CULTURA

Marina Melo lança o álbum 'Soft apocalipse'


Há cinco anos, a paulistana Marina Melo cursava Pedagogia e, embora frequentasse aulas de canto e violão desde a adolescência, como hobby, não almejava seguir carreira musical a sério. A história começou a mudar no instante em que assistiu a um show formado apenas por mulheres compositoras. "Ali eu descobri que também poderia compor. Voltei para casa, comecei a compor, compor e não parei mais", comenta ela, que faz show nesta quinta-feira (7), às 20h, na Área de Convivência do Sesc Sorocaba. A apresentação tem entrada gratuita e faz parte do projeto Empulso, que abre espaço a trabalhos musicais de vanguarda.
 
Depois que começou a compor, Marina conta que gravar um álbum com as próprias canções e, em seguida, interpretá-las nos palcos foi o segundo passo, mais relutante, que só foi dado com o "empurrão" encorajador do produtor musical Gabriel Serapicos.
 
Lançado de forma independente em junho do ano passado, "Soft apocalipse" arrebatou a crítica especializada, que classificou curiosamente como "um álbum agradavelmente inclassificável" e apresentou a artista como "nova voz poética e musical", "na melhor linhagem de Itamar Assumpção e Luiz Tatit", entre outras definições.
 
As músicas de "Soft apocalipse", disponíveis nas principais plataformas de música digital, compõem a base do show que Marina faz hoje. "Vou cantar o disco na íntegra, mas também terá algumas músicas inéditas", conta.
 
Amizade e admiração
 
Nesta sua primeira passagem por Sorocaba, a artista faz questão de convidar para dividir o palco, para uma participação especial do show, uma artista local que tem como "referência e inspiração": a cantora e compositora Paula Cavalciuk. "Nosso trabalho é bem diferente, mas com muitos temas em comum."
 
Marina detalha que se deparou com a voz de Paula pela primeira vez pela internet, no vídeo-protesto com a música "Morte e vida uterina", inspirado na campanha Por Todas Elas, em repúdio à cultura do estupro, à misoginia e à violência de gênero. "Achei a música muito bonita, com uma forma muito sensível e original de tratar a questão de ser mulher", comenta Marina, cujo disco de estreia traz "Laura", que também trata da violência sofrida por mulheres.
 
Marina conta que ficou tão impactada com a canção que escreveu uma mensagem para Paula e, em seguida enviou cópia do seu disco, dando início a uma relação de amizade e a admiração mútua. "Até que finalmente vi o show dela, ao vivo, em junho [em São Paulo]. Ela tem uma voz maravilhosa e uma presença de palco incrível. Quando o Sesc me chamou, eu imediatamente convidei a Paula", acrescenta.
 
"Soft apocalipse" reúne treze canções bem-humoradas, que fazem uma crítica aguda a questões contemporâneas, mas que também revelam a delicadeza de temas íntimos. Os arranjos transitam por diferentes estilos musicais, que vão do rock ao baião, ressaltando a versatilidade da cantora.
 
A gravação do álbum foi proposta pelo produtor Gabriel Serapicos, assim que conheceu o trabalho bruto de Marina, iniciando com a artista um laboratório intenso de criação de arranjos, com participação especial de Zeca Baleiro, registrada na faixa "Adultos".
 
No show de hoje, Marina Melo estará acompanhada de Gabriel Serapicos (guitarra e teclado), Pedro Serapicos (baixo) e Matheus Souza (bateria).
 
Antes do show, às 18h, Marina e sua banda participam de um bate-papo gratuito sobre a inserção na cena musical independente. No encontro, os artistas vão apresentar e discutir modos de criação, produção, gravação e difusão artística. O bate-papo ocorre no teatro da unidade e os ingressos devem ser retirados na Central de Atendimento da unidade com uma hora de antecedência.
 
O Sesc Sorocaba fica na rua Barão de Piratininga, 555, Jardim Faculdade. Mais informações: (15) 3332-9933.



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