EDITORIAL

Uma nova cidade


Com a presença do governador Geraldo Alckmin, do secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia, e do prefeito José Crespo, foram entregues na última quarta-feira as chaves para as famílias que adquiriram seus imóveis no residencial Jardim Altos do Ipanema. Pelos cálculos dos organizadores, 1.900 de um total de 2.100 famílias que ocuparão o conjunto retiraram suas chaves e aguardam agora a liberação dos apartamentos para que possam mudar. Para estabelecer certa ordem na mudança de um número tão grande de famílias, um cronograma foi elaborado para facilitar essa operação que envolverá milhares de pessoas. São imóveis de 46 metros quadrados; cerca de 200 pessoas ainda estão na fila de espera para adquirir uma unidade habitacional e pedem agilidade no processo de análise de cada pessoa inscrita no programa. Segundo o secretário municipal da Habitação, Fábio Gomes, esse atraso está ocorrendo porque muitos inscritos deixaram de apresentar toda documentação exigida, ou encaminharam documentos com imprecisões e por isso a Caixa Econômica Federal, agente financeiro do programa, está analisando caso a caso. Famílias nessa situação, portando cartazes, realizaram um protesto pacífico durante a solenidade. Os dois novos conjuntos habitacionais tiveram suas unidades adquiridas por pessoas de baixa renda e que, na maioria dos casos, querem fugir do aluguel e morar em um apartamento próprio.

A mudança de todas essas famílias precisa ser bem coordenada e se espera que não ocorram os mesmos problemas que marcaram a transferência dos moradores do residencial Carandá, quando muitas famílias mudaram para unidades que ainda não haviam sido liberadas.
O empreendimento, que tem entre os financiadores o programa federal Minha Casa, Minha Vida, foi construído às margens da rodovia Emerenciano Prestes de Barros, que liga Sorocaba a Porto Feliz, ao lado do residencial Carandá, outro conjunto de apartamentos gigantesco. No primeiro conjunto, que começa a ser ocupado nos primeiros dias de 2018, devem morar em torno de 10 mil pessoas, enquanto que no Carandá, ligeiramente maior, já residem perto de 12 mil pessoas. A população desses dois conjuntos, algo em torno de 22 mil pessoas, é maior que 395 dos 645 municípios paulistas, e demanda uma atenção especial da Prefeitura e do governo estadual, visto que a região escolhida para sua construção, antes uma área rural, é desprovida de infraestrutura. A Prefeitura de Sorocaba construiu e colocou em funcionamento uma Unidade Básica de Saúde no Carandá para atender os moradores dos dois conjuntos. O atendimento nas áreas de educação, creches, segurança pública e abastecimento ainda é muito precário.

Mas o maior problema para os dois novos conjuntos é a única via de acesso existente, a rodovia Sorocaba-Porto Feliz (SP-097), que também é uma via de acesso à rodovia Castelo Branco e muito movimentada, também por conta de condomínios e empresas instalados naquela região. Há pelo menos dois anos foi prometida sua duplicação, mas o governador Alckmin, questionado sobre o assunto, desconversou. Preferiu falar sobre a construção de uma rotatória que será utilizada pelos moradores dos dois conjuntos habitacionais e que foi inaugurada também na última quarta-feira, embora já estivesse sendo utilizada há algum tempo. O DER, responsável pelas obras de duplicação, na sua agilidade conhecida, informa que estão em andamento os estudos técnicos para ampliação da capacidade de tráfego da via, sem precisar quando essa análise será concluída.

É importantíssimo que seja encontrada uma solução para esse problema viário. A zona norte de Sorocaba teve crescimento acelerado nos últimos anos. A própria avenida Ipanema, principal eixo de ligação daquela região, tem um trânsito pesadíssimo que fica muito perigoso quando começa a rodovia. Um trecho, que vai da avenida até o Parque São Bento, já foi duplicado. Levar as duas pistas até os novos conjuntos e até a Castelo Branco é essencial para a segurança do tráfego naquela região.



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