SOROCABA E REGIÃO

Contrato de financiamento do BRT será assinado na segunda


O prefeito de Sorocaba, José Crespo (DEM), vai assinar na segunda-feira o contrato de financiamento do projeto BRT (bus rapid transit), que deve ocorrer por meio de empréstimo do governo federal. As informações sobre o financiamento serão divulgadas na segunda, em coletiva de imprensa, às 10h30. Na sexta-feira da semana passada (5), falando com exclusividade ao Cruzeiro do Sul, o secretário de Planejamento e Gestão, Luiz Alberto Fioravante, informou que o governo municipal pretende realizar nos próximos três anos a primeira fase do BRT, referente ao corredor norte-sul (avenida Itavuvu-Campolim), em paralelo à implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na faixa da estrada de ferro que cruza a malha urbana desde Brigadeiro Tobias, na região leste, até George Oeterer, no extremo oeste.

Fioravante disse que o projeto do BRT "como um todo" está mantido, mas deverá passar por adaptações. Ele acredita que a segunda fase (leste-oeste) não será realizada no atual governo. "São projetos estruturais muito grandes", argumentou. Segundo o secretário, o trecho norte-sul é compromisso de campanha do prefeito Crespo e foi escolhido para a primeira fase pelo fato de estar mais disponível. "Nós vamos começar pelo local mais fácil, onde não tem necessidade de desapropriações", disse. Para o BRT Itavuvu-Campolim, conforme Fioravante, as desapropriações necessárias, localizadas na região da avenida Itavuvu, já foram feitas: "São áreas remanescentes de algum empreendimento que já estão em posse da Prefeitura. Na região do Campolim tem estrutura. Lá não precisa desapropriar." "Esse trajeto hoje está na fase de finalização da parte documental. Está nos finalmentes", revelou, acrescentando que o projeto executivo da obra já existe.

Sobre o corredor leste-oeste, Luiz Fioravante admitiu que deverá ficar para um próximo governo. Apesar disso, descartou que a Prefeitura possa voltar atrás nos planos de fazer desapropriações para o alargamento da avenida São Paulo, onde dez imóveis situados entre os números 380 e 474, sentido Centro-bairro, foram declarados de utilidade pública. Ao contrário do que Crespo afirmou na campanha eleitoral -- basicamente, que no corredor leste-oeste o BRT não seria necessário, pois haveria o VLT --, a Prefeitura agora admite a manutenção dos dois modais em paralelo, com adaptações no projeto original.

Afirmando que o BRT leste-oeste e o VLT servem regiões populacionais diferentes, Fioravante destacou: "Os modais se cruzam, mas não interferem um no outro. Então o projeto pode ser mantido originalmente como foi licitado." Apesar disso, ele admitiu que podem ocorrer adaptações nos modais, nessa segunda fase. Preferiu não afirmar, por exemplo, até onde irá o BRT Centro-avenida São Paulo. "Não sei se vai até Brigadeiro, se não vai. São detalhes que o desenrolar da implantação vai dizer."

Ansiedade

As desapropriações na avenida São Paulo deverão custar pouco mais de R$ 1 milhão, segundo o Cruzeiro do Sul apurou com técnicos da Secretaria de Planejamento e Projetos. Em sua maioria, os imóveis declarados de utilidade pública são comerciais e o anúncio das desapropriações gerou apreensão entre os proprietários.

Segundo Robson Luiz Sanches, 45, proprietário de uma loja de rolamentos situada naquela avenida, a última informação que teve sobre as desapropriações foi no final de 2015, quando técnicos fizeram as medições dos imóveis. No estabelecimento de Robson, conta, parte do estacionamento deve ser desapropriada, mas, segundo ele, passados mais de dois anos, não foi falado nada em valores e prazos. "A gente vai trabalhando na incerteza do que vai acontecer, torcendo para que isso se resolva logo", afirma.

Já Marcos Rodrigues, 55, aluga um imóvel na avenida há 35 anos e lá mantém um bar. Ele relata que a proprietária do prédio, que tem mais uma sala comercial, informou que o processo de desapropriação não teve mais andamento. Conta que também já fizeram as medições da propriedade, mas que nada mais foi acertado. "Uma hora falam que vai ter esse BRT, depois falam que não e eu parei de me preocupar um pouco porque não adianta sofrer por antecipação", diz o comerciante.

O engenheiro civil José Carlos de Almeida, da Secretaria de Planejamento e Projetos, e a diretora de área Mirian Zacareli informaram que o projeto de instalação do BRT servirá também como complemento para a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Os estudos para a implantação do VLT, conforme Luiz Fioravante, estão em fase final e o sistema deve começar a operar até 2020. "Vamos conseguir implantar o VLT, utilizando a faixa de domínio da ferrovia, na mesma linha da ferrovia." De acordo com o secretário, a implantação do corredor norte-sul do BRT e o funcionamento do VLT proporcionarão maior mobilidade ao sorocabano. "Se você morar na região do Parque São Bento, por exemplo, terá condições de chegar na zona leste via VLT. Toma um ônibus e faz integração num terminal de bairro com o VLT." Segundo ele, o VLT, terá 24 estações de George Oeterer até Brigadeiro Tobias. (Da Redação)



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