EDITORIAL

Chuvas de verão


O temporal que caiu em Sorocaba na última terça-feira causou estragos em diversos bairros e provocou alagamentos em várias partes da cidade. Foi uma chuva muito forte e em algumas regiões da cidade ultrapassou 104 mm segundo registro da estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) instalado nas dependências da Fatec, no alto da Boa Vista, enquanto que a média histórica do mês de dezembro fica entre 350 e 400 mm de chuva. Esse foi possivelmente o primeiro temporal deste início de verão, pois, segundo o Inmet, a expectativa é de uma estação quente e chuvosa. O verão começou na tarde de ontem em todo o hemisfério sul.

O temporal de terça-feira -- que, segundo a Defesa Civil, teve 115 mm de precipitação em medição própria -- provocou alagamentos nos locais previsíveis, uma vez que o nível do rio ultrapassou os 2,3 m do equipamento de medição da Praça Lions. Ficaram alagadas essa praça, interrompendo o tráfego na avenida Dom Aguirre, o Parque das Águas, onde o sistema de drenagem forçada não deu conta de tanta água, a avenida Quinze de Agosto, do outro lado do rio, entre outros pontos vulneráveis da cidade. Nesses pontos os alagamentos são previsíveis e alvo de atenção constante da Prefeitura e da Defesa Civil. Há alguns anos, a Prefeitura vem retirando famílias que moram em áreas de risco e sujeitas a inundações, oferecendo alternativas de moradias. Muitas casas construídas ilegalmente em áreas inundáveis da várzea do rio Sorocaba foram demolidas e os moradores, acomodados em locais mais seguros, sendo que muitos deles foram encaixados em programas habitacionais da Prefeitura.

No último temporal, que inundou pelo menos 46 residências e deixou 184 pessoas desalojadas, a chuva mais pesada se concentrou na zona leste da cidade, causando danos e alagamentos nos bairros Jardim Piratininga, Vila Rica, Jardim Eldorado e Brigadeiro Tobias. Neste último bairro, onde os alagamentos foram mais violentos, com a queda de muros e estragos em algumas casas, suspeita-se até que houve o rompimento de um pequeno açude, o que ainda não foi confirmado. Em pelo menos dois desses bairros, segundo informações do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae), contribuiu para os alagamentos e transbordamentos de córregos a existência de novos loteamentos. É o caso de Brigadeiro Tobias e Jardim Piratininga e possivelmente da Vila Rica. São loteamentos particulares que desmatam e fazem serviços de terraplenagem em grandes áreas. Com o solo totalmente desprotegido por não ter cobertura vegetal, a erosão é muito rápida e a terra que sai desses lugares levada pela enxurrada entope galerias pluviais, bocas de lobo e assoreia córregos e até o rio.

O Saae informou ainda que seus funcionários estiveram em Brigadeiro Tobias dias antes do temporal, realizando trabalhos de limpeza e desobstrução de bocas de lobo e sistemas de drenagem comprometidos pela terra proveniente dos novos loteamentos levada pela enxurrada. No Jardim Piratininga, ocorreu uma situação semelhante. O córrego que corta o bairro teve sua vazão comprometida possivelmente devido ao assoreamento com terra proveniente de outro loteamento particular localizado na parte alta do bairro. Há algum tempo, a erosão em um loteamento localizado na avenida São Paulo assoreou o lago existente na área de uma indústria de bebidas, na rua Sadrac Arruda, e teria comprometido também córregos da região.

Pelo menos nos loteamentos identificados pelo Saae, estão sendo tomadas medidas para tentar resolver o problema. Os dois loteamentos de Brigadeiro Tobias que teriam prejudicado a drenagem de algumas ruas do bairro estão sendo tratados juridicamente pela Prefeitura. No Jardim Piratininga, o proprietário do loteamento já teria sido notificado pela autarquia. São casos como esses, potencialmente perigosos, que precisam ser identificados antecipadamente pela Defesa Civil para evitar que tragédias possam acontecer, uma vez que o período de chuvas fortes só está começando.



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