EDITORIAL

Aquecendo os motores


Aos poucos começa a tomar contorno a corrida eleitoral que se avizinha, com os partidos políticos debatendo internamente a escolha de seus candidatos e as estratégias de campanha a serem adotadas no início do ano que se aproxima. Em Sorocaba já temos pelo menos onze pré-candidatos a deputado para as próximas eleições. A cidade é representada hoje por cinco parlamentares, três com mandatos na Assembleia Legislativa e dois na Câmara Federal, todos candidatos à reeleição. A lista cresce com pretendentes a uma vaga nessas duas Casas envolvendo principalmente vereadores, ex-vereadores e ex-deputados.

No plano local, alguns partidos já montam sua estratégia. O PSDB, por exemplo, já definiu que terá apenas um candidato à Assembleia, a atual deputada Maria Lúcia Amary, e um para federal, o também deputado Vitor Lippi. O Partido dos Trabalhadores adotou tática semelhante. Terá o ex-deputado Hamilton Pereira como candidato a deputado estadual e o ex-vereador Izídio de Brito pleiteando uma vaga na Câmara Federal. O ex-vereador pelo PT e hoje no PDT Carlos Leite deve concorrer a uma vaga na Alesp. O PMDB é o partido com maior número de potenciais candidatos, mas a sigla informa que os nomes serão definidos no final do primeiro semestre de 2018.

Rodrigo Manga (DEM), atual presidente da Câmara de Vereadores, já articula sua candidatura. Não foi definido se tentará uma vaga na Alesp ou na Câmara Federal, enquanto que seu colega vereador Fausto Peres (Podemos) já teve o nome selecionado para o Legislativo estadual.

No plano nacional, algumas questões terão grande peso político no desenrolar das campanhas dos mais de 30 partidos registrados na Justiça Eleitoral. A primeira grande dúvida será a participação ou não de Lula no pleito. Com seu julgamento no TRF4 para janeiro, surge a dúvida sobre a viabilidade de sua candidatura caso venha a ser condenado em segunda instância. Sua ausência mudaria muito o panorama eleitoral do próximo ano. Outra questão que atormentará a cabeça dos dirigentes partidários diz respeito ao apoio ou não de Michel Temer, de longe o presidente com menores índices de aprovação que se tem notícia. Ter ou não ter o apoio presidencial será crucial para muitos candidatos. Se muitos o evitarão no palanque por conta de sua rejeição, o mesmo não se pode dizer do apoio de seu partido. Por mais fragmentado que esteja e abalado por denúncias de corrupção e atolado na Lava Jato, o poder do PMDB ainda é enorme. Tem recursos, uma estrutura partidária nacional e tempo de TV. Há quem compare o PMDB a uma espécie de federação, com caciques espalhados pelos Estados, semelhante ao que foi o antigo PSD (Partido Social Democrático, 1945 - 1965), criado por Getúlio Vargas e que tinha sua estrutura de poder montada sobre chefes regionais.

Outro fator que será decisivo será o posicionamento dos candidatos frente à reforma da Previdência, que deverá ser votada no início da próxima legislatura, um assunto potencialmente explosivo. Aqueles que decidirem apostar na reforma estão cientes que poderão sofrer forte pressão, principalmente nas redes sociais. Considerada fundamental por vários setores para garantir o crescimento do País, eleitoralmente a reforma é um tema delicado. O PSDB, agora sob a presidência do governador paulista Geraldo Alckmin, aprovou manifestação oficial de apoio de suas bancadas à reforma. A declaração estabelece uma orientação aos deputados e senadores do partido para que votem a favor da proposta.

Nesse jogo de xadrez que será a campanha eleitoral de 2018, há ainda o fator surpresa. O ministro da Fazenda Henrique Meirelles quer conquistar o apoio de Temer e da base aliada para se apresentar como um candidato de centro. Há muito que se esperar desse ano eleitoral. A velha frase "Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito; olha de novo e ela já mudou", do ex-governador mineiro Magalhães Pinto, erroneamente atribuída a Ulysses Guimarães, é mais atual que nunca.



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