absorvida pelo nosso corpo.

Na Uniso, também há pesquisadores preocupados com essa questão. Durante a sua pesquisa de Mestrado, Alessandra foi uma das pesquisadoras que estudou como as alterações na microbiota de animais podem levar a variações na composição corporal (ossos, músculos, água, resíduos e, é claro, gordura). “Esse estudo teve como objetivo avaliar a interferência do uso de antibióticos no peso e na composição corporal de ratos, que são muito similares geneticamente a nós, seres humanos. Não por coincidência, trabalhamos com a amoxicilina, que é um dos antibióticos mais utilizados na pediatria. Isso o torna um risco em potencial quando o assunto é obesidade, já que a relação entre o uso de antibióticos e as alterações da composição corporal é mais impactante nos primeiros anos de vida, quando a microbiota é mais vulnerável”, explica Alessandra.

Os resultados apontam que, com base na metodologia proposta e nas condições em que o estudo foi realizado, o uso da amoxicilina aumentou a proporção de gordura corporal em ratos. “E esses são dados que podem ser replicados em seres humanos em outras pesquisas, o que nos leva a pensar em alternativas para combater esse fator causador da obesidade”, completa o professor doutor Fernando de Sá Del Fiol, Reitor da Uniso, que orientou tanto a pesquisa da Alessandra quanto outros estudos análogos da Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas.

Uma possível solução verificada nesses estudos é o uso de probióticos - como são chamados os microrganismos vivos que trazem algum efeito benéfico ao hospedeiro (semelhantes aos lactobacilos do leite fermentado). Outras pesquisas, também conduzidas na Uniso, já comprovaram o efeito protetor de diversos tipos de probióticos durante a administração de antibióticos.

“Para que isso seja possível, é necessário continuar estudando e identificar os probióticos corretos, a dose adequada e o esquema terapêutico que funciona em cada situação. Os resultados desses estudos abrem novas perspectivas tanto para o tratamento da obesidade quanto da subnutrição, uma vez que podemos utilizar probióticos tanto para aumentar quanto para diminuir o peso de um paciente”, conclui Alessandra.

Para saber mais: O que é microbiota?
Ainda no útero materno, o bebê é estéril, mas, ao ser exposto ao ambiente externo após o nascimento, ele é rapidamente colonizado por bactérias. Na verdade, 90% das células que habitam o nosso corpo são microrganismos — o que nos deixa com apenas 10% de células que são, de fato, nossas. Mas não se assuste; a maioria delas convive com os seres humanos de forma simbiótica, como aquelas que habitam nossos intestinos. A esse conjunto de microrganismos que residem em nossos tecidos dá-se o nome de microbiota.

Com base na dissertação “Interferência do uso de amoxicilina e Saccharomyces boulardii no peso e composição corporal de ratos”, do Mestrado em Ciências Farmacêuticas da Universidade de Sorocaba (Uniso), com orientação do professor doutor Fernando de Sá Del Fiol e aprovada em 18 de dezembro de 2014. Acesse a pesquisa completa: https://goo.gl/jfz2s8



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