ARTIGOS

O que conta é a reação


Geraldo Bonadio

Para não começar do zero, o imigrante italiano trouxe consigo, para o Brasil, um razoável patrimônio a ser usado como fundo de comércio. A sorte não ajudou. A barcaça que transportava os pertences do navio para o porto naufragou. O migrante não se abateu. Apesar de um começo pior que o projetado, Francisco Matarazzo tornou-se um grande comerciante e, depois, o maior industrial do Brasil.

Histórias assim se repetem, cada dia, debaixo dos nossos olhos. Há quem, contra toda expectativa, suporta enormes perdas pessoais e patrimoniais, se reergue e retoma a vida, com inflexível determinação, ao passo que outros se deixam destruir por pequenos incidentes.

"A grande questão", escreve Henri Nowen, "não é aquilo que nos acontece, mas sim a maneira como reagimos ao que nos acontece".

Quem faz de seus haveres uma extensão do próprio corpo sofre dores lancinantes, emocionais e mesmo físicas, se um motorista desastrado lhe abalroa o carro e produz amassados ou riscos na lataria. Outros, que não estabeleceram a mesma vinculação, passam por um desastre que resulta em perda total do veículo sem mudança de humor, felizes por haverem escapado com vida do que poderia ter sido um acidente fatal.

Fingir que a perda de um ente querido não o abalou é uma enorme bobagem. Toda perda gera feridas que precisam de tempo para cicatrizar. O luto não se tornou uma instituição universal por acaso e sim pela necessidade, que todos temos, de um tempo para nos recobrar.

Superar a perda de alguém certamente é mais difícil do que se conformar com perda de alguma coisa, ainda que muito valiosa. Mas, num caso e noutro, em algum momento é fundamental, com a ajuda de Deus e o apoio dos outros, retomar a vida.

"Eu (...) confio em ti, Senhor e digo: "Tu és meu Deus!". Meu futuro está em tuas mãos (...). Que a luz do teu rosto brilhe sobre teu servo; salva-me por causa de teu amor."

Salmo 31:14-16

Nova Versão Transformadora

Geraldo Bonadio é jornalista. geraldo.bonadio@gmail.com



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