SOROCABA E REGIÃO

Escreventes são encontrados mortos no bairro Santa Terezinha


Por motivos que deverão ser esclarecidos pela polícia, o escrevente judiciário José Júlio Ferreira Cintra de Almeida Prado Júnior, 48 anos, e a namorada Simone Lanzoni, 46 anos, também escrevente judiciária, foram mortos a tiros. Uma das linhas de investigação policial aponta para um possível homicídio seguido do suicídio de José Júlio. O crime teria ocorrido durante a madrugada desta quarta-feira (03) na casa dele, na região do bairro Santa Terezinha. Os corpos foram encontrados sobre a cama pela filha dele, nesta quarta, próximo ao horário do almoço. Com mais esse registro, a estatística de feminicídio em Sorocaba aumenta, no prazo de 48 dias, de cinco para seis casos. Entre esses, um dos autores teria se matado na sequência.

De acordo com o que foi informado pela polícia, os dois corpos foram encontrados no quarto, ambos com uma perfuração de tiro na cabeça, de revólver calibre 38, que foi apreendido e encaminhado para perícia.

O delegado plantonista Wagner Valcazara informou que, segundo o que foi apurado pelos policiais que compareceram ao local, o crime pode ter ocorrido de madrugada, quando a filha de José Júlio, que reside em outra parte da residência (seriam dois imóveis num mesmo terreno) teria ouvido uma briga.

Ainda segundo o delegado, com base na dinâmica do local, somente a perícia poderá indicar se havia mais algum ferimento nas vítimas, mas atentou também não haver sinais de luta aparente. Valcazara também confirmou que foi a filha do escrevente quem encontrou os corpos perto do meio-dia.

Pessoas que conheciam o escrevente ficaram chocados com a notícia. A família de José Júlio, também muito chocada, se manteve distante da imprensa. Além da filha, ele teria mais dois filhos.

Simone Lanzoni também tinha três filhos, sendo uma moça e dois garotos mais novos. A filha dela postou numa rede social: "Mais uma mulher. A minha mãe. E ninguém teve a chance de se despedir", concluiu. Por se tratar de feminicídio, o caso será encaminhado para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que fará as investigações.

Seis mortes

Com mais esse registro, a estatística de feminicídio em Sorocaba aumenta, no prazo de 48 dias, de cinco para seis casos (incluindo a ocorrência envolvendo Solange Maria Silva, que teria supostamente se afogado ao retornar de um baile com o namorado em 27 de novembro e cujo corpo ainda não foi localizado). Entre esses, um dos autores teria se matado na sequência.

Além do caso da Solange, outros que ainda seguem sem esclarecimento é o que vitimou a escrivã da Polícia Civil, Esmerlei Demétrio da Silva, 56 anos, encontrada morta em sua casa, no Jardim Novo Horizonte, na manhã de 16 de novembro, com o corpo coberto com uma toalha e as mãos amarradas, e indícios de ferimentos por arma de fogo, e o da Juliana Jovino, encontrada morta na represa de Itupararanga na tarde do dia de Natal. O laudo constatou morte por afogamento, mas a polícia ainda não localizou o homem com o qual ela deixou a casa de uma amiga ainda na noite de 24 de dezembro. Sua filha de dois anos foi encontrada abandonada na manhã seguinte, no Jardim Novo Eldorado, e horas depois o corpo da Juliana foi localizado.

Um dia depois do Natal, a vendedora Mariana Pereira Ribeiro Coelho, 34 anos, foi assassinada a golpes de faca pelo ex-marido, Julio Theodoro de Souza, 33 anos, na rua Santa Maria, cruzamento com a avenida Nogueira Padilha, na Vila Hortência, por volta das 13h. Depois de desferir vários golpes, o acusado tentou fugir e foi perseguido por populares, que quase o lincharam. O casal estaria separado há duas semanas, e o autor não teria se conformado de ela ficar com a guarda do filho de quatro anos de idade.

Também em 27 de novembro, Aline Andrade Silva, 30 anos, foi assassinada pelo marido Marcio Antonio de Oliveira Silva, que se matou em seguida. O crime aconteceu na residência do casal, no bairro Sorocaba Park.



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