SOROCABA E REGIÃO

Diretora do CHS deixa sessão e revolta vereadores


Depois de cerca de duas horas debaixo de questionamentos dos vereadores sobre os problemas no atendimento do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), a diretora da unidade, Silvia Moreira, deixou a sessão desta quinta-feira (7) alegando a necessidade de comparecer a outros compromissos e revoltou os parlamentares. Mais da metade dos inscritos para fazer perguntas acabaram sem tempo para questionar a coordenadora da unidade e a criticaram, considerando que ela teria "fugido da responsabilidade", além de dar respostas evasivas sobre as condições do hospital. Silvia deixou o plenário por volta de 12h45 sob protesto dos vereadores e vaias do público dizendo que verificará a possibilidade de retornar na próxima terça-feira (12).

A diretora do CHS rebateu críticas dos vereadores e inclusive reportagens exibidas que denunciam problemas como a falta de estrutura, materiais e condições de atendimento aos pacientes. Segundo ela, "nem tudo o que foi veiculado e apontado corresponde à realidade". Silvia tratou como sendo um problema pontual a falta de medicamentos e insumos utilizados no hospital, atribuindo eventuais baixas no estoque a dificuldades com fornecedores. Ela ainda declarou que as imagens veiculadas em reportagens que mostram os estoques vazios teriam sido "plantadas" por trabalhadores da unidade. Ela disse ainda desconhecer situações relatadas pelos vereadores como médicos que estariam prescrevendo sobre latões de lixo nos corredores da unidade por falta de consultórios. A fala revoltou não apenas os vereadores, mas também membros do Conselho Municipal de Saúde e funcionários do CHS que acompanhavam a sessão.

O discurso adotado levou os vereadores a acusarem Silvia de se negar a reconhecer as dificuldades do hospital. Diante das críticas, ela posteriormente admitiu que há falhas no atendimento, como superlotação e a necessidade de deslocar pacientes para os corredores, e relatou que elas devem ser reduzidas quando o novo Hospital Regional for inaugurado. A previsão do governo do Estado é de que a unidade que está sendo construída no quilômetro 106 da rodovia Raposo Tavares seja entregue no primeiro semestre de 2018. Ainda durante a sessão de perguntas, Silvia Moreira disse que o CHS opera com um orçamento anual de cerca de R$ 120 milhões e trabalha regularmente com uma taxa de ocupação de cerca de 95% "podendo chegar a 98% em alguns dias".

Insatisfação

Alguns vereadores devem se reunir hoje com o secretário estadual de Saúde, David Uip, e prometem até mesmo pedir o desligamento de Silvia Moreira do cargo de diretora do CHS. A sugestão foi levantada em plenário pelo presidente da Câmara, Rodrigo Manga (DEM), e também pelo vereador Luis Santos (Pros). Diante da falta de respostas conclusivas, outra medida a ser adotada é a oficialização de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deve ser proposta pela vereadora Cíntia de Almeida (PMDB) para apurar os problemas na saúde na cidade com ênfase no Regional. Além disso, os vereadores anunciaram que farão um "arrastão" nas dependências do hospital sem data previamente anunciada para flagrar irregularidades.



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