Giro Regional

Nós, de Pilar, odiamos crime passional


 
Fazendo minha estreia neste canal é conveniente me apresentar. Como deixo claro no título da matéria, sou de Pilar do Sul um dos municípios da Região Metropolitana de Sorocaba localizados nas bordas ou no cume da Serra de Paranapiacaba. 
Minha cidade sempre foi conhecida, sobretudo, pela paz. A vida sossegada dos pilarenses era, junto com seu clima ameno e sua paisagem bucólica, o seu principal patrimônio, seu atrativo e o fio condutor para atrair novos moradores e turistas.
A tranquilidade, porém, desapareceu ninguém sabe quando e nem como. De um dia para outro, ou de uma noite para outra, a praça da Matriz trocou o footing pelo fumo e pela cocaína e os bandidos passaram a explodir bancos com tamanha frequência que obrigou os banqueiros a fecharem as agências. 
Perdemos os serviços da Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil limitou sua participação na cidade ao depósito de cheques, recusando terminantemente qualquer transação que envolva dinheiro vivo.
Mas, enquanto os ataques limitam-se ao patrimônio, os pilarenses conservam a sua fleuma. O que deixa os moradores indignados são os assassinatos, qualquer que seja. Durante todo o Século 20 dava para contar nos dedos o número de pessoas assassinadas, geralmente por motivo banal, uma bebedeira ou um desentendimento à toa.
Também no início deste século eram raros os casos de homicídios. Geralmente um ou dois casos por ano. Mas, neste 2017 que está por terminar, já foram registradas nove mortes. Todas igualmente revoltantes, embora algumas tenham ocorrido motivadas pela embriaguez, violenta emoção ou quaisquer outras atenuantes. 
Durante todo este período, a população manteve-se impassível, manifestando-se apenas entre os seus. No último final de semana, porém, as redes sociais fizeram propagar uma onda de lamentações e revolta jamais vista na história da formação do município de Pilar. 
“Oremos por Pilar”, “Só Deus na causa”, “Senhor, salve Pilar”. Estas foram algumas das manifestações de pilarenses durante toda a tarde de segunda-feira depois do assassinato de duas mulheres, menos de 48 horas depois do assassinato de uma jovem por outra durante uma festa.
Na tarde desta quinta-feira, por telefone, o delegado titular de Pilar do Sul, Milton Andreoli, deu entrevista a este blog esclarecendo que na noite de sábado, dia 2 de dezembro, foi realizado um auto de prisão em flagrante por homicídio e na segunda-feira, dia 4, outro flagrante por duplo homicídio.
Segundo testemunhas oculares, Elisandra Vitória Cássia de Oliveira, de 20 anos, foi assassinada por Amanda de Oliveira Nunes, de 19, no final da tarde de sábado em um sítio no bairro Boa Vista, na zona rural. 
A proprietária da chácara, Tatiane Oliveira Carvalho, uma das testemunhas, contou que Amanda e Elisandra iniciaram uma discussão e foram às vias de fato. Elisandra teria se armado com uma enxada, mas Amanda a atingiu com uma facada certeira no coração.
O delegado Milton Andreolli disse que as testemunhas informaram que a causa da briga foi ciúmes, já que as jovens tinham um envolvimento homoafetivo e Amanda não foi convidada para a festa. 
Na segunda feira, dia 4, segundo entendimento do delegado, aconteceu um típico crime premeditado. O açougueiro João Batista Gomes de Souza, de 54 anos, conhecido como Tigre, matou a facadas a sua ex-mulher Claudelice Alves da Silva Souza, de 45 anos e sua nora, Alessandra Gomes Vieira, de 29 anos. 
O delegado contou que Tigre tinha ordem judicial para não se aproximar a menos de 200 metros da ex-esposa. A restrição foi imposta no dia 6 de novembro passado como resultado de um inquérito de agressão instaurado a pedido da mulher. 
“No dia do crime ele foi até as proximidades da casa dela por volta das três horas da madrugada e ficou esperando o filho sair para o trabalho. Quando o filho saiu ele invadiu a casa, matou as duas e tentou se matar cortando os pulsos”, conta Andreolli.
Tigre e Amanda foram presos em flagrante e vão responder por homicídio doloso. 



comments powered by Disqus